
Mil dias de guerra em Gaza: crise humanitária e impasse político marcam aniversário
Com mais de 73 mil mortos e 21 mil crianças entre as vítimas, o cessar-fogo mediado pelos EUA permanece frágil, enquanto Israel enfrenta protestos internos e a reconstrução de Gaza está paralisada.
A guerra na Faixa de Gaza atingiu esta quinta-feira a marca de mil dias, desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, cujos números são considerados fiáveis pelas Nações Unidas, mais de 73 mil palestinianos foram mortos na ofensiva israelita, incluindo pelo menos 21 mil crianças, de acordo com a organização Save the Children. O cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025 não travou a violência: mais de mil palestinianos morreram desde então, e as forças israelitas controlam cerca de 70% do território. Em Israel, o marco foi assinalado com protestos de familiares das vítimas e apelos à criação de uma comissão estatal de inquérito, rejeitada pelo governo de Benjamin Netanyahu.
A posição do executivo israelita, reiterada pelo primeiro-ministro em sucessivas declarações, assenta na doutrina de que “só os fortes sobrevivem” no Médio Oriente, justificando a manutenção de operações militares e a recusa em abandonar o sul do Líbano enquanto o Hezbollah representar uma ameaça. Do lado palestiniano, as autoridades de Gaza denunciam uma catástrofe humanitária sem precedentes e exigem o fim dos ataques e o levantamento do bloqueio. O principal obstáculo à implementação da fase seguinte do acordo mediado pelos EUA — que prevê o desarmamento do Hamas, uma nova administração para Gaza e o início da reconstrução — continua a ser a exigência de que o grupo islamita entregue todo o seu arsenal, algo que o Hamas apenas aceita parcialmente.
As implicações humanitárias são devastadoras. Cerca de 80% dos menores de Gaza estão deslocados, 245 mil encontram-se em risco de malnutrição e 625 mil perderam três anos de escolaridade, segundo dados de agências da ONU e da Save the Children. A quase totalidade das infraestruturas civis foi danificada, e a entrada de materiais de construção permanece bloqueada. Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, a dimensão da crise reforça os apelos da comunidade internacional, incluindo os governos português e brasileiro, por um cessar-fogo definitivo e pela retoma da ajuda humanitária em larga escala, mas as divisões no Conselho de Segurança da ONU têm limitado ações concretas.
O conflito desencadeou ainda uma reconfiguração regional. Israel expandiu operações para a Síria e o Líbano, enfraqueceu o Irão e os seus representantes, mas, segundo analistas do Médio Oriente, viu aumentar o seu isolamento diplomático, com novos alinhamentos entre Riade, Doha e Ancara. A relação com os EUA, crucial para a estratégia israelita, já não pode ser dada como garantida. Internamente, Netanyahu enfrenta uma pressão crescente: a maioria dos israelitas apoia a criação de uma comissão de inquérito, e as eleições de outubro de 2026 são vistas como um momento decisivo. Até lá, o impasse sobre o futuro de Gaza e a ausência de um plano político abrangente mantêm a região num equilíbrio precário.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Mil dias após o ataque de 7 de outubro, a sociedade israelense é abalada por protestos e memoriais, com crescentes apelos por uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas que permitiram o massacre. O clima político está tenso antes das eleições, e muitos veem o primeiro-ministro Netanyahu como tendo sobrevivido politicamente sobre o trauma nacional, enquanto a verdade sobre os eventos é ferozmente contestada.
No milésimo dia da operação Tempestade de Al-Aqsa, o genocídio do regime sionista em Gaza causou uma catástrofe humanitária com milhões de deslocados e destruição generalizada. Os protestos internos contra Netanyahu expõem o fracasso e a crise profunda do regime ocupante.
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