
Negociações EUA-Irão começam na Suíça com Estreito de Ormuz no centro da tensão
Encontro em Bürgenstock, mediado por Paquistão e Catar, testa o memorando de cessar-fogo enquanto Teerão anuncia novo fecho da via marítima e insiste no fim dos ataques israelitas.
Começaram este domingo, em Bürgenstock, na Suíça, as negociações técnicas entre EUA e Irão, na sequência do memorando de entendimento que estabelece um cessar-fogo de 60 dias. A delegação americana, com o vice-presidente JD Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner, encontrou a equipa iraniana chefiada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi, com mediação do Paquistão e do Catar. Os trabalhos arrancaram sob tensão: na véspera, Teerão anunciara o fecho do Estreito de Ormuz, acusando Washington de não garantir a trégua no Líbano.
As posições divergem. Vance afirmou esperar progressos na questão nuclear e no cessar-fogo libanês, admitindo uma «nova página» nas relações se o Irão renunciar à instabilidade regional e a ambições nucleares militares. Teerão insiste no direito ao enriquecimento de urânio e exige o cumprimento integral do memorando — sobretudo a cessação dos ataques israelitas no Líbano — como condição prévia a um acordo final. Um porta-voz iraniano advertiu que «todo o entendimento estará em risco» se os compromissos não forem honrados. O Paquistão, com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe militar Asim Munir presentes, sublinhou o seu papel de facilitador.
O novo bloqueio do Estreito de Ormuz, via por onde transita um quinto do petróleo mundial, ameaça reacender a volatilidade nos mercados, embora o Pentágono assegure que 55 navios o cruzaram no sábado. O memorando permite ao Irão retomar exportações e aceder a fundos congelados, mas o alívio definitivo das sanções depende de um acordo final em 60 dias. Na perspetiva de Brasília, a instabilidade afeta diretamente os preços dos combustíveis; em Lisboa, analistas acompanham as implicações para a segurança energética europeia. Países africanos lusófonos, dependentes de importações, também são impactados.
A guerra começou a 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel. O memorando de Islamabade, assinado a 18 de junho, suspendeu as hostilidades diretas, mas não os combates no Líbano, onde já morreram mais de quatro mil pessoas. O programa nuclear iraniano é o ponto nevrálgico: Washington exige a diluição do urânio enriquecido e inspeções, Teerão recusa abdicar do enriquecimento. Vance declarou «grandes progressos» após as primeiras sessões, mas o dossiê continua frágil. As próximas etapas incluem reuniões técnicas e uma cimeira ministerial, com a evolução no terreno a ditar a confiança.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Latin American press reports the start of US-Iran negotiations in Switzerland as a crucial diplomatic step, highlighting the arrival of delegations and the issues on the table: nuclear program, Lebanon ceasefire, and the Strait of Hormuz. The coverage is factual, detailing the 14-point memorandum and the 60-day timeline, without taking a strong editorial stance. Emphasis is on the high-level delegations and the multilateral mediation effort.
The Russian press frames the talks as a technical negotiation facilitated by Pakistan and Qatar, with a focus on the mediation process and the formation of technical groups. The coverage is calm and procedural, highlighting the roles of the mediators and the Iranian delegation's arrival. There is no strong bias, but the narrative underscores the importance of the Islamabad memorandum and the need for a comprehensive agreement.
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