
Justiça dos EUA rejeita arquivamento de ação que acusa Meta de viciar crianças
Magistrada também reconhece violação de lei de privacidade infantil; TikTok e YouTube fecham acordos em caso paralelo, enquanto estudo questiona eficácia de ferramentas de segurança.
A juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, do distrito de Oakland, Califórnia, negou o pedido da Meta para encerrar a ação coletiva movida por procuradores-gerais de 29 estados norte-americanos. A decisão, divulgada na noite de segunda-feira (29), mantém as acusações de práticas enganosas e desleais, além de violações da Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças (COPPA). Num desfecho adicional desfavorável à empresa, a magistrada concedeu julgamento sumário favorável aos estados no que diz respeito ao descumprimento das exigências de notificação e consentimento parental previstas na legislação federal.
Os estados sustentam que pesquisas científicas demonstram que o uso do Facebook e do Instagram por menores está associado a depressão, ansiedade, insónia, prejuízos educacionais e comportamentos de automutilação, incluindo suicídio. A Meta, com sede em Menlo Park, contrapõe que o conceito de “vício em redes sociais” não é reconhecido como transtorno psiquiátrico e que, portanto, declarações de que as suas plataformas não são viciantes não podem ser consideradas falsas. A empresa também argumenta que os serviços se destinam ao público em geral, e não especificamente a crianças com menos de 13 anos. Na decisão de 38 páginas, a juíza identificou disputas de facto relevantes — entre elas, se as plataformas foram projetadas para gerar uso compulsivo e se a Meta as direcionou, ainda que parcialmente, ao público infantil — que deverão ser dirimidas por um júri.
O caso insere-se num contexto mais amplo de litígios nos Estados Unidos. Paralelamente, o TikTok e o YouTube chegaram a acordos extrajudiciais com um adolescente da Florida que move ação semelhante, deixando a Meta e a Snap como rés para o julgamento previsto para 27 de julho em Los Angeles. No primeiro julgamento do género, concluído em março, um júri condenou a Meta e o YouTube a pagar seis milhões de dólares a uma jovem que alegou ter desenvolvido dismorfia corporal e agravamento de depressão devido ao uso de filtros de beleza do Instagram. A plataforma de vídeos também recorreu da sentença. A pressão sobre as empresas é ampliada por um estudo das universidades de Nova Iorque e Northeastern, que testou 86 funções de segurança para menores no Instagram, YouTube, TikTok e Snapchat e concluiu que 51 delas — cerca de 60% — não cumpriam o prometido, seja por dificuldade de acesso, ineficácia ou indisponibilidade.
Observadores em Brasília notam que o desfecho desses processos pode influenciar o debate regulatório no Brasil, onde o projeto de lei das fake news e outras iniciativas legislativas buscam impor deveres de cuidado às plataformas. Em Lisboa, analistas sublinham que a União Europeia já dispõe do Regulamento dos Serviços Digitais, mas que a via judicial norte-americana pode gerar jurisprudência com impacto global. O julgamento da ação dos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jérsia contra a Meta está marcado para 18 de agosto, enquanto o caso do adolescente da Florida contra Meta e Snap deve começar em 27 de julho. A Meta afirmou, em nota, discordar fortemente das alegações e confiar que as provas demonstrarão o seu compromisso com os jovens.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Meta sofreu um revés na tentativa de arquivar uma ação movida por 29 estados dos EUA que a acusam de projetar o Facebook e o Instagram para viciar menores e esconder os danos. Um juiz federal rejeitou o pedido de arquivamento e decidiu que a empresa terá de enfrentar julgamento em agosto. A decisão é vista como um passo crucial para responsabilizar as gigantes da tecnologia pela crise de saúde mental dos jovens.
TikTok chegou a um acordo com um adolescente da Flórida que alegou que a plataforma prejudicou sua saúde mental, pouco antes de um grande julgamento sobre dependência de redes sociais. Os termos estão sendo finalizados, enquanto Meta e outras empresas ainda enfrentam litígios. O acordo destaca a pressão legal contínua sobre as empresas de mídia social em relação à saúde mental dos jovens.
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