
África do Sul deporta 53 mil; Espanha e EUA adotam vias opostas na gestão migratória
Enquanto Pretória acelera expulsões após protestos, Madrid regulariza 1,2 milhão e Washington transfere iranianos para a África Central, revelando tensões globais.
O governo da África do Sul anunciou que, desde o lançamento de uma campanha de “gestão migratória” há cinco semanas, 53.499 cidadãos estrangeiros foram processados para deportação ou repatriação voluntária, a maioria oriunda do Maláui, Zimbabué e Moçambique. O número, divulgado pela ministra da Justiça, Mmamoloko Kubayi, em 13 de julho, representa mais do dobro dos cerca de 25 mil migrantes que haviam deixado o país antes dos protestos anti-imigração de 30 de junho, que exigiram o controlo mais rígido das fronteiras e a expulsão em massa de indocumentados.
A operação ocorre num contexto de forte pressão interna. Grupos de manifestantes acusam os migrantes de agravarem o desemprego, a criminalidade e a degradação dos serviços públicos, e chegaram a fixar um “prazo não oficial” para a saída de todos os estrangeiros em situação irregular. O Presidente Cyril Ramaphosa reconheceu as preocupações da população, mas condenou os ataques a estrangeiros e alertou contra a justiça pelas próprias mãos. As Nações Unidas advertiram contra o uso de migrantes como bodes expiatórios para os desafios socioeconómicos do país. Organizações da sociedade civil sul-africana, por sua vez, denunciaram rusgas domiciliárias ilegais conduzidas por grupos de vigilantes, enquanto o governo insiste que as ações respeitam os direitos humanos e a dignidade de todos, independentemente do estatuto migratório.
A estratégia de Pretória contrasta com a via adotada por Espanha, onde um processo de regularização extraordinário recebeu 1,2 milhões de pedidos e já resultou em 160 mil novas inscrições na Segurança Social. No entanto, segundo analistas do mercado laboral citados pelo diário El Mundo, o afloramento de emprego informal também terá levado cerca de 20 mil imigrantes recém-regularizados a inscreverem-se no serviço público de emprego, um efeito que o Ministério do Trabalho espanhol considera “insignificante”. Para países lusófonos como Moçambique, de onde provém uma parte significativa dos deportados da África do Sul, a situação gera preocupações diplomáticas e consulares, enquanto em Lisboa a experiência espanhola é acompanhada com atenção, dado o fluxo migratório na Península Ibérica e os debates sobre vias de regularização.
Noutro continente, os Estados Unidos executam uma política de externalização do controlo migratório. Uma cidadã iraniana foi incluída num grupo de deportados para a República Centro-Africana, ao abrigo de um acordo com países terceiros, mas duas outras iranianas obtiveram ordens judiciais temporárias para suspender a transferência. Os seus advogados argumentam que o regresso ao Irão representaria risco de perseguição política ou religiosa, e que o envio para um país africano serve para contornar as proteções legais dos requerentes de asilo. O caso, acompanhado pelo Fundo de Defesa Legal Iraniano-Americano, insere-se numa tendência mais ampla de recurso a acordos de “país terceiro seguro”, criticada por organizações de direitos humanos. Na África do Sul, as deportações prosseguem e os ativistas anti-imigração ameaçam com protestos semanais, enquanto o governo conclui a construção de um segundo centro de detenção temporária em Durban. O dossiê permanece em aberto, com implicações para as relações regionais e para o debate global sobre migração.
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.10 | neutral |
The South African government violates immigrants' rights with illegal inspections.
By emphasizing civil organizations' warnings and using the term 'illegal' to describe inspections, the bloc builds a frame of abuse of power.
It does not mention the anti-immigrant protests that preceded the campaign, nor the violence and looting that pushed the government to act.
The South African government responds to protests with one of the biggest crackdowns on undocumented migrants, while protesters demand tighter controls.
By presenting the campaign as a 'crackdown' and linking it directly to violent protests, the bloc normalizes government action as a response to a social crisis.
It does not report the warnings from civil organizations about illegal inspections, which would question the legality of the operation.
South African authorities expel tens of thousands of foreigners, but warn private security groups against carrying out illegal inspections.
By separating legitimate government action from illegal vigilante activities, the bloc legitimizes deportation while condemning excesses.
It does not mention the anti-immigrant protests or the violence that preceded the campaign, omitting the social context that pushed the government.
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