
Machado tenta regressar à Venezuela após sismos, mas enfrenta bloqueio aéreo e resistência de Washington
Líder opositora acusa Caracas de fechar espaço aéreo para impedir seu retorno, enquanto EUA temem desestabilização em meio à crise humanitária.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, tentou regressar ao país na última semana após os dois sismos que causaram mais de 1.700 mortos, mas viu o seu plano frustrado pelo encerramento do espaço aéreo comercial e pela relutância do governo norte-americano em apoiar a operação. Machado, que se encontra no Panamá, acusa o executivo de Delcy Rodríguez de ter fechado o espaço aéreo para a impedir de entrar e de ameaçar quem facilite o seu regresso. Fontes da Casa Branca citadas pela imprensa internacional confirmaram que a opositora solicitou assistência logística e garantias de segurança, mas recebeu a indicação de que viajaria por conta e risco próprios, sem respaldo oficial de Washington.
Na perspetiva de Washington, um regresso imediato de Machado é visto como uma manobra política que poderia desviar a atenção dos esforços de resgate e acentuar a polarização num momento de emergência nacional. O secretário de Estado, Marco Rubio, e outros funcionários defendem que o retorno deve ocorrer apenas após um entendimento com o governo de Caracas, no quadro do plano de três fases — estabilização, recuperação e transição política — que os EUA promovem desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro. A administração Trump, segundo analistas em Washington, está confortável com a postura pragmática de Rodríguez, que tem flexibilizado o acesso a setores como petróleo, gás e mineração, e receia que a presença da opositora force uma escolha entre a unidade nacional e o endurecimento do controlo político.
Do lado de Caracas, o governo não se pronunciou oficialmente sobre as acusações de Machado, mas a autoridade aeronáutica emitiu um aviso à navegação aérea que restringe as operações internacionais até 7 de julho, permitindo apenas voos humanitários. A opositora denuncia ainda o bloqueio à entrada de equipas de resgate estrangeiras e a limitação do trabalho da imprensa, que, na sua leitura, visa “enterrar a verdade”. Observadores na América Latina notam que a crise sísmica coloca Rodríguez perante um dilema: acolher a rival política como gesto de abertura ou reforçar o controlo interno, num momento em que a sua taxa de desaprovação subiu para 59%, segundo sondagens recentes.
O contexto imediato é o duplo terramoto de 24 de junho, que devastou sobretudo o estado de La Guaira e a capital, Caracas, deixando mais de 5.000 feridos e até 50.000 desaparecidos, segundo estimativas das Nações Unidas. Machado abandonou a Venezuela clandestinamente em dezembro para receber o Prémio Nobel da Paz na Noruega, depois de ter sido inabilitada para concorrer às presidenciais de 2024, cujo resultado a oposição contesta. A sua tentativa de regresso ocorre num quadro de transição apoiada por Washington, que mantém Maduro detido em Nova Iorque e negoceia com o governo interino a exploração de recursos naturais. Até ao momento, Machado reitera a intenção de voltar “muito em breve”, enquanto os esforços de resgate prosseguem com equipas de 27 países e a comunidade internacional acompanha a evolução política em Caracas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A líder da oposição venezuelana Machado planeja retornar ao país atingido pelos terremotos, mas acusa o governo de fechar o espaço aéreo para bloqueá-la. Sua volta pode remodelar o cenário político enquanto a presidente Rodríguez lida com o pior desastre natural em décadas.
A líder democrática Machado denuncia o regime de Delcy Rodríguez por fechar o espaço aéreo e bloquear seu retorno enquanto o povo sofre sob os escombros. Ela jurou fazer o que for preciso para abraçar os venezuelanos neste momento dilacerante, transformando a obstrução do governo em arma política contra seus próprios cidadãos.
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