
Financiamento automóvel afunda na Argentina; Irã vê preços cair e usados dominam mercado
Queda de 30% nos créditos para veículos novos em maio reflete o peso dos custos de manutenção; enquanto isso, Teerão regista baixa nos valores de fábrica e Buenos Aires aponta os preferidos do segmento de ocasião.
O crédito para compra de automóveis na Argentina sofreu uma contração severa em maio de 2026, com o número de operações de financiamento sobre veículos 0km a cair 14% face a abril e 30% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O dado, divulgado pela indústria automotora local, põe em evidência o fosso crescente entre os rendimentos das famílias e o custo real de manter um carro. Um automóvel novo no país exige entre 600 e 900 mil pesos mensais apenas entre combustível, seguro, imposto de circulação e estacionamento, antes mesmo de contabilizar a prestação do empréstimo, o que, para uma família de classe média com rendimento médio de 3 milhões de pesos, se tornou insustentável.
Com o acesso ao mercado de novos estreitado, os consumidores argentinos voltaram-se para o segmento de usados, que já representa oito em cada dez transações do setor. Entre os modelos mais procurados na segunda metade de 2025, segundo a plataforma Kavak, destacam-se o Peugeot 208, o Toyota Etios e o Fiat Cronos – veículos compactos de manutenção acessível e boa liquidez de revenda. A preferência por carrocerias hatchback (48% das vendas) e câmbio manual (69%) confirma a prioridade da economia e da fiabilidade mecânica num ambiente económico adverso.
Curiosamente, a dinâmica do mercado automóvel não é uniforme no cenário global. No Irão, onde a produção local é protegida e a procura continua elevada, a montadora Iran Khodro realizou o 13.º sorteio de vendas com 1,7 milhões de inscrições para apenas 62 mil veículos, entre modelos como Peugeot 207, Tara e Dena Plus. Contudo, a estabilidade cambial recente e o aumento da oferta têm pressionado os preços no mercado livre: o Dena Plus automático perdeu 50 milhões de tomans (cerca de 760 euros) em poucos dias, o novo SUV Rira caiu 60 milhões e utilitários montados por parceiras chinesas, como o Haval H9, chegaram a ceder 300 milhões de tomans. O caso iraniano ilustra como mesmo em economias com forte demanda reprimida, a combinação de oferta ampliada e câmbio estável pode arrefecer os preços.
Para lá da aquisição, o peso da posse de um automóvel estende-se aos custos de manutenção. Na Indonésia, por exemplo, uma afinação (tune-up) de motor para um monovolume de segmento médio pode custar entre 1,5 e 2,5 milhões de rupias (85 a 140 euros) em oficinas independentes, valor que dobra nas concessionárias oficiais. Já nos Estados Unidos, um estudo da iSeeCars com 1,2 milhões de veículos do ano-modelo 2022 revelou que a cor da carroçaria influencia a desvalorização em mais de 5 mil dólares no prazo de três anos: amarelo e laranja são as tonalidades que menos perdem valor, por serem raras e terem procura superior à oferta, enquanto o dourado deprecia 34,4%. Para o consumidor lusófono, seja em Lisboa, Luanda ou São Paulo, estes fatores — crédito mais caro, manutenção onerosa e revenda condicionada — moldam um cenário em que o usados fiáveis tendem a ganhar protagonismo. Os próximos indicadores a observar incluem a evolução do salário real na Argentina, os leilões de fábrica no Irão e a estabilização das taxas de juro nos mercados emergentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa alinhada ao regime iraniano apresenta o sorteio de carros e a queda de preços como uma resposta bem gerida à alta demanda. A cerimônia oficial de priorização é retratada como um método de alocação transparente, enquanto as correções de preços são explicadas pela estabilidade cambial e tendências sazonais, enfatizando a normalização.
A imprensa argentina retrata um mercado automóvel carente de crédito, com vendas a prestações a cair a pique e compradores a migrar em massa para os usados. As histórias destacam a depreciação por cor e listam os modelos usados mais procurados, refletindo pressão económica e comportamento cauteloso dos consumidores.
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