
Muralha ganesa trava Inglaterra em Boston e mantém Grupo L em aberto
Com 79% de posse e 19 remates, os ingleses esbarraram na defesa de Gana e cederam um empate sem golos que adia a definição dos classificados no grupo.
O desfecho do duelo entre Inglaterra e Gana no Gillette Stadium, em Foxborough, cristalizou-se num lance aos 86 minutos: o cabeceamento de Nico O’Reilly explodiu no travessão, a sobra caiu em Harry Kane e o capitão inglês, a poucos metros da baliza, rematou por cima. Foi a imagem mais eloquente de uma noite em que os Três Leões dominaram a posse de bola, acumularam 19 tentativas de finalização, mas nunca encontraram o caminho das redes defendidas por Benjamin Asare. O 0-0, quarto empate sem golos do Mundial de 2026, deixou ingleses e ganeses igualados no topo do Grupo L, ambos com quatro pontos, e transferiu para a última jornada a decisão sobre quem avançará diretamente aos dezasseis-avos de final.
A partida desenhou-se desde o apito inicial com uma assimetria radical. A Inglaterra de Thomas Tuchel instalou-se no campo adversário e chegou a registar 88% de posse nos primeiros 18 minutos, mas a circulação de bola esbarrava sistematicamente num bloco baixo montado por Carlos Queiroz. Com duas linhas muito juntas e Thomas Partey a liderar as coberturas no regresso à titularidade, Gana concedeu apenas remates de longa distância e impediu que Jude Bellingham ou Anthony Gordon encontrassem espaços interiores. O primeiro tempo terminou sem um único remate enquadrado — facto inédito nesta edição do torneio — e com Declan Rice a cabecear por cima a única insinuação inglesa digna de nota. Na etapa complementar, Tuchel lançou Bukayo Saka, Eberechi Eze e Marcus Rashford, mas a muralha africana só vacilou nos estertores: Asare ainda negou o golo a Saka com uma defesa rente ao relvado, antes do ferro salvar Gana no lance de O’Reilly e da recarga de Kane sair disparada para as bancadas.
Na imprensa inglesa, o desempenho foi descrito como frustrante e reavivou o debate sobre a “síndrome do segundo jogo” — a seleção empatou o segundo compromisso nas últimas quatro grandes competições. Já os comentadores ganeses celebraram a disciplina defensiva como uma vitória tática, sublinhando que a equipa ainda não sofreu golos no torneio. Antoine Semenyo resumiu o espírito coletivo: “Defendemos a maior parte do jogo. Sabíamos que seria assim. Tínhamos de manter a forma e pôr o corpo no caminho.” Do lado inglês, Rice reconheceu a dificuldade de enfrentar “onze atrás da bola” e Tuchel elogiou a exibição física dos adversários, admitindo que “raramente vi uma performance física assim”.
O empate ganhou contornos mais dramáticos com o triunfo da Croácia sobre o Panamá por 1-0, algumas horas depois, em Toronto. O golo solitário de Ante Budimir colocou os vice-campeões mundiais de 2018 com três pontos, a apenas um dos líderes, e eliminou matematicamente os panamianos. Assim, o Grupo L chega à terceira ronda com três seleções a disputar duas vagas diretas e a possibilidade de um terceiro classificado ainda se apurar como um dos oito melhores entre os 12 grupos. Analistas no Brasil notam que o equilíbrio do grupo transforma a última jornada numa espécie de mata-mata antecipado: a Inglaterra enfrenta o já eliminado Panamá no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, enquanto Gana mede forças com a Croácia no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Ambos os jogos serão disputados em simultâneo no sábado, 27 de junho, e qualquer escorregão pode reescrever a hierarquia que o papel atribuía aos ingleses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A partida coloca a abordagem metódica europeia da Inglaterra frente ao estilo criativo africano de Gana. As duas equipas estão empatadas em pontos e uma vitória deixaria qualquer uma delas em boa posição para avançar. As Estrelas Negras de Gana pretendem exibir o seu talento no palco mundial.
Inglaterra e Gana defrontam-se num duelo decisivo pela liderança do grupo, com Harry Kane à beira de um recorde histórico de golos. O encontro, o primeiro entre ambos num Mundial, pode garantir a passagem antecipada à fase a eliminar. Os adeptos podem acompanhar a ação em direto em várias plataformas.
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