
Mundial 2026 expõe promiscuidade entre FIFA e Trump e alimenta disputa pela presidência
Intervenção presidencial em caso disciplinar e parceria de dados com estratega republicano acirram críticas europeias e abrem corrida à sucessão de Infantino em 2027.
O Campeonato do Mundo de 2026, disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, ficou marcado por dois episódios que expõem o entrelaçamento entre a FIFA e a administração Trump. O primeiro foi o levantamento da suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun após uma chamada do presidente Donald Trump, decisão tomada pelo presidente da comissão disciplinar sem consultar os restantes membros, segundo apurou a imprensa italiana. O segundo, revelado por uma investigação do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, mostra que a zona oficial de adeptos da FIFA no National Mall, em Washington, é organizada em parceria com a organização “Freedom 250”, alinhada com Trump, e que os dados de registo dos visitantes são geridos pela Campaign Nucleus, empresa do antigo estratega digital da campanha republicana Brad Parscale. A FIFA não respondeu às perguntas sobre o destino desses dados, o que, na perspetiva de analistas europeus, viola o princípio de neutralidade política inscrito nos seus estatutos.
Estes factos intensificaram o mal-estar na UEFA, cujo presidente, Aleksander Ceferin, já criticara abertamente a gestão do caso Balogun. De acordo com a imprensa italiana, as federações europeias discutem ativamente candidaturas alternativas à presidência da FIFA nas eleições de abril de 2027. Entre os nomes ventilados estão o presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, apoiado pela Polónia e Bélgica, e o proprietário do Legia Varsóvia, Dariusz Mioduski, com respaldo de países nórdicos, Alemanha e Espanha. O próprio Ceferin poderá candidatar-se caso não surja um nome de consenso. Na Suíça, o especialista em direito penal Mark Pieth, antigo presidente da comissão de governação da FIFA, instou a UEFA a usar o seu peso económico, sugerindo até a criação de um campeonato europeu à margem da FIFA, argumentando que “sem a Europa, nada funciona”. Já o constitucionalista Joseph Weiler, que integrou a mesma comissão, comparou, em declarações à imprensa italiana, os mecanismos de controlo interno da FIFA aos da antiga União Soviética.
Do ponto de vista das confederações africana e sul-americana, que incluem federações lusófonas como as de Angola, Moçambique e Brasil, Infantino continua a ser visto como garante de estabilidade e de redistribuição financeira. A sua proposta de alargar o Mundial para 64 seleções, lançada durante o torneio, é interpretada por observadores nestas regiões como uma manobra para assegurar votos das federações mais pequenas. A parceria de dados com o círculo de Trump, porém, levou a que o Comité Olímpico Internacional fosse instado a intervir, por receio de que o modelo de governação desportiva global fique comprometido. Em Lisboa, analistas notam que a controvérsia surge num momento delicado para o futebol europeu, já a braços com as sequelas do projeto da Superliga e com a concentração de poder em poucos clubes.
O prazo para a apresentação de candidaturas à presidência da FIFA termina a 16 de novembro de 2026. Os críticos de Infantino temem que a ausência de um verdadeiro debate eleitoral abra caminho a uma revisão estatutária que lhe permita um quarto mandato. A UEFA deverá definir a sua estratégia após o Mundial, podendo articular uma frente europeia que altere o equilíbrio de forças no futebol mundial. Para já, o torneio prossegue, mas a sombra política sobre os relvados alonga-se.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.90 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.30 | critical |
A Europa denuncia a promiscuidade entre a FIFA e Trump como uma ameaça à credibilidade do futebol mundial e pede uma mudança de liderança.
Acumula episódios de interferência política e decisões unilaterais para construir uma narrativa de crise institucional, apresentando a reeleição de Infantino como um perigo iminente.
Omite a perspectiva de uma possível reforma estrutural da governança da FIFA, concentrando-se em vez disso na luta pelo poder e na ameaça imediata.
A América Latina grita escândalo: Infantino e Trump são vampiros que sugam o futebol, a Copa do Mundo é um palco de fraude e autocracia.
Usa metáforas fortes (vampiros, fraude) e um tom apocalíptico para criar uma equivalência moral entre a corrupção esportiva e política, sem conceder nuances.
Omite qualquer detalhe técnico ou institucional (como as eleições da FIFA ou planos de reforma), concentrando-se apenas na condenação pessoal e simbólica.
O mundo árabe pede uma reforma da governança esportiva, separando política e futebol para preservar a integridade do jogo.
Adota um registro analítico e distante, enquadrando a questão como um problema de governança a ser resolvido com reformas estruturais, sem ataques pessoais.
Omite a dimensão de conflito pessoal e a luta pela presidência da FIFA, não menciona o caso Balogun nem as próximas eleições.
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