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Geopolítica & Políticadomingo, 21 de junho de 2026

Sondagens revelam que 92% dos israelitas consideram que o Irão venceu a guerra

Maioria esmagadora rejeita resultado do conflito e desconfia da liderança de Netanyahu, enquanto pressão interna e externa condiciona próximos passos diplomáticos.

A opinião pública israelita considera, de forma quase unânime, que o Irão saiu fortalecido da guerra e do acordo alcançado com os Estados Unidos. Segundo uma sondagem realizada pela Universidade Hebraica de Jerusalém em parceria com o Instituto Agam, entre 17 e 20 de junho, 92,1% dos 3.644 inquiridos afirmam que Teerão obteve a vitória ou mais ganhos com o conflito, enquanto 82,9% avaliam que a segurança de Israel a longo prazo ficou fragilizada. O sentimento é transversal ao espectro político: até entre os eleitores da base de Benjamin Netanyahu, 93,1% partilham dessa perceção. O estudo, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, reflete uma profunda crise de confiança na condução da campanha militar e nos seus resultados.

A descrença na narrativa oficial é outro dado marcante. Cerca de 72,5% dos respondentes não acreditam nas alegações do primeiro-ministro de que Israel eliminou ameaças existenciais e obteve ganhos estratégicos significativos; 87,8% consideram que os objetivos militares não foram atingidos ou foram-no apenas parcialmente. A avaliação da gestão de Netanyahu é dura: 56,4% classificam-na como “fraca” ou “falhada”. O apoio à sua permanência à frente do governo caiu de 40,5% no início de março para 29,4% em junho. Na perspetiva de analistas em Telavive, estes números indiciam um desgaste político acelerado, num momento em que o primeiro-ministro enfrenta ainda o desfecho de um longo processo de corrupção.

Apesar do pessimismo quanto ao resultado da guerra, o apoio a uma ação militar de grande envergadura contra o Hezbollah mantém-se significativo: 48,2% dos israelitas são favoráveis a uma nova ofensiva no Líbano, mesmo que isso implique um confronto com Washington. A sondagem revela que 63,2% se opõem ao memorando de entendimento assinado entre EUA e Irão, que prevê um cessar-fogo abrangente, incluindo na frente libanesa. Nos Estados Unidos, o cenário também é de insatisfação: uma sondagem da AP-NORC indica que 65% dos americanos desaprovam a forma como Donald Trump lidou com a crise, e 53% consideram que a ação militar contra o Irão foi excessiva. Para observadores em Lisboa, este descompasso entre as prioridades das opiniões públicas e as iniciativas diplomáticas em curso — com negociações marcadas para a Suíça visando um acordo definitivo — introduz uma incerteza adicional na estabilização do Médio Oriente.

A continuidade das hostilidades no terreno agrava o risco de colapso do frágil entendimento. Israel e Hezbollah trocam acusações de violação do cessar-fogo, enquanto Teerão adverte que a persistência das operações israelitas no Líbano ameaça o diálogo com os EUA. Fontes militares israelitas confirmaram ter recebido ordens para cessar o combate e adotar uma postura defensiva, mas a situação permanece volátil. O dossier entra agora numa fase crítica, com as conversações na Suíça a poderem definir se a região caminha para um acordo duradouro ou para uma nova escalada, num contexto em que a pressão doméstica sobre Netanyahu para demonstrar firmeza contrasta com as limitações impostas pela administração norte-americana.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Survey results from Israel show an overwhelming public perception that Iran emerged stronger from the conflict, with 92% of Israelis holding this view. There is deep dissatisfaction with Netanyahu's leadership, and a majority want him to retire from politics. The tone is one of disillusionment with the government's handling of the war.

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An Israeli opinion poll reveals that the vast majority of citizens consider Iran the victor in the recent Middle East war and view the US-Iran deal negatively. Interestingly, support for an aggressive military campaign against Hezbollah remains high, reflecting a complex mix of defeatism and belligerence. The survey underscores widespread skepticism toward Netanyahu's claims.

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domingo, 21 de junho de 2026

Sondagens revelam que 92% dos israelitas consideram que o Irão venceu a guerra

Maioria esmagadora rejeita resultado do conflito e desconfia da liderança de Netanyahu, enquanto pressão interna e externa condiciona próximos passos diplomáticos.

A opinião pública israelita considera, de forma quase unânime, que o Irão saiu fortalecido da guerra e do acordo alcançado com os Estados Unidos. Segundo uma sondagem realizada pela Universidade Hebraica de Jerusalém em parceria com o Instituto Agam, entre 17 e 20 de junho, 92,1% dos 3.644 inquiridos afirmam que Teerão obteve a vitória ou mais ganhos com o conflito, enquanto 82,9% avaliam que a segurança de Israel a longo prazo ficou fragilizada. O sentimento é transversal ao espectro político: até entre os eleitores da base de Benjamin Netanyahu, 93,1% partilham dessa perceção. O estudo, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, reflete uma profunda crise de confiança na condução da campanha militar e nos seus resultados.

A descrença na narrativa oficial é outro dado marcante. Cerca de 72,5% dos respondentes não acreditam nas alegações do primeiro-ministro de que Israel eliminou ameaças existenciais e obteve ganhos estratégicos significativos; 87,8% consideram que os objetivos militares não foram atingidos ou foram-no apenas parcialmente. A avaliação da gestão de Netanyahu é dura: 56,4% classificam-na como “fraca” ou “falhada”. O apoio à sua permanência à frente do governo caiu de 40,5% no início de março para 29,4% em junho. Na perspetiva de analistas em Telavive, estes números indiciam um desgaste político acelerado, num momento em que o primeiro-ministro enfrenta ainda o desfecho de um longo processo de corrupção.

Apesar do pessimismo quanto ao resultado da guerra, o apoio a uma ação militar de grande envergadura contra o Hezbollah mantém-se significativo: 48,2% dos israelitas são favoráveis a uma nova ofensiva no Líbano, mesmo que isso implique um confronto com Washington. A sondagem revela que 63,2% se opõem ao memorando de entendimento assinado entre EUA e Irão, que prevê um cessar-fogo abrangente, incluindo na frente libanesa. Nos Estados Unidos, o cenário também é de insatisfação: uma sondagem da AP-NORC indica que 65% dos americanos desaprovam a forma como Donald Trump lidou com a crise, e 53% consideram que a ação militar contra o Irão foi excessiva. Para observadores em Lisboa, este descompasso entre as prioridades das opiniões públicas e as iniciativas diplomáticas em curso — com negociações marcadas para a Suíça visando um acordo definitivo — introduz uma incerteza adicional na estabilização do Médio Oriente.

A continuidade das hostilidades no terreno agrava o risco de colapso do frágil entendimento. Israel e Hezbollah trocam acusações de violação do cessar-fogo, enquanto Teerão adverte que a persistência das operações israelitas no Líbano ameaça o diálogo com os EUA. Fontes militares israelitas confirmaram ter recebido ordens para cessar o combate e adotar uma postura defensiva, mas a situação permanece volátil. O dossier entra agora numa fase crítica, com as conversações na Suíça a poderem definir se a região caminha para um acordo duradouro ou para uma nova escalada, num contexto em que a pressão doméstica sobre Netanyahu para demonstrar firmeza contrasta com as limitações impostas pela administração norte-americana.

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An Israeli opinion poll reveals that the vast majority of citizens consider Iran the victor in the recent Middle East war and view the US-Iran deal negatively. Interestingly, support for an aggressive military campaign against Hezbollah remains high, reflecting a complex mix of defeatism and belligerence. The survey underscores widespread skepticism toward Netanyahu's claims.

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