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Ciência e Saúdeterça-feira, 14 de julho de 2026

Lambidas entre gatos podem esconder intimidação, revela estudo; sinais sutis redefinem a comunicação com animais de estimação

Investigadores na Bélgica identificaram que a higiene mútua felina nem sempre é afiliativa — em 20% dos casos observados provocou incómodo —, enquanto especialistas na Europa e no Brasil alertam para a necessidade de ler a linguagem corporal de cães e gatos para evitar emergências e mal-entendidos.

Um estudo da Universidade de Gante, na Bélgica, que analisou vídeos de 106 gatos em 53 lares europeus, altera a compreensão de um dos gestos mais associados ao afeto entre felinos: lamber outro gato. Publicado na Applied Animal Behaviour Science, o trabalho revela que, embora a maioria das lambidas se concentre na cabeça e no pescoço — zonas de difícil acesso para a autolimpeza —, cerca de 20% das interações de allogrooming provocaram rotação das orelhas para trás, abanar de cabeça e até mordidas, sinais de irritação ou medo. Os investigadores identificaram dois contextos distintos: vínculo social, com posturas espelhadas e proximidade, e tensão social, em que um gato se impõe fisicamente e lambe o outro de forma insistente, muitas vezes para o afastar de um local ensolarado ou de um recurso, sem recorrer a confronto direto.

A descoberta insere-se num movimento mais amplo de releitura da comunicação não verbal dos animais de companhia. Na perspetiva de especialistas em comportamento canino no Brasil, o segredo para uma convivência pacífica está em aprender a “língua do cão”: antes de comandos verbais, é preciso alinhar intenção, emoção e ação, pois os cães leem o mundo pela energia, postura e rotina dos tutores. Um tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso; um ambiente com regras inconsistentes — em que subir ao sofá é permitido num dia e proibido no outro — não é interpretado como desobediência, mas como confusão face a um sistema que muda constantemente. A mesma lógica se aplica aos gatos: ignorar bocejos, desvios de olhar ou alterações na respiração sabota o diálogo e pode agravar distúrbios comportamentais.

A atenção aos sinais corporais tem também implicações diretas na saúde. Um treinador cinófilo italiano alerta que, durante o calor, o momento em que a língua do cão se arqueia para dentro da boca enquanto arfa indica que o animal entrou em emergência médica e precisa parar imediatamente. Já o hábito de dormir com o tutor, analisado por condutistas norte-americanos, é interpretado como reforço do vínculo e redução do stresse, desde que o cão demonstre postura solta e respiração pausada; inquietação ou rigidez sugerem desconforto. No caso dos gatos, o ato de cheirar o rosto do dono durante o sono, muitas vezes visto como manha, é explicado por especialistas na Indonésia como uma forma de recolha de informação olfativa — a respiração e as alterações químicas da pele revelam identidade, estado emocional e até condições de saúde.

Os achados convergem para uma mesma conclusão: a convivência com animais de estimação exige uma literacia corporal que vai além do senso comum. A ideia de que um gato que lambe é sempre amigável ou de que um cão que desobedece é teimoso está a ser substituída por uma leitura mais fina dos contextos e das motivações. O próximo passo, segundo os investigadores belgas, é aprofundar o estudo da dinâmica social em lares com vários gatos, onde tensões crónicas podem passar despercebidas. Para tutores, a recomendação prática é observar sem projetar: um olhar firme, uma pausa consciente ou o respeito pelo espaço do animal comunicam mais do que palavras.

Divergência — quem conta como
15%Baixa
2 blocos · posições de −0.30 a 0.00
CríticoFavorável
LATATL
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa latino-americana0.00neutral
Imprensa atlântica / anglosfera−0.30critical
Os pesquisadores e donos de gatos diretamente envolvidos na história não estão representados entre os blocos de imprensa analizados.
Imprensa latino-americana0.00
Voz

Os cientistas estão começando a suspeitar que a lambida entre gatos pode ser um método sutil de tormento.

Mecanismoironizzazione

Ao usar a expressão 'talvez só para irritar', o texto adota um tom coloquial que torna a descoberta menos alarmante e mais próxima do leitor.

Omissão

Não menciona o nome da pesquisadora nem os grupos comportamentais específicos analisados, reduzindo a especificidade científica.

CeticismoIronia
Imprensa atlântica / anglosfera−0.30
Voz

Um novo estudo descobriu que gatos se lambendo mutuamente podem ser um sinal de malícia em vez de amizade.

Mecanismosensazionalizzazione

O uso da palavra 'sinistro' e a ênfase na malícia criam uma sensação de alarme e transformam um comportamento comum em um potencial sinal de conflito.

Omissão

Não menciona que a higienização mútua é comum em muitos animais, omitindo o contexto evolutivo que poderia normalizar o comportamento.

