
H5N1 chega à Austrália continental e expõe fragilidades na biossegurança agrícola
A deteção do vírus em aves selvagens põe fim ao estatuto de último continente livre da estirpe e desencadeia restrições comerciais, enquanto outros riscos sanitários mobilizam o país.
A confirmação de casos de gripe aviária H5N1 em aves marinhas migratórias na Austrália Ocidental e na Austrália Meridional, na última semana, alterou o estatuto do país como único continente sem a estirpe altamente patogénica. A deteção levou a uma suspensão temporária das importações de carne de frango e ovos australianos pela Papua-Nova Guiné, o principal comprador externo, embora a restrição tenha sido revertida após garantias de que não há infeção em explorações avícolas. As autoridades australianas intensificaram a vigilância, com testes a dezenas de aves encontradas mortas ou doentes e a monitorização de colónias de leões-marinhos.
As análises genómicas indicam que a origem provável da infeção são os territórios subantárticos australianos, onde milhares de crias de elefante-marinho e pinguins-rei morreram devido ao vírus ao longo de 2025 e 2026. Até ao momento, não há evidência de propagação a aves nativas ou a sistemas de produção, mas conservacionistas alertam para o risco elevado que mamíferos marinhos e marsupiais necrófagos, como o diabo-da-tasmânia, correm caso a doença se estabeleça. A baixa diversidade genética destas espécies, já pressionadas por outras ameaças, é apontada como fator de vulnerabilidade.
Paralelamente, a biossegurança australiana enfrenta uma alegada entrada ilegal de amendoim cru importado da China e do Brasil, que estaria a ser vendido sem o processamento fitossanitário obrigatório. O setor, liderado pelo maior processador nacional, teme a introdução da doença fúngica conhecida como carvão-do-amendoim, capaz de inviabilizar a produção. O Departamento de Agricultura confirmou que investiga o caso e que aplicará sanções severas, que podem chegar a 8,25 milhões de dólares australianos para empresas.
Noutra frente, a autoridade reguladora de pesticidas (APVMA) decidiu não proibir o herbicida paraquat, associado a estudos sobre o risco de Parkinson, optando por restringir a dose máxima e exigir equipamentos de proteção. A decisão contrasta com a proibição adotada por mais de 70 países, incluindo o Brasil desde 2020, e foi criticada por associações de doentes. Na Índia, produtores de areca enfrentam pressões semelhantes de doenças fúngicas e aumento do custo de fungicidas à base de cobre, pedindo ao governo que eleve o preço mínimo de importação e subsidie alternativas.
Os próximos passos incluem a confirmação laboratorial de casos suspeitos adicionais de gripe aviária, a conclusão das investigações sobre o amendoim importado e a implementação faseada das novas regras para o paraquat. A capacidade de resposta coordenada entre os estados e o governo federal australiano será testada à medida que a época de migração de aves continua.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Austrália enfrenta uma crise de biossegurança cada vez maior, com a letal estirpe H5N1 da gripe aviária a espalhar-se para um segundo estado, tendo sido encontradas aves marinhas infetadas a mais de 1.200 km do foco inicial. As autoridades estão também a investigar importações ilegais de amendoins e aprovaram um herbicida controverso, alimentando receios de falhas sistémicas na quarentena. Agricultores e conservacionistas estão em alerta máximo, avisando que os mamíferos nativos podem estar em risco grave.
Os produtores indianos de noz de areca estão sob forte pressão, uma vez que o governo mantém um preço mínimo de importação de 351 rupias por kg, enquanto os custos de produção dispararam para 450 rupias, levando a exigências de um aumento imediato para 451 rupias. A crise agravou-se depois de a FDA do Maharashtra ter apreendido mais de 50 camiões de noz de areca provenientes de Karnataka, classificando erradamente o revestimento tradicional 'chogaru' como aditivo químico e as nozes descascadas mecanicamente como de qualidade inferior. Os produtores alertam que o comércio pode parar, ameaçando os meios de subsistência de todo o setor.
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