
Líbano inicia retorno ao sul sob acordo-quadro, mas desarmamento gera impasse
Exército libanês ocupa primeira zona-piloto após retirada israelita, enquanto a questão das buscas domiciliárias por armamento do Hezbollah permanece sem solução.
O governo libanês deu início à implementação do acordo-quadro firmado com Israel sob mediação dos Estados Unidos, ao deslocar o exército para a localidade de Zawtar al-Gharbiyeh, no sul do país, e ao prometer a mobilização de todos os recursos estatais para o regresso dos deslocados. O primeiro-ministro Nawaf Salam, que visitou a zona na quarta-feira, afirmou que o Estado “não se limitará a recuperar a terra, mas regressará com as pessoas e para as pessoas”, anunciando a abertura de estradas, a remoção de escombros, o restabelecimento de serviços básicos e a instalação de abrigos pré-fabricados. A operação, coordenada com o grupo militar tripartido criado pelo entendimento de Washington, ocorre um dia depois de o presidente Joseph Aoun ter reiterado na Casa Branca, perante Donald Trump, a “necessidade urgente de uma retirada israelita total” como passo essencial para a estabilidade e o exercício pleno da soberania libanesa.
Segundo a imprensa de Beirute, a escolha de Zawtar al-Gharbiyeh como uma das “zonas experimentais” visa testar a viabilidade do acordo antes de o alargar a outras áreas. O comandante do exército, general Rodolphe Heikal, inspecionou as unidades no terreno e sublinhou a importância de garantir um regresso seguro, embora persistam ataques israelitas com drones em localidades vizinhas. Na perspetiva de Washington, o processo é visto como um primeiro passo para consolidar o cessar-fogo e reduzir a influência militar do Hezbollah, mas a diplomacia francesa já sinalizou disponibilidade para liderar uma “força terceira” internacional que verifique o cumprimento do desarmamento, sobretudo porque o mandato da UNIFIL expira no final de 2026.
O principal ponto de tensão reside na exigência israelita, rejeitada inicialmente pelo exército libanês, de revistar residências privadas onde se suspeita existirem arsenais do Hezbollah. Fontes jurídicas libanesas explicam que a decisão política do conselho de ministros de confinar as armas confere cobertura legal para buscas, desde que sustentadas por mandado judicial ou, em zonas consideradas de segurança, por ação imediata sem aviso prévio. Contudo, a relutância do comando militar em evitar confrontos diretos com a população tem adiado a medida, enquanto o bloco parlamentar “Fidelidade à Resistência”, ligado ao Hezbollah, mantém a rejeição de qualquer negociação direta ou acordo que não apresente uma alternativa, num contexto em que os confrontos anteriores resultaram em milhares de vítimas e na perda de territórios que Israel abandonara em 2000.
Na visão de analistas em Lisboa, o sucesso do acordo-quadro depende da capacidade de Beirute em equilibrar a pressão externa por desarmamento com a coesão interna, evitando que o vazio deixado pela retirada israelita seja preenchido por novas fricções entre o exército e as milícias. O dossier avança agora com a extensão do modelo-piloto a outras localidades do sul, enquanto prosseguem as conversações sobre o formato da força de verificação e os procedimentos para a neutralização dos depósitos de armamento. A próxima reunião do grupo de coordenação militar deverá definir o calendário das próximas retiradas e o início efetivo das operações de reconstrução.
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O Estado libanês está a recuperar a sua autoridade no sul, assegurando que a população não seja abandonada. O governo está a tomar medidas práticas para o regresso e a reconstrução, enquanto algumas forças políticas obstruem o progresso ao recusar o diálogo.
Ao contrastar o papel proativo do Estado com a postura obstrucionista do Hezbollah, o bloco legitima a abordagem governamental e deslegitima a resistência como um obstáculo à paz.
O governo libanês está totalmente mobilizado para trazer de volta a população do sul e reconstruir. O Estado está presente com todas as suas capacidades, e nenhuma oposição interna é reconhecida.
Ao omitir qualquer menção à rejeição do Hezbollah às negociações, o bloco apresenta um esforço nacional unificado, reforçando a legitimidade das ações do Estado sem reconhecer a dissidência.
O bloco omite qualquer menção à rejeição do Hezbollah às negociações diretas, relatada em outros blocos, apresentando assim uma frente nacional unificada sem dissidência interna.
O Líbano está a trabalhar para uma retirada total de Israel, e o destacamento do exército é um passo concreto. O canal diplomático internacional, incluindo os EUA, está a ser utilizado para atingir este objetivo.
Ao ligar o destacamento à reunião Aoun-Trump, o bloco enquadra o acordo como parte de um processo diplomático mais amplo, implicando que o apoio internacional é essencial e que a medida é sancionada internacionalmente.
O bloco omite a oposição política interna do Hezbollah ao acordo, concentrando-se em vez disso nos aspetos diplomáticos e militares.
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