
ONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz
Plano coordenado pela Organização Marítima Internacional avança enquanto EUA e Irão divergem sobre inspeções nucleares e a cobrança de taxas na via marítima.
A Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU, anunciou nesta terça-feira o início de uma operação de grande escala para evacuar mais de 11 mil marinheiros que permaneciam retidos no Golfo Pérsico, em consequência do conflito entre Estados Unidos e Irão. A iniciativa, coordenada com Omã, Irão, os demais Estados costeiros, Washington e a indústria naval, prevê a utilização de dois corredores temporários no Estreito de Ormuz e a notificação individual dos navios para a saída faseada. O secretário-geral Arsenio Dominguez afirmou ter obtido “as garantias de segurança necessárias” e verificado as condições de navegação. Desde a assinatura do memorando de cessar-fogo, a 18 de junho, pelo menos 172 embarcações já atravessaram o estreito, mas o fluxo diário permanece muito abaixo da média de 138 travessias registada antes da guerra.
A evacuação decorre num contexto de divergências persistentes entre Washington e Teerã sobre os termos do entendimento provisório. A administração norte-americana sustenta que o Irão se comprometeu a permitir inspeções robustas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) às instalações nucleares bombardeadas durante a ofensiva de 2025. O vice-presidente JD Vance e o presidente Donald Trump reiteraram essa condição como essencial para o prosseguimento das negociações. Teerã, porém, nega ter aceitado tal mecanismo: o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, declarou que “não está prevista” qualquer inspeção aos locais danificados, e o presidente Masoud Pezeshkian sublinhou que a capacidade de defesa do país, incluindo mísseis, “nunca será negociada”.
Outro foco de tensão é o futuro regime de passagem pelo Estreito de Ormuz, via por onde transitava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente. Irão e Omã anunciaram a intenção de administrar conjuntamente a hidrovia e estudam a cobrança de taxas pelos serviços de segurança e coordenação. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reagiu durante uma visita aos Emirados Árabes Unidos, afirmando que “nenhum país está autorizado a cobrar portagens numa via navegável internacional”. O negociador-chefe iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que a administração do estreito “nunca voltará a ser o que era antes da guerra”. Para economias fortemente dependentes da importação de hidrocarbonetos e fertilizantes, como a brasileira e a portuguesa, a normalização do tráfego é considerada crucial para conter a volatilidade dos preços, que durante o bloqueio superaram os 100 dólares por barril de Brent.
O acordo preliminar, mediado pelo Paquistão e pelo Catar, estabeleceu um prazo de 60 dias para a negociação de um tratado definitivo, com equipas técnicas já reunidas na Suíça. A violência pontual no sul do Líbano, onde disparos israelitas fizeram duas vítimas no fim de semana, recorda a fragilidade da trégua e a exigência iraniana de um cessar-fogo abrangente como parte de qualquer acerto global. Enquanto Rubio prossegue uma digressão pelos Estados do Golfo e Pezeshkian visita o Paquistão, a OMI comprometeu-se a publicar relatórios diários sobre a evacuação. O dossier permanece em aberto, com a perspetiva de novas rondas negociais e a ameaça de rebloqueio caso a situação no Líbano se degrade.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A agência marítima da ONU começou a contactar os navios para evacuar 11.000 marinheiros retidos no Golfo Pérsico, após o cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos. A operação de grande escala está a ser realizada em cooperação com os Estados costeiros e com as garantias de segurança necessárias.
Um plano das Nações Unidas está em curso para evacuar 11.000 marinheiros retidos através do Estreito de Ormuz, na sequência de um acordo de cessar-fogo. A Organização Marítima Internacional obteve garantias de segurança e está a coordenar a operação com o Irão, Omã e outros Estados costeiros.
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