
OMI inicia retirada de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz
Operação coordenada com Irão, Omã e EUA visa mitigar crise humanitária e normalizar tráfego no canal estratégico, após acordo que reabriu a passagem.
A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou nesta terça-feira o início da evacuação de mais de 11 mil marinheiros que permaneciam retidos em cerca de 500 a 600 navios no Estreito de Ormuz, em consequência do encerramento da via marítima durante a guerra entre os Estados Unidos e o Irão. A operação, descrita como de grande escala, decorre em cooperação estreita com o Irão, Omã, os restantes Estados costeiros da região, os EUA e o setor de transporte marítimo, depois de a OMI ter recebido garantias de segurança e verificado as condições de navegação segura, segundo o secretário-geral Arsenio Dominguez.
O Irão e Omã, como Estados ribeirinhos, divulgaram uma declaração conjunta em que reafirmam o compromisso com a passagem segura pelo estreito, em conformidade com o direito internacional, mas insistem na soberania sobre as suas águas territoriais. Ambos acordaram criar um comité conjunto entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros para negociar a futura administração da navegação, os serviços associados e os respetivos custos, de acordo com padrões internacionais. Por seu lado, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, qualificou Ormuz como 'via marítima internacional' e rejeitou a imposição de taxas ou impostos à passagem. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou, contudo, que as condições no estreito 'não voltarão ao que eram antes da guerra', sinalizando a intenção de Teerão de manter supervisão sobre o canal.
O tráfego marítimo regista uma recuperação gradual desde que, na semana passada, um memorando de entendimento entre Washington e Teerão permitiu a reabertura do estreito. Na segunda-feira, pelo menos 36 navios de carga cruzaram Ormuz, o número mais elevado desde o início do conflito, embora ainda represente apenas um terço da média diária de 120 embarcações em tempos de paz. A normalização reduz a pressão sobre os preços globais do petróleo, com reflexos diretos nas economias lusófonas. Na perspetiva de Brasília, a estabilização do canal atenua a volatilidade dos combustíveis no mercado brasileiro. Observadores em Lisboa notam um alívio para os custos de importação energética de Portugal, enquanto em Luanda analistas do setor petrolífero consideram que a reabertura facilita o escoamento das exportações angolanas para os mercados asiáticos.
O Estreito de Ormuz foi encerrado pelo Irão no final de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel terem desencadeado o conflito. O bloqueio interrompeu o fluxo de cerca de 20% das exportações mundiais de energia e provocou a retenção de milhares de tripulantes. Com o plano de evacuação agora em curso, serão utilizados dois corredores marítimos temporários, definidos por Omã e comunicados pela OMI, que contactará cada navio individualmente. A organização publicará relatórios diários sobre as saídas. O dossiê prossegue no plano diplomático: o comité bilateral Irão-Omã deverá iniciar em breve as discussões sobre o modelo de gestão futura da navegação no estreito, enquanto a OMI monitoriza o regresso à normalidade operacional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As Nações Unidas anunciaram o início da evacuação de mais de 11.000 marinheiros retidos no Estreito de Ormuz. A operação está a ser conduzida em estreita coordenação com o Irão, Omã, todos os outros Estados costeiros, os Estados Unidos e a indústria naval, após a obtenção de garantias de segurança e a verificação das condições de passagem segura. A iniciativa reflete um esforço multilateral pragmático para resolver um estrangulamento marítimo.
O organismo marítimo da ONU iniciou a evacuação de mais de 11.000 marinheiros retidos no Golfo Pérsico na sequência da guerra entre os Estados Unidos e o regime iraniano. A operação de grande escala, coordenada com Teerão, Mascate e outros Estados costeiros, foi lançada após a verificação das garantias de segurança. A evacuação sublinha o custo humanitário do conflito e a necessidade de restabelecer a passagem segura por uma via navegável vital.
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