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Sociedade & Culturasábado, 27 de junho de 2026

De Abu Dhabi a Brasília, o verão de 2026 transforma-se em sala de aula global

Festivais de robótica, cursos de idiomas e recrutamentos especializados desenham um mapa-múndi da corrida por competências, do Golfo à América do Sul.

No início de julho, sob um sol que empurra os termómetros para lá dos 45 graus, uma criança de seis anos entra pela primeira vez num pavilhão refrigerado na região de Al Wathba, em Abu Dhabi. Lá dentro, o zumbido dos ares-condicionados embala um universo paralelo: robôs por montar, comandos de inteligência artificial para testar, uma pista de gelo onde se aprende a patinar. É o Festival Sheikh Zayed de Verão 2026, que ao longo de sete semanas, até 23 de agosto, acolherá milhares de participantes dos 6 aos 18 anos, distribuídos por mais de 80 oficinas e programas desenhados por 14 entidades nacionais, académicas e desportivas. A oferta cruza o futurismo dos drones e da cibersegurança com a memória dos arquivos nacionais e a etiqueta dos majlis, num movimento que, na perspetiva do Golfo, procura ancorar a identidade local na economia do conhecimento.

A mesma lógica de investimento no capital humano ecoa noutra iniciativa emirata anunciada na mesma semana: o programa ‘Competências Internacionais’, que abriu candidaturas para enviar mais de uma dezena de recém-licenciados emiratenses para estágios de dois anos em escritórios do Grupo Banco Mundial. Os selecionados trabalharão em projetos de inteligência artificial, segurança hídrica e políticas públicas, tutelados por mentores. A aposta, sublinham observadores em Abu Dhabi, é dupla: formar quadros capazes de transitar entre o local e o global, ao mesmo tempo que se projecta a presença do país nas arquitecturas multilaterais de desenvolvimento.

Do outro lado do Atlântico, o verão brasileiro de 2026 também se desenha como um tempo de aquisição acelerada de competências, mas com um acento distinto: a inclusão digital. O projeto High Tech Course, parceria entre o Instituto Superar e Ilustrar Mestrias e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, abriu mil vagas gratuitas em 24 cursos de áreas como criação de jogos, inteligência artificial e marketing digital. As inscrições, abertas a partir dos 12 anos, são preenchidas por ordem de cadastro, e as aulas remotas prolongam-se até ao Natal. Em paralelo, os Centros Interescolares de Línguas do DF lançaram vagas para cursos presenciais de inglês, espanhol, francês e japonês destinados a alunos da rede pública a partir do 6.º ano. A seleção será por sorteio eletrónico, e a matrícula exige a apresentação de documentos num curto intervalo de dias — um ritual que, na perspetiva de Brasília, revela tanto a procura reprimida por formação linguística como a fragilidade dos mecanismos de acesso.

Na Ásia, o verão traz outras faces da mesma procura por qualificação. Em Jacarta, a Agência de Gestão Financeira do Hajj (BPKH) abriu um recrutamento para nove lugares de assistente de gestão em áreas como comunicação estratégica, risco corporativo e compliance. A iniciativa visa reforçar a capacidade de gerir um fundo estratégico para a economia nacional, exigindo talentos com integridade e espírito de serviço. Já em Nova Deli, a Universidade de Deli deu início à Fase I das admissões para 73 licenciaturas em 67 colégios, com base nos resultados do exame nacional CUET. O processo, que integrou automaticamente os dados dos candidatos através de uma interface governamental, arranca com o registo no portal CSAS e culminará na escolha de preferências de curso e faculdade. Para milhões de jovens indianos, este é o rito de passagem que dita o acesso ao ensino superior público, num país onde a pressão demográfica transforma cada vaga num bem escasso.

Ao cair da noite em Al Wathba, as luzes dos pavilhões reflectem-se nas poças deixadas pelo degelo da pista de patinagem. Os últimos participantes guardam os robôs desmontados nas mochilas e partem nos autocarros gratuitos que os levarão de volta a casa. A algumas horas de voo dali, em Brasília, um adolescente actualiza o site da Secretaria de Educação à espera do resultado do sorteio que lhe poderá abrir as portas do japonês. Em Nova Deli, um outro carrega os documentos digitalizados para o portal de admissões. São gestos mínimos, repetidos em fusos horários distintos, que desenham o mapa de um verão em que a aprendizagem deixou de ser pausa para se tornar projecto.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa do Golfo árabeImprensa latino-americana
Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPaternalismoPragmatismo

Sob o alto patrocínio da liderança, os Emirados lançam um programa de verão que combina educação e entretenimento para os jovens, moldando uma geração de elite pronta para os desafios globais. A iniciativa para graduados emiratenses envia os melhores talentos para escritórios internacionais, reforçando o soft power nacional. O Estado investe estrategicamente em capital humano, garantindo um futuro de excelência.

Imprensa latino-americana/ Bolivariana / progressista
PragmatismoUrgência

No Brasil, milhares de vagas gratuitas em cursos de tecnologia e idiomas são abertas a estudantes da rede pública e a qualquer pessoa acima de 12 anos, democratizando o acesso ao conhecimento digital. A iniciativa reduz a lacuna tecnológica e oferece oportunidades concretas de emprego, com o Estado e a sociedade civil se mobilizando para não deixar ninguém para trás. O verão se transforma, assim, em uma sala de aula global de inclusão e progresso social.

