
Iene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com Washington
A pressão sobre a moeda japonesa, combinada com expectativas de novos aumentos de juros nos EUA, contaminou o mercado de criptomoedas e enfraqueceu divisas emergentes nesta terça-feira.
O iene tocou a faixa dos 161,90 por dólar na noite de segunda-feira, aproximando-se do piso histórico de 161,96 registado há quase quarenta anos, e desencadeou uma resposta imediata das autoridades japonesas. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, revelou ter acordado com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, a adoção de medidas “audazes” no mercado cambial sempre que necessário. A simples divulgação do entendimento entre Tóquio e Washington provocou uma recuperação momentânea da divisa para perto de 161 unidades, mas o movimento não eliminou a pressão vendedora que se acumula há semanas.
A raiz da fragilidade do iene está na convicção crescente dos mercados de que a Reserva Federal poderá retomar o ciclo de alta de juros ainda em 2026. As probabilidades implícitas nos futuros dos fed funds atribuem apenas 15% de hipótese de manutenção das taxas atuais, enquanto um aumento de 25 pontos-base até ao final do ano recolhe 37% de chances. Este cenário fortalece o dólar globalmente e penaliza ativos de risco. O bitcoin caiu 4,8% para a região dos 62.250 dólares, pressionado por resgates líquidos de 68,3 milhões de dólares nos ETF à vista nos EUA, e o ethereum recuou 5,7% para 1.646 dólares. Na Europa, o bitcoin cotava nos 71.174 euros, com uma desvalorização de 2,91% na sessão.
As divisas emergentes sentiram o impacto de forma desigual. O peso mexicano depreciou-se 1,18% para 17,56 por dólar, interrompendo uma sequência de relativa estabilidade abaixo das 17,50 unidades, num dia em que analistas locais apontavam a intervenção japonesa como fator de contágio. A moeda mexicana ainda assim acumula uma apreciação de 6,2% em doze meses, sustentada por fluxos de nearshoring e pela expectativa de receitas do Mundial de Futebol de 2026. Na Argentina, o dólar oficial permaneceu em 1.480 pesos para venda, com o blue a 1.495 pesos e uma brecha cambial de apenas 2,3%, enquanto o Banco Central prossegue a acumulação de reservas. O peso colombiano cedeu 0,52%, com o dólar a 3.450 pesos, num mercado que também acompanha o escrutínio presidencial.
O próximo marco factual a monitorizar é a eventual concretização de uma intervenção cambial por parte do Banco do Japão, que em maio de 2026 mobilizou 11,73 biliões de ienes (cerca de 73,6 mil milhões de dólares) para travar a queda da moeda. A comunicação entre Tóquio e Washington sugere que qualquer ação será coordenada, mas o calendário e os gatilhos permanecem incertos. Paralelamente, os investidores aguardam os próximos indicadores de inflação nos EUA e as atas da Fed, que poderão calibrar as expectativas de subida de taxas e, por arrasto, a trajetória do dólar e dos criptoativos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O peso mexicano enfrentou uma sessão difícil, enfraquecido pela cautela dos investidores diante da expectativa de uma intervenção cambial conjunta do Japão e dos Estados Unidos. Com o iene próximo das mínimas de quatro décadas, a conversa telefónica entre os ministros das Finanças resultou num compromisso de medidas «ousadas», abalando as moedas emergentes.
O bitcoin caiu para uma mínima de duas semanas, arrastado por um sentimento de aversão ao risco que também atingiu as ações tecnológicas dos EUA, em meio a receios com os gastos em IA e possíveis aumentos das taxas do Fed. O sofrimento do iene permanece em segundo plano, com os holofotes totalmente voltados para a correção dos ativos digitais.
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