
Julgamento federal de Luigi Mangione é adiado para 2027; caso estadual segue em setembro
Juíza de Manhattan remarca seleção do júri para janeiro de 2027, evitando conflito com o processo estadual por homicídio, enquanto defesa retira alegação de perturbação emocional.
O julgamento federal de Luigi Mangione, acusado de perseguição interestadual e homicídio do executivo Brian Thompson, foi adiado para janeiro de 2027. A juíza distrital Margaret Garnett, em audiência realizada nesta segunda-feira em Manhattan, determinou que a seleção dos jurados terá início em 5 de janeiro de 2027, com alegações iniciais previstas para 25 de janeiro. A decisão visa evitar a sobreposição com o julgamento estadual por homicídio em segundo grau, mantido para 8 de setembro de 2025. A sessão sofreu atraso depois de Mangione ter ficado preso num elevador do tribunal, entrando na sala com expressão de aparente surpresa perante cerca de duas dezenas de apoiantes.
Na perspetiva da defesa, a realização de dois julgamentos em sequência comprimida violaria direitos constitucionais, argumento que o próprio Mangione reforçou em fevereiro ao classificar a situação como “dupla incriminação”. A acusação federal e os advogados do arguido divergem há meses sobre o questionário a apresentar aos jurados: a defesa pretende indagar sobre a relação dos candidatos com a UnitedHealthcare, posse de ações da empresa, hábitos televisivos e experiências com o sistema prisional, enquanto os procuradores consideram várias perguntas excessivamente intrusivas ou redundantes. A juíza Garnett anunciou que o questionário só será divulgado após a constituição do painel, para não dificultar ainda mais a tarefa de seleção.
A antecedência do processo estadual tem implicações diretas na estratégia jurídica. A defesa retirou formalmente a notificação de que recorreria à tese de “perturbação emocional extrema”, que obrigaria Mangione a admitir a autoria do disparo e poderia reduzir a pena para homicídio culposo, com máximo de 25 anos. Essa defesa não é admitida na esfera federal, onde as acusações de perseguição interestadual e uso de meios de comunicação para monitorizar a vítima comportam penas mais severas, embora a possibilidade de pena de morte tenha sido afastada em janeiro. Notícias de negociações para um acordo de confissão, entretanto goradas, levaram a defesa a acusar a procuradoria de alimentar fugas de informação para prejudicar o julgamento.
O caso tornou-se um símbolo para críticos do sistema de saúde norte-americano. Mangione é acusado de ter viajado de autocarro até Nova Iorque, usado uma arma impressa em 3D e deixado munições com as palavras “delay, deny, depose”, em alusão a práticas das seguradoras. No Brasil, onde o debate sobre planos de saúde é recorrente, a comoção também se fez sentir: uma angariação online para a defesa já ultrapassou 1,5 milhões de dólares. O arguido, que se declara inocente de todas as acusações, continua detido. O julgamento estadual arranca a 8 de setembro de 2025, enquanto a seleção do júri federal está marcada para 5 de janeiro de 2027.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa atlântica destaca o adiamento do julgamento federal de Luigi Mangione para janeiro de 2027, sublinhando com ceticismo o duplo trilho judicial e o incidente do elevador como símbolo de um sistema travado. O foco recai sobre a segurança dos CEOs e a urgência de justiça, agora postergada.
A imprensa latino-americana relata pragmaticamente o adiamento do julgamento federal de Luigi Mangione como um ajuste processual de rotina para evitar conflito com o julgamento estadual. A cobertura é distanciada, apenas mencionando as novas datas sem dar ênfase à vítima ou ao acusado.
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