
Usyk abandona cinturões mundiais e anuncia 'última dança' no boxe
Campeão invicto dos pesos pesados abre mão dos títulos WBA, WBC e IBF, mas descarta aposentadoria imediata e prepara despedida nos Estados Unidos.
Oleksandr Usyk comunicou nesta sexta-feira, através de um vídeo nas redes sociais, a decisão de deixar vagos todos os cinturões de campeão mundial de pesos pesados que detinha — WBA, WBC e IBF. O pugilista ucraniano de 39 anos, que se mantém invicto em 25 combates profissionais, justificou o gesto com o desejo de “libertar os títulos para que os próximos da fila possam lutar por eles”, mas afastou qualquer hipótese de retirada imediata: “não abandono o desporto, porque ainda tenho a minha última dança”.
O anúncio surge um mês depois de um dos triunfos mais discutidos da sua carreira. A 23 de maio, diante das Pirâmides de Gizé, no Egito, Usyk enfrentou o neerlandês Rico Verhoeven, lenda do kickboxing que disputava apenas o segundo combate de boxe. O ucraniano esteve em desvantagem nos cartões dos juízes até conseguir um nocaute técnico no 11.º assalto, numa decisão classificada como altamente controversa por analistas internacionais. Verhoeven já reagiu à renúncia aos cinturões com um apelo público: “hora da desforra”.
Na Europa, a vaga dos títulos é lida sobretudo a partir da Alemanha. O Conselho Mundial de Boxe (WBC) tinha fixado o dia 30 de junho como prazo para Usyk negociar um combate de unificação com o campeão interino Agit Kabayel. O presidente do organismo, Mauricio Sulaiman, confessou ter sabido da decisão pelo vídeo e admitiu que, num primeiro momento, julgou tratar-se de um conteúdo gerado por inteligência artificial. Com a renúncia, Kabayel, pugilista de Leverkusen, pode ser promovido a campeão pleno, tornando-se o primeiro alemão a deter um título mundial de pesos pesados desde Max Schmeling (1930-1932).
A equipa de Usyk, através do diretor desportivo Sergey Lapin, confirmou que o pugilista manterá o cinturão da revista The Ring e que o objetivo passa por encerrar o percurso com um combate nos Estados Unidos, território onde nunca atuou como profissional. A imprensa norte-americana adianta que o ucraniano visitou Washington em junho, tendo sido recebido pelo presidente Donald Trump e estado no Pentágono. Em declarações anteriores, o próprio Usyk admitiu ter planos para o pós-carreira, incluindo a possibilidade de representar, mas sublinhou que ainda lhe restam “dois, talvez três combates”.
A decisão de abdicar dos cinturões reconfigura o topo da categoria. Os títulos WBA, WBC e IBF ficam agora disponíveis para os desafiantes mais bem posicionados, enquanto Usyk se prepara para um adeus que, segundo observadores na Ucrânia, carrega também uma dimensão simbólica: no último combate, o pugilista dedicou a vitória aos militares ucranianos e revelou que a família se encontrava sob bombardeamento russo durante o espetáculo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O rei indiscutível dos pesos-pesados despe-se de todos os cinturões, preparando a sua última dança no ringue. Um gesto que abala o mundo do boxe e encerra uma era com uma mistura de celebração e melancolia.
A decisão de Usyk de deixar todos os títulos vagos levanta questões sobre as suas verdadeiras motivações e o futuro cenário da divisão. Uma análise calma explora as possíveis consequências para os próximos desafiantes e o legado do campeão.
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