
Dia dos Pais: as escolhas afetivas de Meghan e Gisele nas montras digitais
Enquanto a duquesa de Sussex celebrou Harry com uma imagem de união, a modelo brasileira omitiu o ex-marido Tom Brady, num gesto que inflamou as redes.
A imagem partilhada no domingo pela Duquesa de Sussex mostrava o príncipe Harry ajoelhado na relva, num abraço que envolvia os dois filhos. O pequeno Archie, de sete anos, vestia a camisola vermelha e branca da seleção inglesa de futebol; a princesa Lilibet, cinco, segurava uma girafa de pelúcia. Era o retrato de um Dia dos Pais afetuoso, sublinhado pela legenda: “Eles têm muita sorte em ter-te. Todos nós temos. Feliz Dia dos Pais ao nosso único.” A publicação, sentida e inclusiva, contrastou com outra que, no mesmo fim de semana, gerava ondas de comentários: a da modelo Gisele Bündchen.
Gisele, de 45 anos, também recorreu ao Instagram para homenagear os homens da sua vida. Publicou uma série de fotografias do marido, o instrutor de jiu-jitsu Joaquim Valente, com quem tem um filho de um ano, e do seu próprio pai, Valdir Bündchen. Nas imagens, Valente aparece ao lado do bebé e dos filhos mais velhos da modelo, Benjamin e Vivian, fruto do seu anterior casamento com o ex-jogador de futebol americano Tom Brady. “Feliz Dia dos Pais, Joaquim!”, escreveu, exaltando-lhe a humildade, a integridade e a disciplina. A homenagem ao pai biológico foi igualmente terna. Mas foi a ausência de qualquer menção a Brady, pai dos dois primeiros filhos, que rapidamente se tornou o centro da conversa.
No espaço digital, o Dia dos Pais transforma-se frequentemente num palco de narrativas familiares, onde cada publicação pode ser lida como um manifesto. A omissão de Gisele foi decifrada por comentadores e fãs como um gesto intencional, sobretudo porque, em maio, Brady havia partilhado uma mensagem de apreço às mães dos seus filhos, incluindo a ex-mulher. A imprensa brasileira notou que a modelo parecia “realizada” e “imensamente feliz” na nova fase ao lado de Valente, enquanto o mexicano Excelsior sublinhou o “forte debate digital” gerado. Em contrapartida, a homenagem de Meghan a Harry foi recebida pela imprensa britânica e internacional como um sinal de estabilidade do casal, que vive na Califórnia desde que abdicou dos deveres reais seniores.
Para observadores lusófonos, as duas histórias revelam as tensões entre a intimidade e a expetativa pública. Em Portugal e no Brasil, onde o culto das celebridades se entrelaça com valores familiares tradicionais, a omissão de Brady reacendeu discussões sobre coparentalidade e o lugar dos ex-cônjuges nas celebrações afetivas. Enquanto Gisele optou por um recorte que excluía o passado, Meghan projetava a imagem de uma família unida e serena, com o filho envergando a camisola da Inglaterra – um detalhe que, para analistas britânicos, carregava um subtexto de ligação ao país de origem do pai, a poucos dias de um jogo do Mundial. A girafa de pelúcia e o arco-íris que emoldurava as fotos de Gisele na praia funcionavam como adereços cenográficos de uma felicidade encenada para as câmaras.
As duas publicações cristalizaram realidades familiares distintas. A de Meghan ofereceu ao público uma fotografia que condensava amor e pertença, com a leveza de uma manhã em Montecito. A de Gisele, por seu lado, construiu uma nova narrativa onde o passado foi silenciado em prol de um presente solar. Ambas, porém, participam do mesmo ritual contemporâneo: o da exibição seletiva dos afetos numa montra global que nunca deixa de interpretar o que não é dito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Latin American press emphasizes Gisele Bündchen's Father's Day post honoring her new husband while pointedly ignoring her ex-husband Tom Brady, interpreting this as a public statement about her current family priorities. The coverage is laced with irony, noting the contrast between her effusive praise for Joaquim Valente and the silence regarding the father of her older children. This framing turns a personal celebration into a narrative of social commentary on blended families and celebrity relationships.
Southeast Asian media reports both Gisele Bündchen's and Meghan Markle's Father's Day tributes with a straightforward, detached tone. The coverage presents Gisele's omission of Tom Brady as a neutral fact, while also giving equal weight to Meghan's praise for Prince Harry. This balanced reporting reflects a pragmatic approach, treating the stories as celebrity news without emotional commentary.
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