AlarmeCeticismo

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terça-feira, 14 de julho de 2026

Lambidas entre gatos podem esconder intimidação, revela estudo; sinais sutis redefinem a comunicação com animais de estimação

Investigadores na Bélgica identificaram que a higiene mútua felina nem sempre é afiliativa — em 20% dos casos observados provocou incómodo —, enquanto especialistas na Europa e no Brasil alertam para a necessidade de ler a linguagem corporal de cães e gatos para evitar emergências e mal-entendidos.

Um estudo da Universidade de Gante, na Bélgica, que analisou vídeos de 106 gatos em 53 lares europeus, altera a compreensão de um dos gestos mais associados ao afeto entre felinos: lamber outro gato. Publicado na Applied Animal Behaviour Science, o trabalho revela que, embora a maioria das lambidas se concentre na cabeça e no pescoço — zonas de difícil acesso para a autolimpeza —, cerca de 20% das interações de allogrooming provocaram rotação das orelhas para trás, abanar de cabeça e até mordidas, sinais de irritação ou medo. Os investigadores identificaram dois contextos distintos: vínculo social, com posturas espelhadas e proximidade, e tensão social, em que um gato se impõe fisicamente e lambe o outro de forma insistente, muitas vezes para o afastar de um local ensolarado ou de um recurso, sem recorrer a confronto direto.

A descoberta insere-se num movimento mais amplo de releitura da comunicação não verbal dos animais de companhia. Na perspetiva de especialistas em comportamento canino no Brasil, o segredo para uma convivência pacífica está em aprender a “língua do cão”: antes de comandos verbais, é preciso alinhar intenção, emoção e ação, pois os cães leem o mundo pela energia, postura e rotina dos tutores. Um tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso; um ambiente com regras inconsistentes — em que subir ao sofá é permitido num dia e proibido no outro — não é interpretado como desobediência, mas como confusão face a um sistema que muda constantemente. A mesma lógica se aplica aos gatos: ignorar bocejos, desvios de olhar ou alterações na respiração sabota o diálogo e pode agravar distúrbios comportamentais.

A atenção aos sinais corporais tem também implicações diretas na saúde. Um treinador cinófilo italiano alerta que, durante o calor, o momento em que a língua do cão se arqueia para dentro da boca enquanto arfa indica que o animal entrou em emergência médica e precisa parar imediatamente. Já o hábito de dormir com o tutor, analisado por condutistas norte-americanos, é interpretado como reforço do vínculo e redução do stresse, desde que o cão demonstre postura solta e respiração pausada; inquietação ou rigidez sugerem desconforto. No caso dos gatos, o ato de cheirar o rosto do dono durante o sono, muitas vezes visto como manha, é explicado por especialistas na Indonésia como uma forma de recolha de informação olfativa — a respiração e as alterações químicas da pele revelam identidade, estado emocional e até condições de saúde.

Os achados convergem para uma mesma conclusão: a convivência com animais de estimação exige uma literacia corporal que vai além do senso comum. A ideia de que um gato que lambe é sempre amigável ou de que um cão que desobedece é teimoso está a ser substituída por uma leitura mais fina dos contextos e das motivações. O próximo passo, segundo os investigadores belgas, é aprofundar o estudo da dinâmica social em lares com vários gatos, onde tensões crónicas podem passar despercebidas. Para tutores, a recomendação prática é observar sem projetar: um olhar firme, uma pausa consciente ou o respeito pelo espaço do animal comunicam mais do que palavras.

Divergência — quem conta como
15%Baixa
2 blocos · posições de −0.30 a 0.00
CríticoFavorável
LATATL
Divergência entre blocos de imprensa
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Os pesquisadores e donos de gatos diretamente envolvidos na história não estão representados entre os blocos de imprensa analizados.
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Os cientistas estão começando a suspeitar que a lambida entre gatos pode ser um método sutil de tormento.

Mecanismoironizzazione

Ao usar a expressão 'talvez só para irritar', o texto adota um tom coloquial que torna a descoberta menos alarmante e mais próxima do leitor.

Omissão

Não menciona o nome da pesquisadora nem os grupos comportamentais específicos analisados, reduzindo a especificidade científica.

CeticismoIronia
Imprensa atlântica / anglosfera−0.30
Voz

Um novo estudo descobriu que gatos se lambendo mutuamente podem ser um sinal de malícia em vez de amizade.

Mecanismosensazionalizzazione

O uso da palavra 'sinistro' e a ênfase na malícia criam uma sensação de alarme e transformam um comportamento comum em um potencial sinal de conflito.

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Não menciona que a higienização mútua é comum em muitos animais, omitindo o contexto evolutivo que poderia normalizar o comportamento.

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