
Da ‘Mão de Deus’ a Rattín: a rivalidade Inglaterra-Argentina chega à semifinal de 2026
O duelo desta quinta-feira em Atlanta é o mais recente capítulo de uma história marcada por golos polémicos, expulsões e ecos da Guerra das Malvinas.
Foi no Estádio Azteca, em 1986, que a rivalidade entre Inglaterra e Argentina ganhou o seu episódio mais icónico. Diego Maradona, aos 51 minutos, saltou com o guarda-redes Peter Shilton e desviou a bola com o punho esquerdo para o fundo das redes. O árbitro tunisino Ali Bin Nasser validou o lance, que o astro argentino descreveria como marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e outro pouco com a mão de Deus”. Quatro minutos depois, o camisola 10 arrancou do meio-campo, driblou cinco adversários e finalizou com um toque subtil, no golo que a FIFA elegeria como o “Golo do Século”. A vitória por 2-1, que abriu caminho ao título mundial, foi vivida na Argentina como uma desforra simbólica pela derrota na Guerra das Malvinas, conflito que quatro anos antes custara centenas de vidas.
A génese da animosidade, porém, remonta a 1966. No Estádio de Wembley, o capitão argentino Antonio Rattín foi expulso de forma confusa pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein, que alegou “violência verbal” sem que ambos partilhassem uma língua comum. Rattín demorou quase dez minutos a abandonar o relvado, amachucou uma bandeirola de canto com a Union Jack e sentou-se no tapete vermelho destinado à Rainha Isabel II. O selecionador inglês Alf Ramsey classificou os argentinos como “animais” e proibiu a troca de camisolas. O episódio levou a FIFA a introduzir os cartões amarelo e vermelho no Mundial seguinte. A morte de Rattín, aos 89 anos, coincidiu com o dia em que ambas as seleções garantiram a presença nas meias-finais de 2026, reavivando a memória do “robo del siglo”, como lhe chamam na imprensa de Buenos Aires.
Os confrontos seguintes mantiveram o tom de drama. Em 1998, David Beckham foi expulso por um pontapé em Diego Simeone, num jogo em que Michael Owen, então com 18 anos, marcou um golo antológico. Inglaterra resistiu com dez homens, mas caiu nos penáltis. Beckham tornou-se o rosto da derrota no Reino Unido, enquanto Simeone admitiria mais tarde ter provocado o adversário. Quatro anos depois, no Japão, o mesmo Beckham converteu uma grande penalidade sofrida por Michael Owen sobre Mauricio Pochettino, selando o triunfo inglês por 1-0 e a eliminação precoce da Argentina na fase de grupos.
Agora, em Atlanta, as duas seleções reencontram-se com a final à vista. A Argentina, que após a vitória nos quartos de final sobre a Suíça festejou com cânticos alusivos às Malvinas, a Diego e à “última” de Messi, procura chegar à segunda final consecutiva. A Inglaterra, com Jude Bellingham e Harry Kane como figuras, tenta regressar a uma decisão 60 anos depois do título em casa. Do outro lado, a Espanha já aguarda, depois de eliminar a França. O vencedor em Atlanta disputará o troféu no próximo domingo.
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
| Imprensa africana subsaariana | +0.20 | neutral |
O narrador latino-americano vê o jogo como uma continuação das injustiças históricas, colocando-se ao lado da Argentina na busca por redenção.
Ao destacar o erro arbitral de 1966 e a polêmica da 'Mão de Deus', cria-se uma narrativa de vitimização que justifica a rivalidade atual.
Deixa de mencionar a partida de 1962, quando a Inglaterra venceu sem controvérsias, e o contexto político das Malvinas.
The Atlantic observer condemns the ugliness of the rivalry, taking a neutral but critical stance against both sides' misconduct.
By cataloguing a series of infamous incidents (Hand of God, Beckham's kick, Ramsey's comment), the narrative builds an image of inevitable conflict and moral decay.
Omits the political dimension of the Falklands/Malvinas and the emotional chants from Argentine fans, focusing only on on-field incidents.
The continental European reporter adopts a detached, technical tone, explaining the origin of the cards without taking sides.
By focusing on a single 1966 episode and its regulatory consequence, the rivalry is depoliticized and reduced to a matter of rules.
Omits the more famous episodes like the 1986 'Hand of God' and the political context of the Falklands, which would have made the narrative more emotional.
The sub-Saharan African narrator celebrates the iconic moments of the rivalry, particularly Maradona's genius, taking a slightly pro-Argentina stance.
By framing the rivalry through the lens of legendary performances and records, the narrative elevates the match to a historic spectacle, downplaying the bitterness.
Omits the controversial and violent aspects of the rivalry, such as the 1966 brawl and the political chants, focusing instead on footballing brilliance.
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