
Rubio inicia giro pelo Golfo para tranquilizar aliados após acordo com Irã
O secretário de Estado dos EUA visita Emirados, Kuwait e Bahrein para reafirmar compromissos de segurança e discutir o memorando de entendimento com Teerã, enquanto aliados expressam ceticismo.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, iniciou na quarta-feira uma visita a três países do Golfo — Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein — com o objetivo declarado de alinhar posições com os aliados regionais após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, que pôs fim a quase quatro meses de guerra. A viagem, a primeira de um alto responsável dos EUA à região desde o acordo, incluiu encontros com o presidente emiradense, Mohamed bin Zayed, e com o emir do Kuwait, e culminará numa reunião do Conselho de Cooperação do Golfo no Bahrein, onde serão discutidas as prioridades comuns de segurança.
Segundo fontes oficiais norte-americanas, Rubio reiterou que Washington “não fará nada que mine a segurança dos seus aliados” e que estará “completamente alinhada” com os parceiros do Golfo em todas as decisões relativas às negociações com o Irão. O secretário de Estado sublinhou ainda a rejeição categórica dos EUA a qualquer cobrança de taxas ou portagens no Estreito de Ormuz, classificando a via como um canal internacional que deve permanecer livre e gratuito. A administração Trump, através do próprio presidente, já advertira que a imposição de custos de trânsito por Teerã poderia levar ao fim das conversações.
As capitais do Golfo, na perspetiva de analistas regionais, receberam as garantias com reservas. Os países da região, que albergam bases militares estratégicas norte-americanas e foram duramente atingidos por mísseis e drones iranianos durante o conflito, manifestam preocupação com aspetos do memorando que consideram omissos, como o programa de mísseis balísticos de Teerã e o papel dos seus representantes regionais. A proposta de um fundo de 300 mil milhões de dólares para a reconstrução do Irão é vista com desconfiança, temendo-se que possa ser utilizado para recompor capacidades militares. Teerã, por seu lado, descreveu o acordo como uma “declaração da derrota da América” e insiste, juntamente com Omã, nos seus direitos soberanos sobre as águas territoriais do Estreito de Ormuz, admitindo a cobrança de taxas de serviço marítimo.
A visita de Rubio ocorre num momento em que se preparam as negociações técnicas entre EUA e Irão, com o reinício das conversações previsto para o final do mês na Suíça, e enquanto decorrem consultas paralelas sobre o Líbano e a segurança marítima. Dados os prazos do memorando — um período de negociação de 60 dias para um acordo definitivo —, a capacidade de Washington para gerir as expetativas dos aliados do Golfo será determinante para a estabilidade regional, num contexto em que a confiança na fiabilidade do parceiro norte-americano foi abalada pela exposição aos ataques iranianos durante a guerra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os EUA estão a promover um acordo que não impõe limites aos mísseis balísticos do Irão e inclui um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares, recompensando Teerão. Os aliados do Golfo receiam que isto fortaleça o Irão e subverta o equilíbrio de segurança regional, tornando-os mais vulneráveis.
A digressão de Rubio visa ouvir as preocupações do Golfo sobre as repercussões económicas e de segurança de qualquer acordo com o Irão. Os Estados do Golfo, em particular o Kuwait e os EAU, receiam pelas suas exportações de petróleo e pelo Estreito de Ormuz, e querem garantias de que os seus interesses não serão sacrificados.
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