
Juíza anula acordo fiscal de Trump e sanciona advogados por má-fé
Decisão judicial considera que ação de 10 mil milhões de dólares contra o IRS foi usada para obter imunidade fiscal e desviar fundos públicos, num caso que abala a confirmação do procurador-geral.
A juíza federal Kathleen Williams, do Distrito Sul da Flórida, anulou nesta segunda-feira o acordo extrajudicial entre o presidente Donald Trump e o Internal Revenue Service (IRS), concluindo que a ação de 10 mil milhões de dólares foi apresentada de má-fé e com “propósito impróprio”. A decisão impede que as partes invoquem o acordo em processos oficiais, o que, segundo a interpretação de juristas, restabelece a capacidade do fisco de auditar as declarações fiscais do presidente, da sua família e das suas empresas.
Na fundamentação, a magistrada — nomeada pelo ex-presidente Barack Obama — considerou que não existia um verdadeiro litígio entre as partes, uma vez que Trump, enquanto chefe do Executivo, controla tanto o IRS como o Departamento de Justiça. “As partes trabalharam em conjunto e nunca foram adversárias”, escreveu, classificando o processo como uma tentativa de “conferir legitimidade judicial a um acordo que concedia imunidade a pessoas e entidades ligadas ao presidente”. A decisão surge após um grupo de 35 antigos juízes federais ter pedido a reabertura do caso, alegando que o tribunal fora induzido em erro.
O acordo, alcançado em maio, previa a criação de um fundo de 1,8 mil milhões de dólares para compensar alegadas vítimas de “instrumentalização da justiça” — designado por críticos de ambos os partidos como um “fundo de despesas discricionárias” — e a imunidade fiscal retroativa para Trump e o seu círculo. Perante a pressão bipartidária no Congresso, a administração abandonou o fundo, mas manteve a cláusula de blindagem fiscal. A juíza Williams considerou que essa cláusula viola a legislação tributária norte-americana, que proíbe a interferência política em auditorias.
A decisão tem implicações disciplinares: o advogado Alejandro Brito foi remetido à Ordem dos Advogados da Florida para eventual processo, e Daniel Epstein foi impedido de atuar no distrito durante um ano. A juíza determinou ainda o envio da sentença aos órgãos disciplinares que já investigam o procurador-geral interino, Todd Blanche, e o procurador-geral adjunto, Stanley Woodward. A divulgação ocorre a dois dias da audiência de confirmação de Blanche no Senado, onde o acordo com o IRS deverá ser um dos temas centrais.
O caso remonta à fuga de informação fiscal durante o primeiro mandato de Trump, quando um contratante do IRS divulgou declarações que revelaram que o então presidente pagara apenas 750 dólares de imposto federal em 2016. Trump processou o IRS em janeiro de 2026, já no segundo mandato, e retirou a ação após o acordo. A porta-voz da equipa jurídica de Trump afirmou que o presidente “continua a responsabilizar quem prejudica os Estados Unidos e os americanos”, enquanto o Departamento de Justiça não comentou. Observadores em Washington notam que a decisão reforça o escrutínio sobre a utilização do sistema judicial para fins políticos, num momento em que a administração enfrenta múltiplos desafios legais. Não foi anunciado recurso, mas a equipa de Trump poderá contestar a decisão no tribunal de apelação.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.85 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
The judge speaks for the rule of law, exposing Trump's abuse of the judicial system.
By framing the lawsuit as an 'improper purpose' and a 'manipulation of the judicial process', the bloc presents the judge's ruling as an objective legal truth, thereby delegitimizing any defense of Trump's actions.
The court's decision is reported as a routine legal development, without moral commentary.
By omitting the judge's harsh language and focusing on the procedural outcome, the bloc maintains an appearance of impartiality while still conveying the negative result for Trump.
The report omits the judge's characterization of the lawsuit as 'improper purpose' and the referral for disciplinary actions, which are central to the atlantica bloc's narrative.
The court's action is reported as a straightforward legal reversal, without additional commentary.
By using neutral terms like 'controversial' and focusing on the procedural outcome, the bloc presents the ruling as a matter-of-fact judicial decision, avoiding any moral framing.
The report omits the judge's explicit condemnation of the lawsuit as an 'improper purpose' and the detailed rebuke present in the atlantica bloc's coverage.
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