
EUA aplicam tarifas de até 12,5% a 60 países por trabalho forçado
A administração Trump substitui a tarifa global temporária que expirava por novas taxas baseadas na Seção 301, com isenções para petróleo, gás e produtos do T-MEC.
Os Estados Unidos impuseram, esta sexta-feira, novas tarifas de 10% a 12,5% sobre importações de 60 parceiros comerciais, abrangendo 99,4% das compras externas do país. A decisão, anunciada pelo representante comercial Jamieson Greer, substitui a taxa global temporária de 10% que expirou à meia-noite, após o Supremo Tribunal ter anulado, em fevereiro, as tarifas «recíprocas» da era Trump. A justificação invocada são falhas na proibição e fiscalização eficaz da importação de bens produzidos com trabalho forçado.
A medida assenta na Secção 301 da Lei de Comércio de 1974, cujas investigações concluíram que a maioria dos países visados não aplica restrições adequadas. As economias que adotaram proibições ou assumiram compromissos vinculativos — como Canadá, União Europeia, México, Índia e Reino Unido — ficam sujeitas a 10%. As restantes, incluindo China, Japão, Coreia do Sul e Brasil, são taxadas a 12,5%. Ficam isentos bens energéticos, fertilizantes, produtos abrangidos pelo T-MEC e artigos já sujeitos a tarifas setoriais de segurança nacional.
Para o Brasil, a nova sobretaxa acumula com os 25% aplicados desde quarta-feira no âmbito de outra investigação da Secção 301, elevando a carga para 37,5% em setores como calçado, máquinas e químicos não farmacêuticos, embora café, carne bovina e suco de laranja estejam isentos. O governo brasileiro considerou a tarifa «arbitrária e injustificada» e anunciou a abertura de trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade e a Organização Mundial do Comércio. A Amcham Brasil estima que 3 mil produtos, equivalentes a 12,5 mil milhões de dólares em exportações anuais, sejam atingidos.
Em Tóquio, o executivo lamentou a imposição, sublinhando que a indústria japonesa opera de acordo com padrões internacionais. A Austrália considerou a medida «injustificada» e incompatível com o acordo de livre comércio bilateral. A Índia, que inicialmente enfrentaria 12,5%, viu a sua taxa reduzida para 10% após alterar a política de comércio externo para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
A administração Trump mantém ainda uma investigação paralela sobre excesso de capacidade industrial em 16 economias, que poderá gerar novas tarifas. Para já, as taxas entram em vigor enquanto prosseguem consultas bilaterais e se preparam eventuais contestações judiciais nos próprios Estados Unidos.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.10 | neutral |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
O Brasil denuncia as tarifas dos EUA como injustas e se mobiliza com um pacote de ajuda, mas critica a lentidão burocrática.
Ao enfatizar o impacto imediato e a vulnerabilidade dos setores, o bloco constrói uma narrativa de vítima que legitima a resposta governamental e transfere a culpa para os EUA.
O bloco omite a perspectiva americana de que as tarifas fazem parte de uma estratégia comercial mais ampla e que a tarifa global de 10% está sendo substituída, bem como o fato de que outros países são igualmente afetados.
A administração Trump renova sua estratégia tarifária, substituindo o imposto global de 10% por novas medidas, em um processo de rotina.
Ao descrever as tarifas como uma questão técnica de prazos e substituições, o bloco normaliza a ação unilateral e a apresenta como parte do ciclo político normal.
O bloco omite o impacto específico no Brasil e a reação do governo brasileiro, concentrando-se exclusivamente na mecânica da política comercial dos EUA.
A Europa observa a política tarifária dos EUA como um fenômeno externo, explicando suas dinâmicas sem tomar partido.
Ao enquadrar o evento em um contexto mais amplo de política comercial global, o bloco evita focar no conflito bilateral EUA-Brasil e mantém um tom distante.
O bloco omite a reação específica do Brasil e as medidas de ajuda, bem como a crítica direta às tarifas, preferindo uma descrição geral.
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