
EUA intensificam ataques ao Irão e Teerão anuncia fecho do Estreito de Ormuz
A nova ofensiva americana levou Teerão a retaliar contra bases dos EUA no Golfo e a fechar o Estreito de Ormuz, ameaçando o cessar-fogo provisório.
As forças dos Estados Unidos lançaram no domingo uma nova vaga de ataques contra o Irão, visando sistemas de defesa aérea, instalações de mísseis e drones, bem como embarcações da Guarda Revolucionária, segundo o Comando Central norte-americano (CENTCOM). A operação, ordenada pelo Presidente Donald Trump, teve como objetivo declarado degradar a capacidade iraniana de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o encerramento do estreito “até novo aviso” e lançou ataques com mísseis e drones contra bases militares dos EUA e países aliados no Golfo, incluindo o Kuwait, o Barém, o Qatar, a Jordânia e Omã. Os bombardeamentos causaram pelo menos duas mortes no Irão — um técnico de telecomunicações na ilha de Farur e um soldado em Jask — e deixaram três civis feridos no Qatar, além de danos em postos fronteiriços e numa plataforma petrolífera kuwaitiana.
Washington sustenta que o estreito permanece aberto ao tráfego internacional e que o Irão não controla a via marítima. O CENTCOM afirmou que as forças norte-americanas estão posicionadas para garantir a liberdade de navegação e que o fluxo de navios continua, ainda que em níveis reduzidos. Teerão, por sua vez, insiste que o encerramento é uma resposta à presença militar ilegal dos EUA e que a reabertura só ocorrerá com o fim das intervenções americanas na região. O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que “a era dos acordos unilaterais acabou”. Os países do Golfo afetados condenaram os ataques; Omã convocou o embaixador iraniano para protestar formalmente, um gesto diplomático raro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para “consequências catastróficas” de um regresso às hostilidades em larga escala, enquanto o Paquistão, mediador no conflito, apelou à desescalada.
A escalada tem repercussões imediatas nos mercados energéticos. O preço do petróleo subiu mais de 3,5% na abertura das bolsas asiáticas, com o barril de referência WTI a ultrapassar os 74 dólares, refletindo o receio de disrupções no fornecimento através do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundiais. Para países importadores como o Brasil e Portugal, a instabilidade acrescenta pressão sobre os preços dos combustíveis e o risco inflacionário. A violência põe em causa o acordo de cessar-fogo provisório assinado a 17 de junho, que previa 60 dias de tréguas e negociações para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Com o prazo a meio, o processo diplomático enfrenta o seu momento mais crítico.
O controlo do Estreito de Ormuz tornou-se o ponto central do confronto. Antes do conflito, a passagem era livre, mas o Irão passou a exigir que os navios utilizem um corredor autorizado sob sua supervisão, rejeitando o regime de livre trânsito. O mais recente ciclo de violência foi desencadeado por um ataque iraniano ao navio porta-contentores GFS Galaxy, de bandeira cipriota, que ficou em chamas e foi abandonado; um tripulante indiano está desaparecido. Os EUA responderam com ataques a mais de 300 alvos em três noites, e o Irão retaliou contra ativos norte-americanos na região. Os esforços de mediação, liderados por Omã e pelo Paquistão, prosseguem, mas a distância entre as partes permanece. A ONU apelou à retoma urgente das negociações, sem que novas conversações tenham sido agendadas. O dossier mantém-se em aberto, com ambos os lados a sinalizar disponibilidade para novas ações militares.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.40 | critical |
O Irã fecha o estreito em legítima defesa após os bombardeios dos EUA, e a trégua está em risco devido à agressão americana.
A sequência de eventos é apresentada como uma reação defensiva do Irã aos ataques dos EUA, minimizando o ataque inicial iraniano a um navio porta-contêineres como gatilho.
O Estreito de Ormuz permanece aberto ao comércio internacional; os Estados Unidos garantem a liberdade de navegação e responsabilizam o Irã por seus ataques.
A declaração unilateral dos EUA sobre o status do estreito é apresentada como um fato objetivo, enquanto a alegação iraniana de fechamento é tratada como uma mera afirmação sem peso igual.
Os Estados Unidos bombardeiam o Irã sem justificativa, provocando uma escalada perigosa. As ações do Irã são uma resposta legítima à agressão americana.
A narrativa omite o ataque inicial do Irã a um navio porta-contêineres no Estreito de Ormuz, que desencadeou os ataques dos EUA, apresentando assim os EUA como o único agressor.
Omite que o Irã atacou um navio porta-contêineres no Estreito de Ormuz, o que desencadeou os ataques dos EUA.
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