
Ouro recupera fôlego e volta aos US$ 4.000, mas encerra quarta semana consecutiva de perdas
O alívio nas expectativas de alta de juros nos EUA, após dados de inflação dentro do esperado, permitiu uma recuperação técnica do metal, que acumulou desvalorização semanal superior a 3%.
O ouro encerrou a sexta-feira acima da marca de US$ 4.000 por onça-troy, recuperando-se da queda que, no meio da semana, o levou a romper esse patamar pela primeira vez desde novembro de 2025. O contrato futuro para agosto na Comex subiu 1,2%, a US$ 4.096,30, mas o metal acumulou perda de cerca de 3,7% na semana — a quarta consecutiva de desvalorização. O movimento de recuperação foi impulsionado pelo enfraquecimento do dólar e pela redução das apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve, depois que o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos EUA, referência de inflação preferida da autoridade monetária, veio em linha com as estimativas.
A dinâmica da semana refletiu a pressão exercida por um dólar forte e pela perspetiva de política monetária mais restritiva nos EUA. O índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas, atingiu o nível mais elevado em mais de um ano, encarecendo o ouro para detentores de outras moedas. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que competem com o metal como ativo de reserva, também subiram. A divulgação do PCE na quinta-feira, embora ainda aponte inflação acima da meta, moderou ligeiramente as expectativas de um aperto adicional em setembro, o que aliviou a pressão sobre o ouro. A queda dos preços do petróleo — mais de 2% na sexta-feira, com a retomada gradual do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz — também reduziu os temores de pressões inflacionárias adicionais, contribuindo para o recuo dos juros dos Treasuries.
Analistas em Wall Street avaliam que a correlação do ouro com os mercados acionistas, em particular com ativos ligados à inteligência artificial, ampliou a volatilidade do metal. A liquidação de posições em tecnologia levou investidores a vender ouro para cobrir perdas em outras carteiras, aprofundando a queda semanal. Na perspetiva de Londres, o movimento de recuperação na sexta-feira foi amplificado por realizações de lucros e ajustes de fim de mês no mercado de câmbio, mas os diferenciais de juros entre as principais economias continuam a favorecer o dólar. Em Tóquio, a fraqueza do iene, que se aproxima do nível de 162 por dólar, mantém o risco de intervenção cambial no radar, o que poderia afetar a dinâmica global da moeda americana e, indiretamente, o ouro. No Oriente Médio, a narrativa dominante entre analistas é a de que a força do dólar e as expectativas de juros elevados nos EUA reduzem a atratividade do ouro como ativo de proteção, mesmo com as tensões geopolíticas na região.
O próximo marco factual para os mercados será a divulgação dos dados de inflação ao consumidor nos EUA, prevista para meados de junho, que poderá confirmar ou alterar as expectativas para a trajetória de juros do Fed. A sustentação do ouro acima dos US$ 4.000 dependerá da evolução do dólar e dos rendimentos reais dos títulos americanos, num contexto em que uma quebra técnica abaixo desse patamar poderia expor o metal a testes de suporte na faixa dos US$ 3.800.
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O ouro fechou em alta na sexta-feira, apoiado por um dólar mais fraco e pela queda dos rendimentos dos Treasuries, depois que os dados de inflação dos EUA reduziram as apostas em novas altas de juros. Ainda assim, o metal precioso registrou uma perda semanal superior a 3%, a quarta queda consecutiva. A recuperação diária traz alívio temporário, mas não altera a tendência negativa de curto prazo.
O ouro caminha para a quarta perda semanal consecutiva, permanecendo abaixo dos 4.000 dólares, pressionado por um dólar forte e pelas expectativas de novos aumentos das taxas de juro norte-americanas. Os analistas sublinham que a rápida mudança nas perspetivas de política monetária continua a pesar sobre o metal precioso. A queda reflete um ambiente em que o dólar e as apostas restritivas da Fed dominam o sentimento.
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