
Golfo e Jordânia condenam ataques iranianos e pedem ação urgente do Conselho de Segurança
Declaração conjunta classifica ofensivas com mísseis e drones contra Bahrein, Kuwait e Jordânia como violação da soberania e exige reconhecimento do direito à legítima defesa.
Os Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo e a Jordânia divulgaram nesta quinta-feira uma declaração conjunta que condena os ataques com mísseis e drones lançados pelo Irão contra o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia. O comunicado, repercutido por agências e jornais da região, qualifica as ofensivas como “atos de agressão flagrante” que violam a Carta das Nações Unidas, o direito internacional humanitário e a Resolução 2817 do Conselho de Segurança. Os sete países signatários afirmam que os alvos incluíram infraestruturas civis como centrais energéticas, estações de dessalinização, portos e aeroportos, e sublinham que as hostilidades se intensificaram mesmo após a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, em junho.
Na perspetiva das capitais do Golfo e de Amã, a resposta militar iraniana a uma série de doze noites consecutivas de bombardeamentos norte-americanos em território iraniano configura uma ameaça direta à segurança e à estabilidade regionais. A declaração reivindica o direito inerente à legítima defesa, individual ou coletiva, nos termos do Artigo 51.º da Carta da ONU, e anuncia a disposição de adotar “todas as medidas legais necessárias” para proteger a soberania, os cidadãos, os navios comerciais e as infraestruturas críticas. Ao mesmo tempo, os signatários manifestam solidariedade total com a Arábia Saudita, apoiam a decisão do primeiro-ministro iraquiano de concentrar as armas nas mãos do Estado e instam o Conselho de Segurança a emitir uma resolução urgente que exija a cessação imediata dos ataques iranianos e reconheça o direito de defesa dos países afetados.
A imprensa estatal iraniana, por sua vez, apresenta uma leitura oposta. O diário económico Donya-e Eqtesad descreve a declaração como uma “alegação” de agressão e acusa os países do Golfo e a Jordânia de terem cedido o seu território e espaço aéreo para as operações militares dos Estados Unidos contra o Irão, enquanto se mantiveram em silêncio perante o que classifica como “crimes contra a humanidade” cometidos pelo exército norte-americano e por Israel nos últimos cinco meses. A narrativa iraniana enquadra os disparos de mísseis e drones como uma resposta a alvos norte-americanos na região e rejeita a caracterização de agressão injustificada, sublinhando que as tentativas anteriores de aprovar resoluções anti-iranianas em organismos internacionais fracassaram.
O agravamento das hostilidades ocorre num momento de elevada tensão no Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana reportou uma explosão numa rota minada a sul da passagem estratégica e declarou que o estreito se encontra “completamente fechado”, advertindo que nenhum petroleiro poderá entrar ou sair sem coordenação com Teerão. A ameaça foi antecedida por um aviso do comando militar conjunto iraniano de que, se os Estados Unidos concretizassem a promessa do presidente Donald Trump de destruir uma ponte ou central elétrica iraniana por cada ataque a navios, as forças iranianas visariam infraestruturas regionais de petróleo, gás e eletricidade e impediriam a exportação de “uma única gota de crude”.
A declaração do Golfo e da Jordânia reafirma o compromisso com a liberdade de navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb e manifesta disponibilidade para cooperar com a Organização Marítima Internacional na criação de arranjos duradouros. O documento elogia ainda a atuação das forças armadas dos países signatários e valoriza os esforços diplomáticos da Arábia Saudita e de Omã para uma solução política abrangente para a crise no Iémen. O dossiê segue agora para o Conselho de Segurança da ONU, onde se espera a apresentação de um projeto de resolução, enquanto a decisão do governo iraquiano de desarmar milícias pró-iranianas até setembro introduz uma nova variável no xadrez regional.
| Imprensa do Golfo árabe | −1.00 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | +0.30 | aligned |
Os estados do Golfo e a Jordânia condenam os ataques iranianos e exigem uma resolução da ONU.
Eles usam a linguagem do direito internacional e da soberania para legitimar sua posição e mobilizar o Conselho de Segurança.
Eles omitem o contexto das provocações dos EUA e de Israel contra o Irã nos meses anteriores.
O Ocidente e seus aliados denunciam os ataques do regime iraniano como uma ameaça à estabilidade regional.
Eles enfatizam a continuidade dos ataques desde março de 2026 para criar um senso de urgência e necessidade de ação.
Eles omitem as razões por trás dos ataques iranianos, apresentando-os como uma agressão unilateral.
O Irã e seus apoiadores acusam os estados do Golfo de cumplicidade com a agressão dos EUA e de hipocrisia ao condenar as respostas defensivas iranianas.
Eles invertem a culpa, atribuindo a responsabilidade pelos ataques às provocações dos EUA e de Israel, e retratam o Irã como vítima.
Eles omitem que os ataques iranianos atingiram alvos civis no Bahrein, Kuwait e Jordânia sem provocação direta desses países.
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