
Era digital impulsiona critérios mensuráveis para seleção de líderes e gestão de pessoas
Empresas na Ásia, América Latina e Europa adotam dados e tecnologia para decisões de talento, enquanto visão crítica questiona métricas de produtividade.
A transformação digital está a alterar a forma como as organizações identificam e preparam os seus líderes, com uma mudança de critérios subjetivos para abordagens baseadas em dados. Na Indonésia, o KTM Growth Forum, em Jacarta, reuniu líderes empresariais e profissionais de recursos humanos para discutir o “pipeline de liderança”. Executivos presentes defenderam que as decisões de promoção e sucessão devem ser apoiadas por avaliações objetivas de competências e potencial, e não apenas pela experiência passada, refletindo uma tendência mais ampla de integrar a análise de dados na estratégia de talentos para reduzir o risco de escolhas inadequadas.
No Brasil, a plataforma Mydhas, desenvolvida pela Dimastec, exemplifica a aplicação de tecnologia para uma gestão de pessoas mais analítica. A ferramenta integra funcionalidades de controlo de jornada, people analytics e comunicação móvel, permitindo que gestores e RH acompanhem em tempo real indicadores de produtividade, absentismo e engajamento. A visão defendida pela empresa é a de que a transparência e a agilidade nos processos internos fortalecem a cultura organizacional e a confiança dos colaboradores, transformando o registo de ponto num ponto de partida para decisões estratégicas.
No México, a Ricoh Mexicana acelerou a sua aposta no comércio eletrónico empresarial e em espaços de trabalho inteligentes, respondendo a uma procura por imediatismo e personalização. A diretora de marketing, Yadira Palmas Galindo, observou que os compradores corporativos, influenciados por uma nova geração de decisores digitais, estão dispostos a concretizar transações de alto valor online, o que levou a empresa a adaptar a sua logística e canais de venda. Este caso ilustra como a digitalização dos processos de aquisição está a redefinir as relações B2B.
Em contraponto, uma análise publicada na imprensa italiana alerta para o risco de o conceito de produtividade ser reduzido a um mecanismo de contenção de custos e compressão salarial. Recuperando a tradição dos economistas clássicos, o texto sugere que, em contextos de fraca dinâmica da procura, o apelo à produtividade pode servir para legitimar a redução de direitos laborais, em vez de refletir uma verdadeira inovação. Esta perspetiva introduz um debate sobre os limites éticos da métrica.
O panorama global revela, assim, uma tensão entre a procura de eficiência operacional e a necessidade de preservar a dimensão humana nas organizações. Enquanto empresas na Ásia e nas Américas aceleram a adoção de ferramentas digitais para decisões de liderança e gestão, a reflexão europeia recorda que a produtividade não pode ser dissociada da qualidade do emprego. O próximo passo será observar como os quadros regulatórios e as práticas de governança corporativa irão equilibrar estas forças.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A transformação digital leva as empresas a selecionar líderes com base em dados mensuráveis e a repensar a produtividade como um equilíbrio entre automação e humanidade. A eficiência não deve reduzir os colaboradores a números, mas sim fortalecer a transparência, o engajamento e a parceria contínua com os clientes.
O atual apelo à produtividade mascara um mecanismo de exploração: quando a inovação estagna, a eficiência torna-se uma ferramenta para comprimir salários e direitos. Passámos de um progresso técnico que transformava a economia para uma procura obsessiva de lucro que esvazia o trabalho da sua alma.
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