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Geopolítica & Políticasegunda-feira, 29 de junho de 2026

Bukele formaliza pré-candidatura a terceiro mandato e pode ficar no poder até 2033

Presidente salvadorenho inscreve-se em primárias do partido governista após reforma que instituiu a reeleição indefinida; eleições gerais foram antecipadas para fevereiro de 2027.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, inscreveu a sua pré-candidatura a um terceiro mandato consecutivo, num movimento que, se confirmado nas urnas, o manterá no poder até 31 de maio de 2033. O registo foi anunciado no domingo pelo partido Nuevas Ideas, que controla a Assembleia Legislativa, e ocorre depois de uma reforma constitucional aprovada em julho de 2025 ter eliminado a proibição de reeleições sucessivas e alargado o período presidencial de cinco para seis anos. O atual vice-presidente, Félix Ulloa, também formalizou a sua recandidatura, e ambos deverão participar sem adversários nas primárias internas de 12 de julho.

Na perspetiva do governo salvadorenho, a continuidade de Bukele é justificada pelos elevados índices de aprovação popular — superiores a 80%, segundo sondagens recentes —, ancorados na drástica redução dos homicídios, que caíram mais de 90% desde a imposição do regime de exceção em 2022. O partido governista descreve o processo como a concretização de um 'projeto de transformação' do país. Em contrapartida, organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e setores da oposição salvadorenha apontam que a reforma constitucional foi aprovada num único dia, sem debate prévio, e que a concentração de poderes no Executivo, aliada à reeleição indefinida, enfraquece os mecanismos de equilíbrio institucional. Relatórios de entidades como a Human Rights Watch têm documentado violações de direitos civis no âmbito da política de segurança.

Observadores em Lisboa e em Brasília notam que o caso salvadorenho ecoa debates sensíveis nas respetivas regiões. Em Portugal, a memória do regime autoritário do Estado Novo torna a reeleição presidencial ilimitada um tema particularmente vigiado pela sociedade civil. No Brasil, onde a reeleição consecutiva é permitida apenas uma vez, a alteração das regras a meio de um mandato é vista por constitucionalistas como um precedente que fragiliza a previsibilidade democrática. Em países africanos de língua oficial portuguesa, como Angola e Moçambique, tentativas recentes de prolongar mandatos presidenciais geraram tensões políticas, o que confere ao desfecho salvadorenho um valor de referência para os debates sobre limites de poder na comunidade lusófona.

Com as eleições gerais antecipadas para 28 de fevereiro de 2027 e a eliminação da segunda volta, o calendário eleitoral favorece a confirmação de Bukele, que não enfrenta concorrência interna significativa. Apesar da popularidade assente na segurança, analistas económicos centro-americanos alertam para um mal-estar crescente da população face à situação económica, que poderá tornar-se o principal desafio do próximo mandato. A Organização dos Estados Americanos e a União Europeia deverão acompanhar o processo, embora não tenham ainda anunciado missões de observação específicas para as primárias de julho.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bukele formaliza pré-candidatura a terceiro mandato e pode ficar no poder até 2033

Presidente salvadorenho inscreve-se em primárias do partido governista após reforma que instituiu a reeleição indefinida; eleições gerais foram antecipadas para fevereiro de 2027.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, inscreveu a sua pré-candidatura a um terceiro mandato consecutivo, num movimento que, se confirmado nas urnas, o manterá no poder até 31 de maio de 2033. O registo foi anunciado no domingo pelo partido Nuevas Ideas, que controla a Assembleia Legislativa, e ocorre depois de uma reforma constitucional aprovada em julho de 2025 ter eliminado a proibição de reeleições sucessivas e alargado o período presidencial de cinco para seis anos. O atual vice-presidente, Félix Ulloa, também formalizou a sua recandidatura, e ambos deverão participar sem adversários nas primárias internas de 12 de julho.

Na perspetiva do governo salvadorenho, a continuidade de Bukele é justificada pelos elevados índices de aprovação popular — superiores a 80%, segundo sondagens recentes —, ancorados na drástica redução dos homicídios, que caíram mais de 90% desde a imposição do regime de exceção em 2022. O partido governista descreve o processo como a concretização de um 'projeto de transformação' do país. Em contrapartida, organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e setores da oposição salvadorenha apontam que a reforma constitucional foi aprovada num único dia, sem debate prévio, e que a concentração de poderes no Executivo, aliada à reeleição indefinida, enfraquece os mecanismos de equilíbrio institucional. Relatórios de entidades como a Human Rights Watch têm documentado violações de direitos civis no âmbito da política de segurança.

Observadores em Lisboa e em Brasília notam que o caso salvadorenho ecoa debates sensíveis nas respetivas regiões. Em Portugal, a memória do regime autoritário do Estado Novo torna a reeleição presidencial ilimitada um tema particularmente vigiado pela sociedade civil. No Brasil, onde a reeleição consecutiva é permitida apenas uma vez, a alteração das regras a meio de um mandato é vista por constitucionalistas como um precedente que fragiliza a previsibilidade democrática. Em países africanos de língua oficial portuguesa, como Angola e Moçambique, tentativas recentes de prolongar mandatos presidenciais geraram tensões políticas, o que confere ao desfecho salvadorenho um valor de referência para os debates sobre limites de poder na comunidade lusófona.

Com as eleições gerais antecipadas para 28 de fevereiro de 2027 e a eliminação da segunda volta, o calendário eleitoral favorece a confirmação de Bukele, que não enfrenta concorrência interna significativa. Apesar da popularidade assente na segurança, analistas económicos centro-americanos alertam para um mal-estar crescente da população face à situação económica, que poderá tornar-se o principal desafio do próximo mandato. A Organização dos Estados Americanos e a União Europeia deverão acompanhar o processo, embora não tenham ainda anunciado missões de observação específicas para as primárias de julho.

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