
Ondas de calor de maio e junho causaram 2.700 mortes adicionais em Inglaterra e Gales, estima estudo
Investigadores atribuem 40% dos óbitos ao aquecimento global, enquanto dados europeus apontam para mais de 10 mil mortes em excesso na última semana de junho.
As ondas de calor recorde que atingiram o Reino Unido em maio e junho provocaram um excesso estimado de 2.700 mortes em Inglaterra e no País de Gales, segundo um estudo de modelação estatística divulgado esta semana. A investigação, conduzida por equipas do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, baseou-se em registos históricos de mortalidade de cerca de 35 mil microrregiões para calcular o risco acrescido de morte por calor extremo. Os resultados indicam que, dos 550 óbitos adicionais estimados entre 21 e 29 de maio, cerca de 60% não teriam ocorrido sem as alterações climáticas de origem humana; já na vaga de 18 a 28 de junho, que totalizou perto de 2.200 mortes, a fração atribuível ao aquecimento global foi de 40%.
A dimensão do impacto na saúde pública é reforçada pelos dados da rede EuroMOMO, apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e pela Organização Mundial da Saúde. Na semana de 22 a 28 de junho, quando o calor atingiu o pico em França, Espanha e no Reino Unido, registaram-se mais de 10.650 mortes em excesso nos 27 países monitorizados, das quais mais de 9.000 entre pessoas com 65 anos ou mais. A Bélgica e a França foram os únicos Estados-membros a assinalar uma mortalidade “muito elevada” nesse período, com o instituto de saúde pública belga Sciensano a reportar o valor mais alto de sempre durante uma onda de calor desde 2000. Os cientistas envolvidos sublinham que não houve outros fatores relevantes, como surtos de Covid-19, que expliquem a subida.
A análise de atribuição climática indica que as temperaturas máximas diurnas foram 3 a 4 graus Celsius superiores ao que teriam sido sem o aquecimento global, e que vagas de calor desta intensidade seriam “virtualmente impossíveis” sem a influência humana. O calor extremo agrava doenças cardiovasculares e respiratórias e provoca golpes de calor, sendo os idosos e as crianças os grupos mais vulneráveis. Na perspetiva de Lisboa, onde as ondas de calor são um risco sazonal conhecido, o episódio sublinha a necessidade de planos de contingência também nos países do sul da Europa, que já enfrentam temperaturas elevadas com regularidade.
O Reino Unido, que vive agora a terceira vaga de calor do ano, com termómetros acima dos 34 graus, bateu o recorde de dias com máximas iguais ou superiores a esse valor num só ano civil. O Comité das Alterações Climáticas britânico já alertara que 92% das habitações poderão ser demasiado quentes em 2050 e recomendara a fixação de limites máximos de temperatura nos locais de trabalho e o investimento em ar condicionado em edifícios públicos. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) deverá publicar nas próximas semanas a sua estimativa oficial de mortes relacionadas com o calor, com base nos registos de óbito, o que permitirá aferir a precisão dos modelos agora divulgados.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
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| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
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O Reino Unido está experimentando ondas de calor históricas que já mataram milhares; as mudanças climáticas são uma causa direta, e devemos nos adaptar agora para evitar mais perdas de vidas.
Ao vincular o número de mortes diretamente às mudanças climáticas por meio de estudos de atribuição e combiná-lo com conselhos de segurança acionáveis, a narrativa cria um senso de responsabilidade urgente e baseada em evidências que obriga a ação individual e governamental.
O bloco atlântico omite o número europeu de mais de 10.000 mortes em excesso, concentrando-se apenas nos dados do Reino Unido, o que minimiza a escala continental da crise e a vulnerabilidade compartilhada em toda a Europa.
O Reino Unido está sob ameaça excepcional de incêndios florestais; a onda de calor é um perigo natural que requer preparação e monitoramento.
Ao destacar o índice de risco de incêndio e a expansão das zonas de perigo, a narrativa enquadra a onda de calor principalmente como uma questão de gestão de incêndios, desviando a atenção do número de mortes humanas e da atribuição às mudanças climáticas.
O bloco chinês omite qualquer menção às mortes em excesso na Europa ou no Reino Unido, concentrando-se apenas no risco de incêndios, o que minimiza o custo humano direto da onda de calor.
A Europa enfrenta ondas de calor sem precedentes que causam milhares de mortes em excesso, especialmente entre os idosos; esta é uma crise de saúde pública continental que exige atenção.
Ao agregar dados de vários países e citar uma rede de monitoramento europeia, a narrativa estabelece a onda de calor como uma emergência sistêmica transfronteiriça, conferindo credibilidade por meio de fontes institucionais.
A Europa está experimentando uma onda de calor mortal; os dados mostram um claro excesso de mortalidade, especialmente entre os idosos, exigindo vigilância em saúde pública.
Ao confiar em dados oficiais do EuroMOMO e citar um médico-chefe, a narrativa constrói credibilidade por meio de autoridade institucional e evidências estatísticas, evitando sensacionalismo.
O bloco árabe levante-Magrebe omite o número de mortes específico do Reino Unido e a atribuição às mudanças climáticas, concentrando-se apenas no agregado europeu, o que pode obscurecer variações nacionais e o papel das mudanças climáticas.
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