
China expulsa ex-líder de Xinjiang do Partido Comunista em nova purga anticorrupção
Ma Xingrui, terceiro membro do Politburo a cair desde 2022, é acusado de corrupção, abuso de poder e troca de favores sexuais, no âmbito da campanha de Xi Jinping.
O Partido Comunista da China expulsou esta terça-feira Ma Xingrui, antigo secretário do partido para a região de Xinjiang e membro do Politburo, e destituiu-o de todos os cargos públicos. A decisão, anunciada pela agência noticiosa estatal Xinhua, baseia-se num relatório da Comissão Central de Inspeção Disciplinar que o acusa de “graves violações da disciplina política”, corrupção, abuso de poder e transações de “poder por sexo” e “dinheiro por sexo”. O caso será agora remetido para o Ministério Público, sendo expectável a abertura de um processo-crime e o confisco de bens, segundo o procedimento habitual nestes processos.
A queda de Ma insere-se na vasta campanha anticorrupção conduzida pelo Presidente Xi Jinping desde 2012, que já atingiu centenas de altos funcionários civis e militares. De acordo com observadores em Moscovo, a ofensiva visa reforçar o controlo de Xi sobre o aparelho partidário e estatal, num contexto em que só em 2025 os tribunais chineses julgaram 36 mil casos de corrupção, um aumento de 22,4% face ao ano anterior. Ma, engenheiro aeroespacial de formação e antigo responsável pelo programa espacial tripulado chinês, é o terceiro membro do Politburo a ser investigado e expulso na atual legislatura, iniciada em 2022, depois dos generais Zhang Youxia e He Weidong, antigos vice-presidentes da Comissão Militar Central. A purga no setor aeroespacial e de defesa tem sido particularmente intensa: vários antigos subordinados de Ma na indústria espacial e na administração de ciência e tecnologia para a defesa nacional foram também investigados ou acusados nos últimos meses.
A passagem de Ma pela liderança de Xinjiang, entre 2021 e 2025, acrescenta uma dimensão regional ao caso. A província, de maioria muçulmana uigur, foi palco de uma severa política de segurança lançada por Pequim em nome da luta antiterrorista, na sequência de ataques violentos até meados da década de 2010. Organizações de direitos humanos e um relatório de 2022 da antiga alta-comissária da ONU, Michelle Bachelet, apontaram a possibilidade de crimes contra a humanidade na região. A substituição de Ma no cargo, no ano passado, e a sua posterior expulsão ocorrem num momento em que a China procura projetar estabilidade em Xinjiang, ao mesmo tempo que a campanha anticorrupção sinaliza que nem os quadros com responsabilidades em regiões sensíveis estão imunes.
Em Brasília, diplomatas acompanham o caso com atenção, dado o peso dos investimentos chineses no Brasil e a cooperação espacial bilateral, nomeadamente no programa sino-brasileiro de satélites CBERS. Analistas em Lisboa notam que a sucessão de expurgos nos setores aeroespacial e militar pode ter implicações na governação das empresas estatais chinesas com presença em países lusófonos, como Angola e Moçambique, onde a China mantém importantes projetos de infraestruturas. O anúncio público da investigação, que na prática antecipa uma condenação quase certa, sublinha, na perspetiva de Pequim, a determinação em levar a luta anticorrupção até aos mais altos escalões do poder, num momento em que o terceiro mandato de Xi Jinping consolida a sua autoridade sobre o partido e o Estado.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
China is accused of tolerating moral corruption at the top.
A single case is isolated and turned into a story of personal degeneration, avoiding connection to Xi Jinping's anti-corruption campaign.
The broader anti-corruption campaign context is omitted, which could present the expulsion as a sign of effectiveness.
The Chinese Communist Party acts according to its own rules to maintain discipline.
Official Chinese language is adopted, presenting the expulsion as an internal procedure rather than a scandal.
Specific allegations of sex-for-favors are omitted, which would have made the story more scandalous.
China is a system that periodically purges its top ranks to maintain control.
The episode is placed in a series of purges, suggesting a systemic pattern rather than an isolated case.
The official Chinese perspective justifying the action as an anti-corruption fight is omitted, favoring a critical reading.
Amplie o olhar
Petróleo Brent supera US$ 90 com escalada de ataques entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
8 idiomas · 21 veículos
De TechnologyModelo chinês Kimi K3 abala mercados e reacende debate sobre IA aberta
4 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthDecisão judicial colombiana redefine acesso a cirurgias plásticas reconstrutivas
3 idiomas · 6 veículos