
EUA expandem ataques a pontes e aeroportos no Irã; Teerã retalia contra aliados no Golfo
Na sexta noite consecutiva de ofensiva, forças americanas atingiram infraestrutura civil no sul iraniano, enquanto a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra bases militares dos EUA no Kuwait, Bahrein, Jordânia e Síria.
Os Estados Unidos concluíram na madrugada desta sexta-feira (17) a sexta vaga consecutiva de ataques aéreos contra o Irã, expandindo os alvos para pontes, uma estação ferroviária e um aeroporto no sul do país. De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), caças, drones e navios de guerra empregaram munições de precisão contra “dezenas de alvos militares iranianos”, incluindo instalações de vigilância costeira, defesa aérea e infraestrutura logística. A televisão estatal iraniana, por sua vez, reportou que ao menos sete pessoas morreram em bombardeios a duas pontes na região de Bandar Khamir, no litoral do Estreito de Ormuz, e que projéteis atingiram o aeroporto de Iranshahr e a estação ferroviária de Bandar Abbas. O Ministério da Saúde do Irã elevou para 38 o número de mortos e mais de 400 feridos desde o recomeço das hostilidades, em 22 de junho.
A reação iraniana foi imediata e alargou o arco geográfico do conflito. A Guarda Revolucionária reivindicou ataques com mísseis balísticos e drones contra bases aéreas dos EUA na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein, além de um centro de comando de operações especiais na base de Al-Tanf, na Síria. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Mohammad Akraminia, advertiu que “se a agressão americana continuar, a guerra se expandirá para novas frentes” e que “toda a infraestrutura da região se tornará alvo legítimo” caso os EUA mantenham os ataques a pontes e centrais elétricas. Autoridades do Kuwait, Catar e Bahrein confirmaram a interceção de drones e mísseis, enquanto o governo do Catar, um dos mediadores do conflito, pediu à população que procurasse abrigo.
Na perspetiva de analistas em Lisboa e Brasília, a escalada consolida o colapso do memorando de entendimento assinado em junho com mediação paquistanesa, que previa um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçara dias antes atingir pontes e centrais elétricas iranianas caso Teerã não regressasse à mesa de negociações, ao mesmo tempo que reimpôs o bloqueio naval aos portos iranianos. O Irã, que controla de facto o estreito desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, condiciona a sua reabertura ao fim da “agressão americana” e insiste em manter arranjos de segurança próprios na via marítima por onde transitava um quinto do petróleo mundial antes do conflito.
O impasse tem repercussões diretas na economia global. Dados da consultora Kpler indicam que o tráfego diário de navios no Estreito de Ormuz caiu para cerca de uma dezena de embarcações, enquanto os preços do petróleo Brent ultrapassaram os 85 dólares por barril, com alta superior a 11% em uma semana. Mediadores como o Paquistão e a China apelaram à retoma das negociações técnicas, mas o negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã “não tem razão para aderir” a um acordo que não lhe traga benefícios. A próxima etapa esperada é uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, ainda sem data confirmada, enquanto os dois lados mantêm a troca de ataques e o bloqueio naval.
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Latin America condemns US aggression and denounces war crimes against Iranian civilians.
By emphasizing civilian casualties and the legal language of war crimes, a moral framework is created that legitimizes the condemnation of the United States.
It omits Iran's threat to target regional infrastructure, which would portray Tehran as an aggressor.
Russia projects the responsibility for the escalation onto the United States, highlighting Iran's readiness for dialogue.
By contrasting Iran's ongoing negotiations with America's unilateral violence, an image is built of Tehran as a rational actor and Washington as the aggressor.
It omits the Iranian attack on a US airbase in Jordan, which would partially justify the American response.
Atlantic analysis frames the escalation as a strategic crisis in the Strait of Hormuz, with implications for global security.
By selecting strategic targets and contextualizing the escalation within the framework of control over the Strait of Hormuz, the crisis is presented as a matter of power balance rather than morality.
It omits Iranian accusations of war crimes and the impact on civilians, which would shift focus from strategy to morality.
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