
Mundial 2026 faz nova vítima: presidente da federação saudita cai após eliminação
Yasser Al-Misehal demitiu-se depois de a Arábia Saudita terminar em último no Grupo H; onda de demissões atinge também Itália, Coreia do Sul e Uruguai.
A eliminação da Arábia Saudita na primeira fase do Mundial de 2026, confirmada após um empate sem golos com Cabo Verde, precipitou a demissão do presidente da Federação Saudita de Futebol, Yasser Al-Misehal. A equipa, orientada pelo grego Georgios Donis, somou apenas dois pontos no Grupo H, fruto de igualdades frente ao Uruguai (1-1) e à seleção cabo-verdiana, e de uma derrota pesada diante da Espanha (0-4). “Assumo total responsabilidade”, escreveu Al-Misehal na rede social X, anunciando que não cumpriria o mandato até ao fim. A saída do dirigente, que liderava a federação desde 2019 e foi peça central na candidatura vitoriosa ao Mundial de 2034, ilustra a pressão que a competição exerce sobre as estruturas diretivas.
O episódio saudita não é isolado. A primeira edição do torneio com 48 seleções tem funcionado como uma “guilhotina” para presidentes e treinadores. Ainda antes do apito inicial, o italiano Gabriele Gravina deixou o cargo após a terceira ausência consecutiva da Squadra Azzurra em Mundiais. Já durante a prova, o sul-coreano Mong Gyu Chung anunciou que se demitirá no final, pressionado por críticas a 13 anos de gestão. No plano técnico, a Tunísia rescindiu com Sabri Lamouchi depois da goleada histórica sofrida frente à Suécia (1-5); a Escócia perdeu Steve Clarke; a Coreia do Sul viu Hong Myung-bo repetir o fracasso de 2014; e o Uruguai despediu-se de Marcelo Bielsa, que deixou o cargo com uma mensagem de desilusão. Até o veterano Dick Advocaat, que conduziu Curaçau à estreia mundialista, viveu uma história agridoce, regressando ao banco após a melhora da saúde da filha, mas caindo com estrondo perante a Alemanha.
Na perspetiva do mundo árabe, a demissão de Al-Misehal ecoa com particular intensidade. A Arábia Saudita investiu cerca de dois mil milhões de dólares no futebol nos últimos três anos, atraindo estrelas como Cristiano Ronaldo, Neymar e Karim Benzema para uma liga que se quer entre as mais ricas do planeta. A eliminação precoce, na sétima participação em Mundiais, reacende o debate sobre a eficácia desse investimento desportivo, sobretudo quando o país se prepara para ser o anfitrião em 2034. Em contraste, para a África lusófona, o mesmo jogo que selou o destino saudita representou um marco histórico: Cabo Verde, com o empate a zero, garantiu pela primeira vez um lugar nos 16 avos de final, festejando um feito que analistas em Praia classificam como o maior da história do futebol do arquipélago.
O Mundial prossegue agora com a fase a eliminar, que arranca a 28 de junho com os 16 avos de final, uma novidade no formato alargado. Enquanto algumas federações já preparam reestruturações, outras, como a Turquia de Vincenzo Montella, resistem às ondas de choque. O técnico italiano recusou demitir-se, e o australiano Graham Arnold negoceia a renovação com o Iraque até 2030. A “guilhotina”, porém, continua a pairar sobre os bancos e gabinetes, lembrando que, no futebol, o fracasso desportivo raramente fica sem consequências institucionais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Copa do Mundo de 2026 virou uma guilhotina impiedosa, decapitando dirigentes e treinadores a cada fracasso. O chefe do futebol saudita é a mais recente cabeça a rolar, com sua renúncia sendo tratada como um sacrifício inevitável após a eliminação humilhante na fase de grupos.
O presidente da federação de futebol saudita renunciou após a eliminação da seleção nacional da Copa do Mundo de 2026. A equipe terminou em último no grupo com dois pontos, depois de empates com Uruguai e Cabo Verde e uma derrota por 4 a 0 para a Espanha.
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