
Os alertas da ciência sobre dietas radicais e modismos de saúde
Estudo com ratos indica que cortar totalmente o açúcar prejudica o metabolismo, enquanto especialistas desmontam mitos do exercício e do ‘protein washing’.
Um estudo com ratos, conduzido com apenas seis animais por grupo, revelou que uma dieta estritamente sem açúcar — embora não provoque ganho de peso — pode colapsar a flora intestinal, danificar a barreira do intestino e reduzir a capacidade de processar glicose. Ainda em fase pré-clínica, os resultados advertem para os riscos do radicalismo alimentar, num momento em que os alimentos ultraprocessados fornecem mais de 60% das calorias das crianças nos EUA.
Em humanos, uma investigação da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, com 140 participantes, associou adversidades na infância a uma hiperatividade das mitocôndrias. As células respondem ao stress com maior produção de energia, mas esse “hipermetabolismo” pode desgastar a maquinaria celular e, a longo prazo, agravar doenças crónicas. A análise distinguiu ainda os efeitos de ameaças e privações, sugerindo caminhos para intervenções precoces.
No combate à obesidade infantil, programas nos EUA como o Healthy Harlem concentram-se na mudança do ambiente familiar, distribuindo milhares de quilos de produtos frescos, enquanto o debate sobre medicamentos (ainda não aprovados para menores de 12 anos) prossegue. Por outro lado, médicos de Surabaya, na Indonésia, chamam a atenção para a puberdade precoce — sinais antes dos 8 anos em meninas e 9 em meninos —, que acelera a maturação óssea, reduz a estatura final e exige acompanhamento psicológico.
No universo do consumo, a prática de “protein washing” — quando marcas destacam o alto teor proteico para criar uma imagem saudável — é criticada por nutricionistas no Reino Unido. Muitos produtos “ricos em proteínas” contêm tanto açúcar quanto as versões convencionais, repetindo-se o fenómeno em mercados lusófonos. A crença de que o exercício físico garante, por si só, saúde plena é igualmente desmontada por especialistas: a saúde é determinada por um conjunto complexo de fatores, não por um único hábito.
A revisão das orientações dietéticas nacionais, prevista para os próximos meses em vários países, deverá colocar na agenda a rotulagem de alimentos e a educação alimentar, num esforço para conter modismos perigosos e promover escolhas informadas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O bloco atlântico foca no combate à obesidade infantil através de dieta e exercícios tradicionais, criticando truques de marketing como 'protein washing'. Alerta que tendências extremas sem açúcar podem prejudicar o metabolismo e pede aos consumidores que mantenham ceticismo sobre alegações de saúde. Soluções práticas, não modismos, são enfatizadas para o bem-estar a longo prazo.
Pesquisas do subcontinente indiano alertam que adversidades na primeira infância podem levar ao hipermetabolismo celular, prejudicial a longo prazo. Embora as mitocôndrias possam inicialmente aumentar a produção de energia para lidar com o estresse, essa resposta adaptativa se torna desadaptativa ao longo da vida, contribuindo para problemas de saúde física e mental. O estudo destaca uma ligação biológica entre experiências precoces e desfechos de saúde ao longo da vida.
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