
Kim Jong-un reafirma estatuto nuclear e acelera rearmamento; Japão rejeita acusações
Líder norte-coreano declara irreversível a condição de potência atómica e ordena construção de cruzador de mísseis, enquanto Tóquio insiste na política de autodefesa.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, declarou no encerramento de uma reunião do Partido dos Trabalhadores que exercer plenamente a posição de Estado com armas nucleares é “a via mais correta e singular” para enfrentar a situação internacional. A agência estatal KCNA reportou que o plenário aprovou por unanimidade a expansão acelerada das forças nucleares e convencionais, incluindo a construção de um cruzador estratégico de 10 mil toneladas equipado com mísseis guiados. Em Tóquio, o porta-voz do governo, Minoru Kihara, rejeitou as acusações de Kim de que o Japão se estaria a transformar numa “potência militar”, sublinhando que a política de autodefesa permanece inalterada e limitada ao mínimo necessário.
Na perspetiva de Pyongyang, a modernização militar dos Estados Unidos e da Coreia do Sul — incluindo exercícios conjuntos, o Grupo Consultivo Nuclear bilateral e as ambições de Seul de adquirir submarinos nucleares — está a empurrar a península coreana “para à beira de uma guerra nuclear”. Kim acusou ainda Washington de agravar a violência na Europa e no Médio Oriente com uma conduta “gangsteril”, e criticou o Japão por aproveitar a conjuntura para se libertar das restrições militares do pós-guerra. Observadores em Pequim notam que a retórica contra Tóquio ecoa as recentes advertências chinesas contra o “ressurgimento do militarismo” japonês, num momento em que a primeira-ministra Sanae Takaichi reforça as capacidades de defesa do arquipélago.
Analistas em Seul interpretam a linguagem do plenário como o encerramento definitivo de qualquer espaço para negociações de desnuclearização. A fórmula de “dissuasão baseada na tecnologia nuclear” e a referência a uma “linha de não-retorno”, já enunciada pela irmã do líder, Kim Yo-jong, consolidam a exigência de Pyongyang de ser reconhecida como potência nuclear de facto, eventualmente disponível apenas para conversações sobre redução de arsenais, e não sobre desmantelamento. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, revelou após a cimeira do G7 em França que Donald Trump considerou ser o momento de “prestar atenção à questão norte-coreana”, e que ambos concordaram que as sanções têm sido ineficazes.
O dossier nuclear da península permanece num impasse profundo. As Coreias continuam tecnicamente em guerra desde o armistício de 1953, e Pyongyang está sob múltiplas sanções da ONU e dos EUA, que proíbem o desenvolvimento de mísseis balísticos e armas atómicas. A reunião do partido determinou ainda a modernização da indústria do carvão, principal recurso energético do país, e a destituição do antigo primeiro-ministro Kim Jae-ryong do presidium do Politburo, sem explicação oficial. Não foram anunciadas datas para eventuais contactos diplomáticos, enquanto a Coreia do Norte prossegue a execução dos planos de reforço militar ordenados por Kim.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O líder norte-coreano declarou que o status nuclear do seu país é irreversível e a única resposta à ganância gangster dos Estados Unidos, que alimenta o derramamento de sangue na Europa e no Oriente Médio. Ordenou a construção de um navio de guerra de 10.000 toneladas e a aceleração do reforço militar. Pyongyang apresenta sua postura nuclear como um escudo indispensável contra as ambições hegemônicas de Washington.
Kim Jong Un instou a Coreia do Norte a superar o mundo inteiro no reforço militar, enquadrando a expansão das forças nucleares como a única resposta adequada à deterioração da segurança internacional. Apontou a modernização das forças armadas regionais com apoio dos EUA e as contínuas provocações do Sul. O partido no poder aprovou por unanimidade a aceleração das capacidades defensivas do país para se manter à frente das ameaças globais.
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