
Petkovic rejeita cálculos e impõe vitória como único destino da Argélia
Técnico afasta especulações sobre evitar a Espanha e afirma que os argelinos devem selar a classificação com as próprias mãos diante da Áustria, em jogo que vale a vaga direta nas oitavas de final.
A véspera do duelo decisivo em Kansas City foi convertida por Vladimir Petkovic num manifesto de autonomia. Na sala de imprensa do Arrowhead Stadium, o técnico da Argélia descartou qualquer cálculo que não passasse pela imposição do próprio jogo. “Temos de ser donos do nosso destino”, sentenciou, rejeitando abertamente a hipótese de administrar o resultado para evitar um cruzamento com a Espanha na fase seguinte. A declaração, repercutida com destaque na imprensa brasileira e nos veículos do Magrebe, fixou o tom de uma concentração que, segundo relatos vindos de Argel, mistura disciplina militar e a memória afetiva da épica classificação de 1982, exibida em vídeo ao elenco.
A matemática da décima chave explica a tensão. Argentina já garantiu a liderança com seis pontos; Jordânia, zerada, deu adeus. Argélia e Áustria somam três pontos cada, separadas apenas pelo saldo de gols, o que transforma o confronto direto numa final antecipada. Petkovic reconheceu a qualidade do adversário — “um time ferido e feroz”, com pressão alta e transições rápidas —, mas lembrou que vários de seus jogadores atuam na Bundesliga e conhecem bem o perfil austríaco. A confiança do treinador ecoa a leitura de analistas do mundo árabe, que veem na postura do sucessor de Djamel Belmadi uma tentativa de blindar o grupo contra o ruído externo.
Esse ruído, de facto, cresceu nas últimas horas. Ex-jogadores e comentadores locais intensificaram críticas à equipa e ao treinador, acusados de exibirem fragilidades defensivas, sobretudo no primeiro tempo da vitória por 2-1 sobre a Jordânia. Petkovic respondeu sem se desviar do roteiro: “Olho sempre para o lado positivo”. A imprensa argelina, por sua vez, denunciou o que classifica como “campanhas metódicas” para desestabilizar os “Guerreiros do Deserto”, sublinhando que o silêncio e o foco dos jogadores são a única réplica possível antes de a bola rolar.
No plano físico, o ataque perdeu o velocista Mohamed Amoura, ainda longe da condição ideal, mas ganhou o retorno do defesa Ramy Bensebaini, recuperado de lesão. Petkovic elogiou o banco de suplentes, decisivo diante dos jordanos, e admitiu que a equipa ainda não atingiu o seu teto — “mostrámos mais de 75% do nosso verdadeiro nível”. A leitura, partilhada por observadores em Lisboa que acompanham a diáspora futebolística argelina, sugere margem de crescimento justamente no momento em que a Áustria de Ralf Rangnick promete uma postura ainda mais corajosa do que a exibida contra a Argentina.
O desfecho imediato é binário. Uma vitória garante a segunda vaga do grupo e projeta a Argélia para as oitavas de final, mantendo viva a ambição de igualar ou superar a campanha de 2014. O empate, dependendo de outros resultados, pode valer a classificação como um dos melhores terceiros, mas Petkovic fez questão de apagar essa hipótese do horizonte mental dos jogadores. “Não se pode pensar nisso no futebol. Primeiro temos de merecer”, avisou, devolvendo ao relvado de Kansas City a responsabilidade de escrever o próximo capítulo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O treinador argelino prega foco total na vitória contra a Áustria, rejeitando qualquer dependência de outros resultados. Parte da imprensa defende a equipe do que considera uma onda de críticas maliciosas, destinadas a desestabilizar o grupo antes da partida decisiva.
O técnico da Argélia descarta qualquer plano para evitar a Espanha na próxima fase, classificando tais especulações como irrelevantes. O único caminho para a classificação, reitera, é merecê-la em campo contra a Áustria.
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