
Irão abandona mesa de negociações na Suíça depois de novas ameaças de Trump
Relatos iranianos indicam que a delegação se retirou em protesto, enquanto fontes americanas afirmam que os contactos prosseguem, aprofundando a incerteza sobre o processo de paz.
A delegação iraniana abandonou este domingo as negociações com os Estados Unidos no resort suíço de Bürgenstock, em protesto contra as novas ameaças do presidente Donald Trump, segundo a agência oficial IRNA e os meios semioficiais Tasnim e Fars. Contudo, fontes próximas das conversações asseguram que os negociadores permanecem reunidos, apesar dos relatos da imprensa iraniana, mantendo um quadro de versões contraditórias. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, chegara a projetar “grandes avanços” antes da interrupção, enquanto se discutiam o levantamento de sanções, ativos congelados e o conflito no Líbano.
Na perspetiva de Washington, a pressão sobre o Irão visa forçar Teerão a conter o Hezbollah no Líbano e a garantir a livre circulação no Estreito de Ormuz. Trump afirmou na rede Truth Social que os EUA atacarão o Irão “com ainda mais força” caso os seus “representantes bem pagos” no Líbano continuem a “causar problemas” e, em entrevista à Fox News, ameaçou tomar o controlo do estreito e cobrar portagens. Para observadores europeus, a linguagem do presidente americano, ao incluir insultos pessoais e avisos de destruição do país, inverte a lógica diplomática do memorando de entendimento assinado há menos de uma semana, que previa uma janela de 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano, o fim das hostilidades e o descongelamento de ativos.
O Irão, por seu lado, insiste em vincular qualquer acordo à cessação imediata das operações militares israelitas no Líbano — condição que Teerão classifica como inegociável e que o chefe da delegação, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, reiterou ao avisar que as “forças armadas estão prontas para responder”. A mediação do Catar e do Paquistão, que facilitava as conversações a quatro bandas com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e de JD Vance, fica agora sob forte pressão. Na avaliação de analistas em Lisboa, a ameaça de colapso do processo diplomático pode agravar a volatilidade nos mercados petrolíferos e reacender as tensões num momento em que a guerra, iniciada a 28 de fevereiro, já provocou milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados.
O dossier permanece em aberto mas em situação de elevada incerteza: as delegações dispõem do local de reuniões até à manhã de segunda-feira, o que deixa uma margem reduzida para retomar o diálogo. A próxima etapa dependerá da capacidade dos mediadores para conciliar a exigência iraniana de fim das hostilidades no Líbano com a insistência americana em resultados imediatos, num contexto em que Israel mantém operações contra o Hezbollah e o Estreito de Ormuz continua a ser um ponto de fricção estratégica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Continental European media report that Iran left the peace talks in Switzerland in protest against new threats from US President Trump. The narrative focuses on Iran's action as a reaction to Trump's belligerent statements, without taking a clear stance. Details include Trump's remarks about 'well-paid proxies' and Tehran's decision to halt negotiations.
Russian media, citing Iranian sources, portray the walkout as a legitimate protest against Trump's existential threats. The harshness of US statements, including the threat to 'destroy' Iran, is emphasized. The narrative sympathizes with Iran's position and criticizes US intransigence.
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