
Trump telefona a Delcy Rodríguez e promete ajuda dos EUA após sismos na Venezuela
Contacto entre Washington e Caracas ocorre num momento de reaproximação bilateral, enquanto o número de mortos sobe para 920 e equipas internacionais reforçam operações de resgate.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou na sexta-feira à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para reafirmar o apoio norte-americano às operações de resposta aos terramotos que atingiram o país. Na chamada, de que também participou o secretário de Estado Marco Rubio, Washington comprometeu-se a enviar equipas de resgate, equipamento especializado e assistência humanitária, num gesto que Rodríguez classificou como “de amizade e cooperação”. O anúncio coincidiu com a atualização do balanço oficial para 920 mortos, mais de 3.300 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos, concentrando a devastação no estado de La Guaira, militarizado pelas autoridades.
A administração norte-americana já mobilizara 150 milhões de dólares em ajuda, navios de guerra, aeronaves de transporte e helicópteros, além de ter destacado para Caracas o major-general Kevin Jarrard, do Comando Sul, para coordenar as operações no terreno. Na perspetiva de analistas em Washington, a rapidez e a escala da resposta refletem a nova fase das relações bilaterais, iniciada em janeiro com a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA e a subsequente abertura do setor petrolífero venezuelano a investimentos internacionais, com prioridade para empresas norte-americanas. O próprio Trump, em declarações na Casa Branca, associou a presença dos EUA na Venezuela ao petróleo, afirmando que “está a fluir” e que “nos damos muito bem com eles”.
A onda de solidariedade internacional mobilizou também outros atores. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, manteve uma conversa telefónica com Rodríguez e enviou um contingente de 261 agentes militares, 18 binómios caninos e mais de 19 toneladas de insumos médicos e equipamento. A Rússia, pela voz do presidente Vladimir Putin, apresentou condolências e colocou-se à disposição para prestar auxílio. O Brasil, segundo fontes diplomáticas, integra o grupo de países que anunciaram apoio, juntamente com Colômbia, El Salvador, Espanha e Portugal, cujos cidadãos também figuram entre as vítimas mortais. A ONU estima que cerca de mil especialistas estrangeiros já se encontram no terreno, enquanto as réplicas e a escassez de maquinaria pesada dificultam as buscas.
Observadores em Caracas notam que a cooperação com Washington, impensável durante a era Maduro, se consolida num momento de fragilidade institucional e humanitária. A presidente interina, que assumiu o cargo após a detenção do antecessor, tem evitado confrontos com os interesses norte-americanos e recebido elogios públicos de Trump. A reunião de Rodríguez com o major-general Jarrard e outros representantes diplomáticos dos EUA, ainda na sexta-feira, centrou-se na coordenação das operações de salvamento e na distribuição de ajuda, com a participação do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e do ministro do Interior, Diosdado Cabello.
As próximas horas são consideradas críticas para alcançar sobreviventes sob os escombros, numa janela que as equipas de resgate estimam em 48 a 72 horas após os abalos de magnitude 7,2 e 7,5 registados na quarta-feira. O governo venezuelano mantém a avaliação de edifícios danificados e apela à população que reporte danos estruturais, enquanto a ajuda internacional continua a chegar a La Guaira. A dimensão da tragédia e a resposta coordenada deverão dominar a agenda diplomática regional nos próximos dias, com a União Europeia e a ONU a acompanharem a evolução das necessidades humanitárias.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ligação entre Trump e Delcy Rodríguez marca uma virada diplomática, com os EUA prometendo equipes de resgate e ajuda humanitária. Essa cooperação reforça a legitimidade do governo interino e abre um canal para a reconstrução das áreas afetadas.
Washington usa o desastre natural para avançar sua agenda política na Venezuela, contornando as autoridades legítimas de Caracas. A suposta ajuda é uma cobertura para a ingerência, visando sustentar o governo paralelo reconhecido pelos EUA.
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