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sábado, 27 de junho de 2026

De Abu Dhabi a Brasília, o verão de 2026 transforma-se em sala de aula global

Festivais de robótica, cursos de idiomas e recrutamentos especializados desenham um mapa-múndi da corrida por competências, do Golfo à América do Sul.

No início de julho, sob um sol que empurra os termómetros para lá dos 45 graus, uma criança de seis anos entra pela primeira vez num pavilhão refrigerado na região de Al Wathba, em Abu Dhabi. Lá dentro, o zumbido dos ares-condicionados embala um universo paralelo: robôs por montar, comandos de inteligência artificial para testar, uma pista de gelo onde se aprende a patinar. É o Festival Sheikh Zayed de Verão 2026, que ao longo de sete semanas, até 23 de agosto, acolherá milhares de participantes dos 6 aos 18 anos, distribuídos por mais de 80 oficinas e programas desenhados por 14 entidades nacionais, académicas e desportivas. A oferta cruza o futurismo dos drones e da cibersegurança com a memória dos arquivos nacionais e a etiqueta dos majlis, num movimento que, na perspetiva do Golfo, procura ancorar a identidade local na economia do conhecimento.

A mesma lógica de investimento no capital humano ecoa noutra iniciativa emirata anunciada na mesma semana: o programa ‘Competências Internacionais’, que abriu candidaturas para enviar mais de uma dezena de recém-licenciados emiratenses para estágios de dois anos em escritórios do Grupo Banco Mundial. Os selecionados trabalharão em projetos de inteligência artificial, segurança hídrica e políticas públicas, tutelados por mentores. A aposta, sublinham observadores em Abu Dhabi, é dupla: formar quadros capazes de transitar entre o local e o global, ao mesmo tempo que se projecta a presença do país nas arquitecturas multilaterais de desenvolvimento.

Do outro lado do Atlântico, o verão brasileiro de 2026 também se desenha como um tempo de aquisição acelerada de competências, mas com um acento distinto: a inclusão digital. O projeto High Tech Course, parceria entre o Instituto Superar e Ilustrar Mestrias e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, abriu mil vagas gratuitas em 24 cursos de áreas como criação de jogos, inteligência artificial e marketing digital. As inscrições, abertas a partir dos 12 anos, são preenchidas por ordem de cadastro, e as aulas remotas prolongam-se até ao Natal. Em paralelo, os Centros Interescolares de Línguas do DF lançaram vagas para cursos presenciais de inglês, espanhol, francês e japonês destinados a alunos da rede pública a partir do 6.º ano. A seleção será por sorteio eletrónico, e a matrícula exige a apresentação de documentos num curto intervalo de dias — um ritual que, na perspetiva de Brasília, revela tanto a procura reprimida por formação linguística como a fragilidade dos mecanismos de acesso.

Na Ásia, o verão traz outras faces da mesma procura por qualificação. Em Jacarta, a Agência de Gestão Financeira do Hajj (BPKH) abriu um recrutamento para nove lugares de assistente de gestão em áreas como comunicação estratégica, risco corporativo e compliance. A iniciativa visa reforçar a capacidade de gerir um fundo estratégico para a economia nacional, exigindo talentos com integridade e espírito de serviço. Já em Nova Deli, a Universidade de Deli deu início à Fase I das admissões para 73 licenciaturas em 67 colégios, com base nos resultados do exame nacional CUET. O processo, que integrou automaticamente os dados dos candidatos através de uma interface governamental, arranca com o registo no portal CSAS e culminará na escolha de preferências de curso e faculdade. Para milhões de jovens indianos, este é o rito de passagem que dita o acesso ao ensino superior público, num país onde a pressão demográfica transforma cada vaga num bem escasso.

Ao cair da noite em Al Wathba, as luzes dos pavilhões reflectem-se nas poças deixadas pelo degelo da pista de patinagem. Os últimos participantes guardam os robôs desmontados nas mochilas e partem nos autocarros gratuitos que os levarão de volta a casa. A algumas horas de voo dali, em Brasília, um adolescente actualiza o site da Secretaria de Educação à espera do resultado do sorteio que lhe poderá abrir as portas do japonês. Em Nova Deli, um outro carrega os documentos digitalizados para o portal de admissões. São gestos mínimos, repetidos em fusos horários distintos, que desenham o mapa de um verão em que a aprendizagem deixou de ser pausa para se tornar projecto.

Divergência das fontes

Sociedade & Cultura · 2 veículos · 2 idiomas

38%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável75%
Neutro25%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa do Golfo árabeImprensa latino-americana
Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPaternalismoPragmatismo

Sob o alto patrocínio da liderança, os Emirados lançam um programa de verão que combina educação e entretenimento para os jovens, moldando uma geração de elite pronta para os desafios globais. A iniciativa para graduados emiratenses envia os melhores talentos para escritórios internacionais, reforçando o soft power nacional. O Estado investe estrategicamente em capital humano, garantindo um futuro de excelência.

Imprensa latino-americana/ Bolivariana / progressista
PragmatismoUrgência

No Brasil, milhares de vagas gratuitas em cursos de tecnologia e idiomas são abertas a estudantes da rede pública e a qualquer pessoa acima de 12 anos, democratizando o acesso ao conhecimento digital. A iniciativa reduz a lacuna tecnológica e oferece oportunidades concretas de emprego, com o Estado e a sociedade civil se mobilizando para não deixar ninguém para trás. O verão se transforma, assim, em uma sala de aula global de inclusão e progresso social.

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