
Tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e eleva tensão eleitoral
A nova sobretaxa, que torna o Brasil o segundo país mais tarifado pelos EUA, é vista em Brasília como tentativa de interferência nas eleições de outubro.
A confirmação de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 4 mil produtos brasileiros, com entrada em vigor a 22 de julho, eleva a tarifa efetiva média aplicada pelos Estados Unidos ao Brasil para 18,2%, segundo cálculos do Global Trade Alert. Com esse patamar, o país passa a ser o segundo mais onerado pelo tarifaço norte-americano, atrás apenas da China. A medida abrange 18% das exportações brasileiras para os EUA, com impacto estimado em mais de US$ 11 mil milhões, e atinge setores como máquinas, calçados, madeira, produtos químicos e papel.
A decisão foi formalizada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA após meses de negociações em que Washington condicionou a redução das tarifas a concessões consideradas inaceitáveis pelo Planalto. Entre as exigências, estavam a abertura total dos setores químico, aeroespacial e automotivo, a eliminação de tarifas sobre bens industriais e o etanol, e a adoção de restrições a investimentos extra-hemisféricos em minerais críticos e terras raras — um pedido que, segundo interlocutores brasileiros, tinha a China como alvo não declarado. A recusa do governo Lula em ceder a essas condições foi seguida por declarações do secretário de Estado Marco Rubio, que acusou o presidente brasileiro de não negociar “de boa-fé” e de colocar o “ego à frente do bem-estar do povo”. Em Brasília, a manifestação é interpretada como um movimento calculado para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, que visitou a Casa Branca semanas antes e cujo irmão, Eduardo, mantém laços estreitos com a ala trumpista.
Os efeitos económicos já se fazem sentir em 20 dos 27 estados brasileiros, que registaram quedas nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026, com retrações de até 62,8% no Acre. Entidades industriais como a CNI e a Amcham alertam para a perda de competitividade e para o risco de agravamento do cenário. No campo político, porém, o tarifaço coincide com uma recuperação da popularidade de Lula, cuja aprovação subiu para 48%, impulsionada por programas de alívio económico e pela rejeição à ingerência externa. Sondagens recentes mostram o petista com 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno, e mais da metade dos brasileiros atribui à família Bolsonaro responsabilidade pelas novas tarifas.
A orientação do Executivo é buscar a ampliação da lista de exceções, que já contempla mais de 2 mil categorias de produtos, mas a expectativa predominante entre os negociadores é de que não haverá avanços substanciais até as eleições de outubro. Paralelamente, avalia-se a diversificação de mercados, embora analistas apontem que a China — principal destino das exportações brasileiras — tem capacidade limitada para absorver os bens manufaturados afetados, dada a concentração da pauta em commodities. A tarifa entra em vigor na próxima quarta-feira, e o governo brasileiro mantém a estratégia de evitar retaliações imediatas, concentrando-se em linhas de crédito para blindar as indústrias mais expostas.
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
Funcionários e analistas brasileiros falam, retratando as tarifas como uma arma política deliberada contra o governo Lula, alinhando-se à narrativa de interferência dos EUA.
Ao vincular repetidamente a tarifa às próximas eleições e destacar as demandas de concessões dos EUA, o bloco constrói uma narrativa de vitimização e pressão injusta, fazendo a medida de Trump parecer puramente motivada politicamente.
Analistas e comentaristas europeus falam, apresentando a tarifa como um movimento calculado para influenciar as eleições brasileiras, alinhando-se a uma narrativa de excesso imperial dos EUA.
Ao rotular a tarifa como 'arancelazo' e vinculá-la a um histórico de intervenção dos EUA, o bloco universaliza o ato como parte de um padrão consistente, tornando o motivo político aparentemente evidente.
O bloco omite as consequências econômicas setoriais da tarifa sobre indústrias brasileiras como açúcar e manufatura, bem como as demandas específicas de concessões dos EUA, detalhadas na imprensa latino-americana.
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