
Vance anuncia regresso de inspetores nucleares ao Irão, mas Teerã mantém reservas
O vice-presidente dos EUA afirmou que o Irão concordou em readmitir a AIEA, passo que descreveu como "marco importante" para a desnuclearização, enquanto a diplomacia iraniana sublinha que as conversações formais ainda não começaram.
O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, declarou esta segunda-feira, a partir do resort suíço de Bürgenstock, que o Irão concordou em convidar de novo os inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) a entrar no país, com conversações sobre as inspeções a poderem iniciar-se ainda esta semana. Vance qualificou o passo como “um marco importante para o povo americano e o primeiro passo para a desnuclearização permanente”. A afirmação surge no termo de uma primeira ronda de negociações bilaterais mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, no quadro de um memorando de entendimento assinado eletronicamente na semana passada pelos presidentes dos dois países, que prevê um roteiro para um acordo final em 60 dias.
A leitura de Washington contrasta com a posição expressa por Teerão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que a reunião de domingo não representou o início de negociações sobre um acordo nuclear definitivo, mas apenas uma apresentação das posições de cada lado. Segundo Baqaei, a delegação iraniana deixou claro que as discussões formais só poderão começar após a implementação de pontos previstos no memorando de entendimento, e alertou os negociadores americanos para que abandonem posições “excessivas e irrazoáveis”. A delegação iraniana chegou a retirar-se momentaneamente da mesa, na sequência de declarações ameaçadoras do presidente Donald Trump na rede Truth Social, que exigiam que o Irão impedisse imediatamente os seus “representantes” de causarem distúrbios na região.
Os mediadores paquistaneses e catarianos divulgaram um comunicado conjunto em que registam “avanços encorajadores” e a concordância num mecanismo para pôr fim aos combates no Líbano, incluindo a criação de uma célula de gestão de conflitos. O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu uma chamada conjunta de Vance, do assessor presidencial Jared Kushner e do primeiro-ministro do Catar, na qual se discutiu a consolidação do cessar-fogo e a possibilidade de criar uma célula de coordenação para supervisionar a aplicação dos acordos. Israel, pela voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reiterou que o exército permanecerá no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”. O balanço de vítimas da ofensiva israelita no Líbano ascende a 4.106 mortos desde 2 de março, segundo as autoridades libanesas.
O regresso dos inspetores da AIEA é considerado crítico porque, desde os ataques de Israel e dos EUA contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025, a agência da ONU não tem acesso às principais unidades de enriquecimento. A AIEA estima que o Irão detenha 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo do necessário para uso militar. Vance assegurou ainda que o Estreito de Ormuz está aberto e que se registou uma descida dos preços do petróleo e do gás, com milhões de barris a circular novamente. O Tesouro norte-americano emitiu uma licença que autoriza o Irão a exportar petróleo e derivados até 21 de agosto. As conversações técnicas prosseguem esta semana em Bürgenstock, mas o prazo de 60 dias é visto por analistas como ambicioso, tendo em conta que o acordo nuclear de 2015, com quase 160 páginas, exigiu cerca de dois anos de negociação entre as grandes potências e o Irão.
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O vice-presidente dos EUA saúda o acordo do Irã para permitir o retorno dos inspetores da AIEA como um marco importante e primeiro passo rumo à desnuclearização permanente, mas Teerã ainda não confirmou e o anúncio é apresentado como uma vitória diplomática americana com ceticismo subjacente sobre as intenções iranianas.
Os veículos latino-americanos relatam a alegação dos EUA sobre o acordo do Irã para inspeções da AIEA como um passo rumo ao fim da guerra no Oriente Médio, destacando a reabertura do Estreito de Ormuz e a queda nos preços do petróleo, ao mesmo tempo que observam que o Irã ainda não confirmou.
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