
ICC e FIDE reescrevem os caminhos para os seus Mundiais com formatos de alto risco
O críquete introduz uma Super 7 e eliminatórias ao estilo IPL, enquanto o xadrez elimina vagas por rating e abraça o Total Chess Tour, numa vaga de reformas que privilegia o mérito competitivo.
O Conselho Internacional de Críquete (ICC) aprovou em Edimburgo a mais radical reestruturação dos seus torneios-âncora, desenhada para que cada jogo carregue consequências imediatas. A partir do Mundial de ODI de 2027, na África Austral, as três seleções com pior ranking de qualificação serão isoladas numa ‘Super Series’ preliminar: apenas a vencedora sobrevive e se junta às outras onze equipas na fase de grupos. Seguem-se dois grupos de seis, dos quais os três primeiros de cada e o melhor quarto lugar global avançam para uma inédita ‘Super 7’ — um todos-contra-todos de 21 partidas que define os quatro semifinalistas. O modelo elimina os quartos-de-final e, na leitura de analistas em Nova Deli e Islamabade, multiplica a probabilidade de um encontro adicional entre Índia e Paquistão, o duelo mais lucrativo da modalidade, cujos confrontos bilaterais estão congelados por tensões políticas desde 2006.
No Twenty20, a reforma é igualmente profunda. O Mundial de 2028, na Austrália e Nova Zelândia, mantém as 20 seleções mas troca os Super Oito por uma fase de Super 10 com duas chaves de cinco equipas. O vencedor de cada grupo garante vaga direta nas meias-finais, enquanto os segundos e terceiros colocados se cruzam em duas eliminatórias — um formato que observadores em Lisboa comparam ao ‘playoff’ do IPL — para completar o quarteto de semifinalistas. A ICC justificou as alterações com a necessidade de “maior contexto, competitividade e consequência”, numa resposta implícita às críticas de que os torneios recentes tiveram demasiados jogos de resultado previsível. A federação aprovou ainda um novo trilho de qualificação para 2028, com a Escócia a receber acesso direto à final regional europeia e as vagas restantes a serem disputadas num Qualificador Global alimentado por eliminatórias continentais.
No xadrez, a Federação Internacional (FIDE) seguiu um caminho paralelo ao anunciar a reforma do ciclo do Campeonato do Mundo. A partir do Torneio de Candidatos de 2028, desaparece a vaga atribuída por rating; todos os oito lugares serão conquistados exclusivamente pelo desempenho em competições como o Grand Swiss, a Taça do Mundo, o Circuito FIDE e o novo Total Chess World Championship Tour 2026-2027, que introduz formatos de rápidas, blitz e ‘clássica rápida’. O investimento do futebolista norueguês Erling Haaland no Tour e a possível participação de Magnus Carlsen são vistos em Moscovo e em capitais europeias como um movimento para expandir a audiência global do xadrez, depois de anos de tensão entre a FIDE e circuitos comerciais que reivindicavam o selo de ‘campeonato do mundo’.
A convergência das duas reformas é notada por dirigentes desportivos em Brasília e Luanda: ambas as entidades sacrificaram a previsibilidade dos rankings em favor de uma meritocracia de alto risco, onde cada partida carrega peso eliminatório. No críquete, a nova arquitetura beneficia as potências asiáticas mas também abre janelas para nações emergentes, como as da África lusófona, que poderão encontrar na Super Series uma rampa de acesso mais curta ao convívio com as elites. No xadrez, a eliminação da vaga por rating responde a críticas antigas de que o sistema favorecia jogadores que evitavam riscos, e alinha-se com a estratégia de Dvorkovich de tornar o ciclo “mais equilibrado, transparente e baseado no rendimento”.
O próximo passo concreto será a definição dos grupos do Mundial de ODI de 2027, que a ICC ainda não divulgou, mas cujo desenho determinará quantas vezes Índia e Paquistão poderão cruzar-se — um fator que, na perspetiva de Daca e de Colombo, continuará a ditar o pulso comercial do torneio. No xadrez, o Total Chess Tour arranca em 2026 como via direta para os Candidatos, selando uma era em que o mérito competitivo se sobrepõe à reputação estática.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.20 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
O ICC otimiza o formato da Copa do Mundo para oferecer mais partidas de alto perfil.
Ao apresentar as mudanças como uma melhoria direta sem reconhecer quaisquer desvantagens, a narrativa assume que a lógica do ICC é suficiente.
O bloco atlantica omite qualquer menção à complexidade ou confusão potencial causada pelo novo formato, concentrando-se apenas no objetivo positivo de aumentar as partidas de alto perfil.
O ICC expande as oportunidades para as nações associadas com um novo torneio global.
Ao destacar o novo torneio associado e a estrutura contínua de 14 equipes, a narrativa implica que as reformas são inclusivas e orientadas para o crescimento.
O bloco golfo_arabo omite o detalhe de que o campo principal é reduzido para 12 equipes após uma rodada preliminar, apresentando o formato como ainda tendo 14 equipes.
O ICC introduz um formato desnecessariamente complexo que confunde os fãs.
Ao usar linguagem sarcástica e enfatizar a complexidade matemática, a narrativa mina as alegações de melhoria do ICC.
O bloco indiana_sudasiatica omite o objetivo declarado do ICC de aumentar as partidas de alto perfil e o novo torneio para nações associadas, destacando em vez disso a complexidade do formato.
Amplie o olhar
Reino Unido prepara sétimo primeiro-ministro em uma década com saída de Starmer e ascensão de Burnham
2 idiomas · 5 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
2 idiomas · 14 veículos
De TechnologyÍndia lança primeiro foguete orbital privado e entra em mercado de lançamentos comerciais
6 idiomas · 18 veículos