
Ofensiva global pela segurança digital infantil acelera com remoção de milhões de contas e novas regras
Indonésia, Austrália, Brasil e União Europeia impõem obrigações a plataformas, enquanto 4,7 milhões de perfis de crianças são desativados e a Justiça brasileira define critérios para monetização de menores.
A regulação da presença de crianças e adolescentes em ambientes digitais ganhou contornos concretos em várias regiões do mundo nos últimos dias, com a desativação de milhões de contas, a imposição de novos deveres a motores de busca e a fixação de parâmetros judiciais para a atividade de menores nas redes. Na Indonésia, o Ministério da Comunicação e Digital anunciou que 200 plataformas — entre elas TikTok, YouTube, Shopee e ChatGPT — entregaram relatórios de autoavaliação de risco exigidos pelo Regulamento Governamental n.º 17/2025, conhecido como PP Tunas. Como consequência imediata, o TikTok desativou 4,1 milhões de contas de crianças até junho e o YouTube removeu outras 600 mil em maio, totalizando 4,7 milhões de perfis encerrados, segundo dados oficiais. O governo de Jacarta adota uma abordagem baseada em risco e promete divulgar publicamente o perfil de ameaça de cada plataforma após a verificação dos documentos, enquanto pressiona as empresas que ainda não cumpriram a norma.
Na Austrália, a partir deste sábado, motores de busca como Google e Bing passam a ser obrigados a determinar a idade dos utilizadores e a filtrar ou desfocar imagens pornográficas e de violência extrema para menores de 18 anos, no âmbito dos códigos de segurança online supervisionados pela eSafety Commissioner. A infração sistemática pode gerar multas de até 49,5 milhões de dólares australianos. A medida integra um calendário escalonado que já bloqueou o acesso de menores de 16 anos a redes sociais desde dezembro e exige verificação de idade em sites pornográficos desde março. O primeiro-ministro Anthony Albanese afirmou que o governo vai “testar a resistência” da lei, inclusive diante de contestações judiciais como a que a plataforma Reddit move no Tribunal Superior. Estudos citados no debate australiano indicam que, três meses após a entrada em vigor da proibição, 85% dos adolescentes entre 12 e 15 anos continuavam a usar redes sociais, frequentemente declarando uma idade superior à real.
No Brasil, o Conselho Nacional de Justiça aprovou uma resolução que uniformiza os critérios para que juízes autorizem a participação de crianças e adolescentes em conteúdos digitais com potencial de monetização. A norma, que regulamenta o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, determina que os pedidos de alvará judicial sejam analisados caso a caso, considerando frequência de exposição, impacto na rotina escolar, na saúde mental e a existência de contratos publicitários. Especialistas ouvidos em Brasília avaliam que a medida reconhece uma realidade já consolidada — a de menores que atuam como influenciadores — e amplia a responsabilidade para além das famílias, alcançando plataformas, anunciantes e agências. A resolução proíbe, por exemplo, que crianças façam publicidade para outras crianças ou para jogos de azar, e exige que as plataformas verifiquem a existência de autorização judicial.
Na União Europeia, o Parlamento Europeu instou a Comissão a agir de imediato com base na Lei dos Serviços Digitais (DSA) para limitar o acesso de menores às redes sociais, fixando os 16 anos como idade mínima de referência. Eurodeputados de diferentes grupos políticos descreveram a situação como uma “pandemia” de saúde mental e defenderam que a inação deixou de ser uma opção. A Comissão, contudo, prefere aguardar as recomendações de um painel de peritos que serão entregues a 13 de julho, para só depois decidir se apresenta uma proposta legislativa, o que, segundo observadores em Bruxelas, adiaria qualquer nova norma para o final do ano. Enquanto isso, Estados-membros como França e Espanha anunciaram iniciativas próprias, mas foram advertidos de que apenas Bruxelas pode impor obrigações adicionais às plataformas ao abrigo da DSA. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descartou uma proibição etária, posição partilhada por alguns eurodeputados que defendem uma terceira via centrada na corresponsabilidade entre plataformas, famílias e educadores. O dossiê europeu permanece, assim, em compasso de espera até ao verão, enquanto a Austrália se prepara para novos testes de enforcement e a Indonésia conclui a avaliação dos relatórios de risco.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O novo regulamento de proteção infantil da Indonésia levou 200 plataformas digitais a apresentarem autoavaliações de seu perfil de risco, enquanto 4,7 milhões de contas de menores foram desativadas, principalmente do TikTok e YouTube. A Austrália também estuda maneiras de fortalecer a proibição de redes sociais para adolescentes, com o primeiro-ministro enfatizando a necessidade de uma aplicação juridicamente robusta.
Os mecanismos de busca agora devem implementar medidas razoáveis de verificação de idade para evitar que crianças encontrem conteúdo prejudicial, ou enfrentar multas de até 50 milhões de dólares por violação, de acordo com os novos códigos de segurança online da Austrália. As regras, que se seguem à proibição de redes sociais para menores de 16 anos, representam um avanço regulatório inédito no mundo para responsabilizar as gigantes da tecnologia pela proteção infantil.
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