
Rutte revela que 500 aviões dos EUA partiram de bases italianas para atacar o Irão
A declaração do secretário-geral da NATO desencadeia crise política em Itália, enquanto aliados europeus se reúnem para coordenar posição antes da cimeira de Ancara.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, revelou em entrevista à Fox News que cerca de 500 aeronaves norte-americanas descolaram de bases em Itália para apoiar a operação ‘Epic Fury’ contra o Irão, e que, no conjunto da Europa, foram realizadas entre quatro e cinco mil missões de voo. A divulgação destes números, até agora mantidos sob reserva, ocorre no mesmo dia em que Rutte se encontra com o presidente Donald Trump na Casa Branca e participa por videoconferência na cimeira do grupo E5 (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Polónia) em Berlim, destinada a alinhar posições antes da cimeira da NATO em Ancara, em julho.
Rutte procurou matizar a ‘deceção’ manifestada por Trump em relação aos aliados, classificando como ‘casos isolados’ as recusas de alguns membros em conceder direitos de sobrevoo e utilização de bases. Na perspetiva de Washington, a administração Trump tem pressionado os parceiros europeus a aumentarem os gastos com defesa e a partilharem os encargos da segurança transatlântica, tendo o secretário da Defesa, Pete Hegseth, anunciado uma revisão de seis meses do destacamento de tropas dos EUA na Europa. Já os governos europeus, através do formato E5, tentam construir uma linha comum que concilie o compromisso com a aliança e as sensibilidades políticas internas, num contexto em que a meta de investimento de 5% do PIB em defesa até 2035, acordada na cimeira da Haia, continua a gerar divisões.
Em Itália, as declarações de Rutte provocaram uma vaga de reações da oposição. O Partido Democrático, o Movimento 5 Stelle e a Aliança Verdes e Esquerda acusaram a primeira-ministra Giorgia Meloni de ter ocultado a dimensão do envolvimento italiano, exigindo esclarecimentos urgentes no Parlamento. O governo italiano havia assegurado que o país não participaria em ações ofensivas diretas e que o uso das instalações militares se limitaria a apoio logístico e defensivo. Contudo, os acordos bilaterais que regulam as bases norte-americanas em território italiano distinguem entre voos de combate — que requerem autorização formal de Roma — e missões logísticas, para as quais basta uma comunicação prévia. A controvérsia reside, portanto, na natureza exata das 500 missões agora reveladas.
Para os países lusófonos da NATO, como Portugal, o episódio sublinha a tensão latente entre os compromissos da aliança e a soberania nacional, num momento em que Washington exige maiores contributos militares e ameaça reduzir a sua presença na Europa. Analistas em Lisboa recordam que a Base das Lajes, nos Açores, tem historicamente desempenhado funções de apoio logístico a operações dos EUA, e que o debate sobre a transparência na utilização dessas infraestruturas poderá ganhar relevância à medida que a pressão sobre os aliados se intensifica.
O encontro desta quarta-feira entre Rutte e Trump, bem como a cimeira de Berlim, deverão definir o tom para a cimeira de Ancara de 7 e 8 de julho, onde se espera que os 32 membros da NATO e dez países parceiros discutam o reforço da capacidade de defesa europeia e o futuro da relação transatlântica. Em Roma, a pressão para que Meloni preste esclarecimentos ao Parlamento deverá marcar a agenda política dos próximos dias.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os aliados europeus correm para apresentar uma frente unida antes da cimeira de Ancara. Enquanto Rutte tenta apaziguar Trump ao destacar o enorme apoio logístico a partir de bases italianas —500 surtidas dos EUA para a campanha no Irão—, Berlim acolhe uma reunião do E5 para forjar uma posição comum de defesa. O clima é de pragmatismo ansioso, temendo uma fratura transatlântica sobre a partilha de encargos e a guerra no Irão.
A NATO enfrenta uma pressão crescente à medida que Trump classifica a aliança como 'tigre de papel' e o Pentágono revê os níveis de tropas na Europa. A visita de Rutte à Casa Branca é vista como uma missão de controlo de danos, num contexto de frustração com o apoio limitado dos aliados às operações dos EUA no Irão e no Estreito de Ormuz. A narrativa sublinha um fosso de credibilidade cada vez maior dentro da aliança.
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