
Operação anticorrupção no Iraque prende deputados e revela fortunas ocultas, mas vídeos enganam
Autoridades iraquianas detiveram dezenas de políticos e apreenderam milhões de dólares e ouro; verificações de factos desmentem vídeos virais que falsamente ligavam as imagens à operação.
O governo iraquiano lançou, no final de junho de 2026, uma vasta operação anticorrupção que resultou na detenção de pelo menos 21 suspeitos, incluindo deputados e altos funcionários, e na apreensão de mais de 14 milhões de dólares em dinheiro e bens. A operação, denominada “Sawlat al-Fajr” (Investida da Alvorada), foi acompanhada por uma onda de desinformação nas redes sociais, com vídeos que alegavam mostrar a contagem de dinheiro encontrado em casa de um parlamentar. Verificações de factos realizadas no Líbano demonstraram que as imagens foram retiradas de um perfil de Instagram sediado na Ucrânia, sem qualquer relação com o Iraque.
O porta-voz do governo iraquiano, Haidar al-Aboudi, afirmou que as detenções se baseiam em confissões que estão a conduzir a novas redes de corrupção, e o Conselho Judicial Superior confirmou a apreensão de 11 milhões de dólares e 4 mil milhões de dinares na residência do vice-ministro do Petróleo, Ali al-Bahadli. Contudo, analistas israelitas, como a investigadora Elizabeth Tsurkov, avaliam que a campanha é seletiva e politicamente motivada, visando sobretudo figuras próximas do antigo primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani e da coligação sunita Azm, enquanto os centros de poder ligados às milícias apoiadas pelo Irão permanecem intocados. Na perspetiva de observadores em Teerão, a operação pode ser interpretada como um movimento do novo governo para consolidar autoridade face a facções rivais.
A ofensiva judicial ocorre num momento de fragilidade económica, com a moeda iraquiana em queda e dificuldades no pagamento de salários, o que, segundo fontes governamentais em Bagdade, reforça a necessidade de demonstrar ação contra a corrupção sistémica. Paralelamente, o executivo deu às fações armadas xiitas até outubro de 2026 para entregarem as armas, prazo que coincide com o fim da missão da coligação internacional liderada pelos EUA. A medida, noticiada pela imprensa iraniana no exílio, sugere uma tentativa de reequilibrar o poder interno, embora a sua aplicação enfrente ceticismo quanto à real capacidade de desarmar grupos com profundos laços com Teerão.
As investigações prosseguem e o governo promete novas detenções, enquanto a comunidade internacional acompanha os desenvolvimentos. A credibilidade do processo dependerá, segundo diplomatas europeus, da transparência das acusações e da inclusão de todos os setores políticos, sem exceções. O prazo para o desarmamento das milícias e a evolução dos processos judiciais serão os próximos indicadores da profundidade desta campanha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um escândalo financeiro de proporções sem precedentes atingiu o parlamento iraquiano, resultando na detenção de vários funcionários, incluindo três deputadas. A operação expõe a corrupção profundamente enraizada no establishment político.
Uma onda de prisões no Iraque revelou uma riqueza impressionante roubada do Estado, com milhões de dólares em dinheiro e quilos de ouro encontrados nas casas de políticos de alto escalão. As batidas da Operação Amanhecer expuseram a escala imensa da corrupção, abalando o país até o âmago.
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