
Lambidas entre gatos podem esconder intimidação, revela estudo; sinais sutis redefinem a comunicação com animais de estimação
Investigadores na Bélgica identificaram que a higiene mútua felina nem sempre é afiliativa — em 20% dos casos observados provocou incómodo —, enquanto especialistas na Europa e no Brasil alertam para a necessidade de ler a linguagem corporal de cães e gatos para evitar emergências e mal-entendidos.
Um estudo da Universidade de Gante, na Bélgica, que analisou vídeos de 106 gatos em 53 lares europeus, altera a compreensão de um dos gestos mais associados ao afeto entre felinos: lamber outro gato. Publicado na Applied Animal Behaviour Science, o trabalho revela que, embora a maioria das lambidas se concentre na cabeça e no pescoço — zonas de difícil acesso para a autolimpeza —, cerca de 20% das interações de allogrooming provocaram rotação das orelhas para trás, abanar de cabeça e até mordidas, sinais de irritação ou medo. Os investigadores identificaram dois contextos distintos: vínculo social, com posturas espelhadas e proximidade, e tensão social, em que um gato se impõe fisicamente e lambe o outro de forma insistente, muitas vezes para o afastar de um local ensolarado ou de um recurso, sem recorrer a confronto direto.
A descoberta insere-se num movimento mais amplo de releitura da comunicação não verbal dos animais de companhia. Na perspetiva de especialistas em comportamento canino no Brasil, o segredo para uma convivência pacífica está em aprender a “língua do cão”: antes de comandos verbais, é preciso alinhar intenção, emoção e ação, pois os cães leem o mundo pela energia, postura e rotina dos tutores. Um tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso; um ambiente com regras inconsistentes — em que subir ao sofá é permitido num dia e proibido no outro — não é interpretado como desobediência, mas como confusão face a um sistema que muda constantemente. A mesma lógica se aplica aos gatos: ignorar bocejos, desvios de olhar ou alterações na respiração sabota o diálogo e pode agravar distúrbios comportamentais.
A atenção aos sinais corporais tem também implicações diretas na saúde. Um treinador cinófilo italiano alerta que, durante o calor, o momento em que a língua do cão se arqueia para dentro da boca enquanto arfa indica que o animal entrou em emergência médica e precisa parar imediatamente. Já o hábito de dormir com o tutor, analisado por condutistas norte-americanos, é interpretado como reforço do vínculo e redução do stresse, desde que o cão demonstre postura solta e respiração pausada; inquietação ou rigidez sugerem desconforto. No caso dos gatos, o ato de cheirar o rosto do dono durante o sono, muitas vezes visto como manha, é explicado por especialistas na Indonésia como uma forma de recolha de informação olfativa — a respiração e as alterações químicas da pele revelam identidade, estado emocional e até condições de saúde.
Os achados convergem para uma mesma conclusão: a convivência com animais de estimação exige uma literacia corporal que vai além do senso comum. A ideia de que um gato que lambe é sempre amigável ou de que um cão que desobedece é teimoso está a ser substituída por uma leitura mais fina dos contextos e das motivações. O próximo passo, segundo os investigadores belgas, é aprofundar o estudo da dinâmica social em lares com vários gatos, onde tensões crónicas podem passar despercebidas. Para tutores, a recomendação prática é observar sem projetar: um olhar firme, uma pausa consciente ou o respeito pelo espaço do animal comunicam mais do que palavras.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
Os cientistas estão começando a suspeitar que a lambida entre gatos pode ser um método sutil de tormento.
Ao usar a expressão 'talvez só para irritar', o texto adota um tom coloquial que torna a descoberta menos alarmante e mais próxima do leitor.
Não menciona o nome da pesquisadora nem os grupos comportamentais específicos analisados, reduzindo a especificidade científica.
Um novo estudo descobriu que gatos se lambendo mutuamente podem ser um sinal de malícia em vez de amizade.
O uso da palavra 'sinistro' e a ênfase na malícia criam uma sensação de alarme e transformam um comportamento comum em um potencial sinal de conflito.
Não menciona que a higienização mútua é comum em muitos animais, omitindo o contexto evolutivo que poderia normalizar o comportamento.
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