
Ex-chefe do Exército israelita lança campanha para pôr fim ao 'governo de 7 de outubro' de Netanyahu
Gadi Eisenkot promete liderança 'honesta e sionista' enquanto coligação de direita avança com anexação de Gaza e colonatos na Cisjordânia, a quatro meses das eleições.
A quatro meses das eleições legislativas em Israel, o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot lançou oficialmente a sua campanha para primeiro-ministro, prometendo encerrar o ciclo do “governo de 7 de outubro” de Benjamin Netanyahu. Num comício em 30 de junho, Eisenkot afirmou que Israel “merece abrir um novo capítulo” e comprometeu-se a governar para todos os israelitas, criticando a atual liderança por “falta de visão e estratégia”. Sondagens divulgadas pela imprensa israelita colocam o seu partido Yashar com 22 dos 120 assentos do Knesset, apenas dois atrás do Likud de Netanyahu, num cenário que, segundo analistas em Telavive, reflete o desgaste do primeiro-ministro após mais de dois anos de guerra em Gaza e crescente contestação interna.
O lançamento da campanha ocorre num momento de escalada das políticas da coligação de direita no poder. A ministra da Inovação, Gila Gamliel, revelou ter apresentado ao governo um plano de “migração voluntária” de palestinianos de Gaza, com o envolvimento da Mossad, enquanto o ministro da Energia, Eli Cohen, declarou que Israel controla já 70% do território e continuará até alcançar “100%”. Em paralelo, o jornal israelita Hayom noticiou que grupos de colonos prepararam um plano para tomar uma centena de locais estratégicos na Área A da Cisjordânia, sob administração da Autoridade Palestiniana. A diplomacia palestiniana condenou a iniciativa como “crime de guerra sistemático” e violação do direito internacional, posição partilhada por capitais lusófonas como Brasília e Lisboa, que reiteram a ilegalidade dos colonatos.
A fragilidade da coligação de Netanyahu é agravada pela pressão dos partidos ultraortodoxos, que exigem legislação para congelar a detenção de jovens haredi que recusam o serviço militar, numa altura em que as Forças de Defesa de Israel alertam para uma crise de efetivos. O primeiro-ministro cedeu às exigências, afirmando que as detenções em yeshivas prejudicam o alistamento, uma alegação desmentida por rabinos envolvidos na integração dos haredi. Comentadores em Israel sublinham que a dependência de Netanyahu destes partidos para formar futuro governo condiciona qualquer margem de manobra, enquanto Eisenkot capitaliza o descontentamento dos setores laicos e das famílias dos soldados caídos — o próprio ex-general perdeu um filho e dois sobrinhos em combate em Gaza.
A comunidade internacional acompanha o processo eleitoral com apreensão. Diplomatas europeus e latino-americanos, incluindo fontes em Lisboa e Brasília, veem nas eleições de 27 de outubro um possível ponto de viragem, mas receiam que a retórica de anexação e expulsão de palestinianos se intensifique durante a campanha. A proposta de Gamliel contraria os planos de paz apresentados pelos Estados Unidos e as resoluções das Nações Unidas, enquanto a expansão dos colonatos na Cisjordânia é considerada ilegal pela maioria da comunidade internacional. Com o país dividido e a guerra ainda sem desfecho, o escrutínio de outubro definirá não apenas o próximo governo, mas o rumo de Israel face ao conflito com os palestinianos e ao isolamento diplomático crescente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ex-chefe do Estado-Maior Eisenkot lançou a campanha do seu partido Yashar atacando o governo Netanyahu, acusado de se recusar a assumir responsabilidade pelas falhas e de aprofundar divisões. Promete, se eleito, uma comissão estatal de inquérito sobre o 7 de outubro e enquadra a eleição como decisiva para a segurança e a alma de Israel.
O ex-chefe do exército israelita Gadi Eisenkot lançou a sua campanha eleitoral com o objetivo de destituir o primeiro-ministro Netanyahu. Rotula o atual governo como o 'governo de 7 de outubro' e apela a um novo capítulo, num clima de competição política tensa.
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