
Ouro dispara com esperança de trégua entre EUA e Irã, mas fecha semana em baixa
A expectativa de um acordo para encerrar a guerra no Golfo trouxe alívio momentâneo, mas a perspetiva de juros elevados mantém o metal sob pressão.
Os contratos futuros de ouro registaram uma forte recuperação na sessão de sexta-feira, impulsionados por sinais de que Washington e Teerã podem estar próximos de um entendimento para pôr fim ao conflito. O ouro para entrega em agosto saltou 3,03% na Comex, fechando a 4.238,80 dólares por onça-troy, enquanto o preço à vista avançou 0,3%, para 4.227,17 dólares. Apesar do salto, o metal acumulou uma perda semanal entre 2,3% e 2,8%, aproximando-se do segundo declínio consecutivo. A nota de otimismo foi alimentada por declarações do presidente Donald Trump, que disse acreditar na iminência de um acordo, e pela informação de que um memorando poderia ser assinado já no domingo. Contudo, fontes próximas às negociações em Teerã desmentiram a especulação, travando um rali que, mesmo assim, não apagou as perdas da semana.
Na perspetiva de analistas iranianos, o ouro continua refém das declarações da Casa Branca, mas o verdadeiro fiel da balança é a inflação global. A possibilidade de o Banco Central Europeu voltar a subir as taxas e de a Reserva Federal manter o aperto monetário reduz a atratividade do metal, que não gera rendimento. Essa visão ecoa entre observadores europeus, para quem o rumo dos preços dependerá da trajetória inflacionária nos próximos meses. Se a aceleração dos preços se confirmar, alertam, o ouro poderá testar patamares inferiores a 4.000 dólares, um cenário que ganha força sempre que os juros sobem.
A guerra no Golfo, iniciada no final de fevereiro, elevou as cotações do petróleo e ampliou os receios de inflação persistente, o que, em teoria, deveria favorecer o ouro como ativo de proteção. No entanto, o efeito tem sido atenuado pela força dos juros elevados, que competem com o metal pela atenção dos investidores. Estrategistas americanos assinalam que, mesmo que o preço do barril recue — e o petróleo caiu mais de 3% na sexta-feira com a perspetiva de trégua —, as pressões inflacionárias tendem a prolongar-se, alimentando o ceticismo dos mercados. No Brasil, analistas lembram que o ambiente de taxas altas nos Estados Unidos encarece o custo de oportunidade de deter ouro, razão pela qual a reação positiva ao alívio geopolítico foi insuficiente para reverter o saldo semanal negativo.
A incerteza sobre a duração do conflito e sobre a real disposição de Irã e EUA para selar um acordo mantém o ouro num compasso de espera. Enquanto os negociadores não dissiparem as dúvidas, cada rumor capaz de aliviar ou agravar a crise energética ditará oscilações bruscas. Os próximos indicadores de inflação e as decisões dos bancos centrais em Frankfurt e Washington serão cruciais. Analistas em Lisboa sublinham que, mesmo num cenário de descompressão geopolítica, a tendência de alta dos juros reais poderá continuar a penalizar o metal, a menos que surjam evidências claras de que a inflação está a ceder de forma sustentada — algo que, por ora, parece distante. Assim, o ouro caminha sobre um fio tenso entre a geopolítica e a política monetária, com riscos de queda que não podem ser ignorados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os futuros do ouro subiram 3% na sexta-feira, para 4.238,80 dólares por onça-troy, impulsionados pela esperança de um acordo entre EUA e Irã que alivie as tensões geopolíticas. Apesar do ganho diário, o metal fechou a semana em queda, uma vez que a perspectiva de juros mais altos nos EUA reduziu sua atratividade. O mercado permanece atento aos sinais de política monetária e seu impacto sobre ativos que não geram rendimento.
Os preços do ouro subiram temporariamente com a esperança de um acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra, mas a tendência semanal permaneceu negativa. Analistas alertam que a inflação persistirá mesmo que os preços do petróleo caiam, e os mercados esperam novas altas de juros pelo BCE e pelo Federal Reserve. O conflito é enquadrado como uma guerra imposta ao Irã, sublinhando um sentimento de vitimização, ao mesmo tempo que reconhece as pressões econômicas mais amplas.
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