
Médico saudita condenado à prisão perpétua por ataque mortal em mercado de Natal alemão
Taleb al-Abdulmohsen, psiquiatra de 51 anos, recebeu a pena máxima pelo atropelamento em massa que matou seis pessoas e feriu mais de 300 em Magdeburgo, num caso que expôs falhas de segurança e reacendeu o debate sobre imigração.
O tribunal de Magdeburgo, no leste da Alemanha, condenou nesta sexta-feira o médico saudita Taleb al-Abdulmohsen a prisão perpétua, com agravante de culpa particularmente grave, pelo ataque de 20 de dezembro de 2024 ao mercado de Natal da cidade. A sentença, ainda recorrível, impede na prática a libertação condicional após 15 anos, habitual no sistema penal alemão, e reserva a possibilidade de uma detenção de segurança preventiva a ser reavaliada no fim do cumprimento da pena. O arguido, de 51 anos, foi considerado culpado de seis homicídios e de centenas de tentativas de homicídio, depois de ter lançado um BMW X3 alugado contra a multidão a 48 km/h, matando um menino de nove anos e cinco mulheres, e ferindo mais de 300 pessoas.
De acordo com a acusação, o ataque foi planeado ao longo de várias semanas e executado sem cúmplices, motivado sobretudo por frustrações pessoais — incluindo uma disputa judicial perdida contra uma organização de ajuda a refugiados e a insatisfação com queixas-crime arquivadas. Peritos psiquiátricos diagnosticaram-lhe uma perturbação narcísica da personalidade e uma necessidade extrema de atenção, mas consideraram-no penalmente imputável. Durante o julgamento, que decorreu num edifício temporário construído para o efeito, o arguido fez declarações confusas, aderiu a teorias da conspiração e não demonstrou arrependimento, tendo chegado a fazer greve de fome. A defesa contestou apenas a aplicação da detenção de segurança, sem negar a autoria material.
O perfil do agressor — um ex-muçulmano, crítico do Islão e simpatizante da extrema-direita alemã, que se apresentava como ativista pelos direitos das mulheres sauditas — foi classificado pelas autoridades como “atípico” para este tipo de atentados, distinguindo-o do ataque islamita ao mercado de Natal de Berlim em 2016. O ataque coincidiu com a campanha eleitoral e, segundo analistas políticos, intensificou o debate sobre imigração na Alemanha. Uma comissão parlamentar da Saxónia-Anhalt concluiu que a administração municipal e os organizadores do mercado adotaram uma postura de contenção de custos na segurança, mantendo acessos abertos, e que as várias agências que lidaram com o arguido ao longo dos anos não partilharam informações, apesar de a Arábia Saudita ter emitido um alerta vago sobre ele em 2023.
A sentença ainda pode ser objeto de recurso para instâncias superiores, mas a moldura penal aplicada reduz significativamente as hipóteses de o condenado voltar à liberdade. O tribunal reservou a decisão sobre a detenção de segurança para o termo do cumprimento da pena, o que, segundo observadores em Berlim, reflete a elevada perigosidade atribuída ao arguido. O processo continuará a ser acompanhado de perto pelas mais de 200 vítimas que se constituíram assistentes, enquanto o parlamento regional aprofunda a investigação às falhas que permitiram o ataque.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um médico de origem saudita que defendia teorias da conspiração anti-islâmicas e de extrema-direita foi condenado a prisão perpétua pelo ataque ao mercado de Natal de Magdeburgo em 2024. O tribunal aplicou a pena máxima, citando a gravidade especial do crime, e rejeitou que o seu transtorno de personalidade narcisista diminuísse a sua responsabilidade. O veredicto sublinha que a ideologia extremista do agressor não atenua o horror dos seis homicídios e centenas de feridos.
Um psiquiatra saudita foi condenado a prisão perpétua por ter atirado um carro alugado contra a multidão no mercado de Natal de Magdeburgo, matando seis pessoas e ferindo centenas. O caso intensificou os debates sobre imigração na Alemanha antes das eleições federais de 2025. O tribunal deu a pena máxima para o ataque, que durou pouco mais de um minuto.
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