
Trump ameaça novos ataques ao Irão se proxies no Líbano não forem contidos
Ultimato surge no arranque das conversações de paz na Suíça, mediadas por Catar e Paquistão, enquanto ataques israelitas põem em risco o cessar-fogo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou este domingo na rede Truth Social um ultimato ao Irão, exigindo que Teerão impeça imediatamente os seus “proxies altamente pagos” no Líbano — uma referência ao Hezbollah — de “causar problemas”, sob pena de novos ataques militares “mais duros” do que os realizados na semana anterior. A declaração coincidiu com o arranque das conversações quadripartidas em Bürgenstock, Suíça, onde delegações dos EUA e do Irão, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, procuram consolidar um acordo de paz duradouro após mais de três meses de guerra.
Segundo fontes da Casa Branca, o vice-presidente JD Vance, que lidera a missão norte‑americana, afirmou ter havido “grandes progressos” na manutenção da trégua no Líbano, mas admitiu que “estes cessar‑fogos são sempre um pouco confusos”. Teerão, por sua vez, condiciona o avanço das negociações ao cumprimento integral do memorando de entendimento assinado a 18 de junho, que prevê o levantamento de sanções e a retoma das exportações de petróleo. Na perspetiva de Washington, o Irão continua a desestabilizar a região através de grupos armados aliados, justificando uma estratégia de pressão máxima que combina ameaças militares com alavancas económicas — como a imposição de portagens no estreito de Ormuz.
O aviso de Trump sobre o estreito de Ormuz — onde o Irão voltou a bloquear a navegação comercial em resposta aos bombardeamentos israelitas no sul do Líbano, que mataram mais de 30 pessoas — eleva o risco de um confronto direto. Cerca de 20% do petróleo mundial transita por aquela via, e uma interrupção prolongada poderá desencadear uma crise energética global. Para economias lusófonas dependentes de importações, como Brasil e Portugal, a volatilidade nos preços dos combustíveis representa uma ameaça imediata, avaliam analistas. O Comando Central dos EUA informou que dezenas de navios comerciais continuam a cruzar a zona, mas a proposta de portagens acrescenta uma nova dimensão de pressão que mantém os mercados em sobressalto.
A guerra entre os EUA/Israel e o Irão começou a 28 de fevereiro, com bombardeamentos sobre alvos iranianos e retaliações de Teerão contra Israel e bases americanas no Golfo. O memorando de 14 pontos, rubricado em Islamabad, estabelece um período de negociação de 60 dias e a cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano. A delegação iraniana, chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o chanceler Abbas Araqchi, iniciou no domingo conversações técnicas com o enviado especial norte‑americano Steve Witkoff e Jared Kushner. Apesar dos progressos citados por Vance, a realidade no terreno é frágil: os ataques israelitas de sábado reacenderam os combates com o Hezbollah, e Teerão condicionou a reabertura do estreito ao respeito integral pela trégua. Espera-se que nas próximas horas os grupos técnicos aprofundem a aplicação do memorando, enquanto Trump mantém a ameaça de retomar os bombardeamentos caso o Irão não “se comporte”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The US president threatened new strikes despite the signed agreement calling for a halt to hostilities in Lebanon. Iranian media highlight the contradiction between Trump's words and the commitment made, framing the threat as an attempt to sabotage negotiations. Local press expresses indignation and skepticism toward US sincerity.
Trump issued an ultimatum to Tehran to stop its proxies in Lebanon, threatening stronger strikes. Israeli media emphasize American resolve to defend regional security and also report the warning regarding the Strait of Hormuz. Coverage highlights urgency and the need for a firm response against Iranian aggression.
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