
Reino Unido prepara sétimo primeiro-ministro em uma década com saída de Starmer e ascensão de Burnham
Keir Starmer renuncia após perda de apoio no Partido Trabalhista; Andy Burnham herda economia frágil, investigação de assassinato político e aliança reforçada com a França.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou a demissão a 22 de junho e será substituído a 20 de julho por Andy Burnham, até agora presidente da Câmara da Grande Manchester. A transição, desencadeada pela perda de confiança da bancada trabalhista após sucessivas reviravoltas políticas e escândalos, fará de Burnham o sétimo chefe de governo do Reino Unido em dez anos. Starmer despediu-se esta quarta-feira do Parlamento com um discurso emotivo, afirmando deixar o país “em melhor estado” do que o encontrou, enquanto a sua ministra das Finanças, Rachel Reeves, chorava na bancada. Para Tim Bale, professor de Ciência Política na Universidade Queen Mary de Londres, o mandato de Starmer terminou em “fracasso”, sublinhando que uma maioria tão expressiva não deveria conduzir a uma saída em apenas dois anos.
A queda de popularidade do ainda primeiro-ministro foi vertiginosa: de uma aprovação líquida de -3 no início do mandato, em junho de 2024, para -66 em junho de 2025, o valor mais baixo alguma vez registado pela Ipsos para um chefe de governo britânico. Analistas em Londres atribuem o desgaste a uma série de recuos em políticas internas, à perceção de falta de rumo e à incapacidade de travar o avanço do partido de direita Reform UK, de Nigel Farage. O ambiente de crispação foi agravado pelo assassinato da antiga deputada Ann Widdecombe, encontrada morta em sua casa em Devon na passada quinta-feira. A polícia antiterrorista confirmou tratar-se de um “ataque dirigido” e investiga motivações de extremismo de esquerda, bem como a possibilidade de o suspeito planear novos atos de violência contra figuras do Reform UK. Burnham, que assumirá o cargo na segunda-feira, já apelou a uma “revisão séria” da segurança dos parlamentares.
Na frente externa, Starmer recebeu na segunda-feira a Legião de Honra no grau de Grande-Oficial das mãos do presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris. A condecoração distingue o seu papel na criação da “coligação de voluntários” de apoio à Ucrânia e no reforço da relação bilateral em matéria de segurança europeia. Apesar do reconhecimento, o legado internacional do governo cessante é ensombrado por um relatório da OCDE divulgado esta quarta-feira. A organização sediada em Paris alerta que a economia britânica continua “moderada” e vulnerável aos choques energéticos decorrentes do conflito no Médio Oriente, recomendando disciplina orçamental, revisão do sistema de pensões e investimento na eletrificação para reduzir a dependência do gás importado. O documento sublinha ainda que a redução das disparidades regionais de produtividade é “essencial” para destravar o crescimento, ecoando uma bandeira do futuro primeiro-ministro.
Burnham, que se define como defensor de um “socialismo favorável às empresas”, promete descentralizar poderes para as regiões e renacionalizar serviços públicos, numa tentativa de reconquistar o eleitorado operário que se afastou do Partido Trabalhista. A sua doutrina, apelidada de “manchestérismo”, inspira-se nos nove anos em que governou a metrópole do norte de Inglaterra. Contudo, a forma como chega ao poder — sem eleições gerais, apenas na sequência de uma eleição parcial e de uma coroação interna sem adversários — levanta dúvidas sobre a sua legitimidade aos olhos do eleitorado. O novo primeiro-ministro dispõe de uma ampla maioria parlamentar, mas enfrenta a pressão de um crescimento anémico (0,9% previsto para este ano) e de uma fatura da dívida pública que limita a margem de manobra orçamental. O Parlamento entra em recesso a 24 de julho, pelo que as grandes decisões políticas só deverão ser conhecidas a partir de setembro.
| Imprensa russa e CEI | −1.00 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | +1.00 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
Starmer's premiership has been a total failure, a leader who squandered his landslide majority and lost control of his party.
A political science professor is cited to legitimize the judgment of failure, using the word 'failure' as a definitive label.
The awarding of the Legion of Honour to Starmer and his role in the Ukraine coalition are absent, elements that could have balanced the negative judgment.
Keir Starmer received France's highest honour, a deserved recognition for his work on European security, and bid an emotional farewell to parliament.
The exceptional nature of the honour (only Churchill) and the emotion of the farewell are highlighted to create a triumphant and positive narrative.
The murder of Ann Widdecombe and criticism of Starmer's failure are omitted, as are the economic challenges Burnham will face.
The murder of Ann Widdecombe and MP security are the top priority; Starmer's failure is evident and Burnham must learn from mistakes.
The murder is linked to a broader threat to democracy, using the case to criticize Starmer's record and justify the need for a change of direction.
The French honour and recognition for Starmer's work in Ukraine are absent, as is his emotional farewell to parliament.
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