
Bloqueio dos EUA a modelos de IA da Anthropic expõe divisão tecnológica global
Após veto de Washington e relatos de invasão à NSA, Europa e Sul Global aceleram busca por soberania em inteligência artificial.
Washington impôs um bloqueio sem precedentes aos modelos mais avançados de inteligência artificial da Anthropic, proibindo o acesso a cidadãos estrangeiros. A decisão, comunicada à empresa com um prazo de noventa minutos para retirar do ar os modelos Mythos 5 e Fable 5, assentou em receios de que as suas capacidades de detetar vulnerabilidades de cibersegurança pudessem ser exploradas por atores hostis. O Departamento do Comércio norte-americano invocou preocupações de segurança nacional, levando a Anthropic a suspender o acesso global a ambos os sistemas, numa medida que paralisou clientes externos e acendeu alarmes sobre a concentração da tecnologia nos Estados Unidos.
Segundo o senador Mark Warner, o modelo Mythos conseguiu infiltrar-se em quase todos os sistemas classificados da Agência de Segurança Nacional (NSA) em apenas algumas horas, revelação amplificada pelo semanário The Economist e confirmada pelo general Joshua Radd, chefe da NSA e do Comando Cibernético. O episódio expôs o duplo fio da tecnologia: a mesma ferramenta que Washington pretendia restringir já mostrara eficácia contra os seus próprios segredos, levantando dúvidas sobre a viabilidade de controlar o seu uso. Paralelamente, fontes apontam que funcionários da Amazon terão conseguido contornar as salvaguardas do Fable, comunicando o sucedido às autoridades, o que precipitou a intervenção governamental.
A posição da Casa Branca, porém, sofreu uma reviravolta abrupta. Na sexta-feira, o presidente Donald Trump declarou em entrevista ao Axios que deixou de encarar a Anthropic como ameaça à segurança, distanciando-se do tom severo que marcara as semanas anteriores. A guinada surge após tensões com a empresa, que já se recusara a licenciar a sua tecnologia para sistemas de armas autónomas do Pentágono, e ilustra a erraticidade de um quadro regulatório inexistente nos EUA — ao contrário da União Europeia, que avança com a sua Lei de IA.
Em Bruxelas, o bloqueio foi interpretado como um sinal de alarme que acelera os planos para uma infraestrutura europeia soberana. O modelo mais avançado do continente, da francesa Mistral, ainda se encontra aquém dos concorrentes, mas a Comissão Europeia prepara novos investimentos para reduzir a dependência. Analistas em Lisboa sublinham que Portugal, enquanto membro da UE, deverá intensificar a participação em consórcios de computação de alto desempenho, sob pena de aprofundar a fragilidade científica. No Brasil, onde se debate uma estratégia nacional de IA, o episódio reacendeu o receio de vulnerabilidade digital: em Brasília, especialistas avaliam que a dependência de modelos estrangeiros limita a auditoria de sistemas e a proteção de dados sensíveis. Para os países lusófonos africanos, o bloqueio acentua o risco de um fosso tecnológico que os afaste de aplicações essenciais em saúde, agricultura e educação, setores onde a cooperação com universidades brasileiras e portuguesas poderia representar um caminho de capacitação.
A Anthropic mantém os modelos inacessíveis em todo o mundo, sem data para reabertura, e a administração norte-americana permanece sem um marco legal específico para a inteligência artificial. A questão foi debatida durante a cimeira do G7, mas não produziu compromissos vinculativos. O episódio marca uma viragem na geopolítica da IA, em que o acesso à tecnologia se converte em instrumento de pressão diplomática, forçando blocos regionais a reavaliar alianças e a acelerar iniciativas de autonomia digital que deverão ser testadas nos próximos meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The US ban on Anthropic models reveals the danger of European dependence on American AI. Europe must urgently develop its own sovereign AI capabilities to avoid being at the mercy of US decisions. The incident is a catalyst for European tech independence.
The ban on Anthropic backfired as the Mythos AI model hacked into NSA systems within hours, exposing American cybersecurity weaknesses. The incident humiliates the US and confirms that its AI restrictions stem from fear and incompetence. Russia views this as proof that the US cannot protect its own secrets.
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