
Irão multiplica ameaças de morte a Trump em murais, vídeos e recompensas
Cartazes, listas de procurados e um vídeo da agência Fars intensificam retórica de vingança pela morte do líder supremo Khamenei, enquanto prosseguem contactos diplomáticos.
A multiplicação de ameaças públicas contra o presidente dos EUA, Donald Trump, a partir do Irão e de grupos aliados atingiu um novo patamar nos últimos dias. Um mural em Teerão exibe Trump num caixão com a frase “Vamos matar Trump”, um painel na praça Vali-e-Asr pergunta “quem é o próximo?” com destaque para as iniciais D e T, e a agência Fars, próxima da Guarda Revolucionária, divulgou um vídeo intitulado “Onde se pode matar Trump?” com a rota da sua comitiva na Florida. Em paralelo, a milícia iraquiana Resistência Islâmica no Iraque, apoiada por Teerão, ofereceu uma recompensa de 10 milhões de dólares por quem matar o presidente norte-americano. Estas ações sucedem ao funeral do antigo líder supremo Ali Khamenei, morto num ataque aéreo em fevereiro, e aos apelos de vingança que marcaram as cerimónias fúnebres. Os serviços de informação dos EUA consideram a ameaça de assassínio real, mas a Casa Branca confirmou que os contactos diplomáticos com o Irão se mantêm.
Na perspetiva de Teerão, as ameaças são apresentadas como expressão oficial e popular de retaliação. O mural do caixão foi instalado na praça Enghelab, espaço habitualmente reservado a eventos governamentais, o que, segundo observadores locais, indica aval do regime. Na primeira sessão presencial do parlamento após o início do conflito, mais de 180 dos 290 deputados agitaram bandeiras vermelhas exigindo vingança, e o jornal conservador Hamshahri publicou uma “lista de procurados” com 13 líderes ocidentais, incluindo Trump, o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. Analistas iranianos, como o jurista Moein Khazaeli, avaliam que esta retórica serve uma guerra psicológica e de dissuasão, destinada a projetar força após reveses militares e a desviar a atenção dos fracassos no terreno. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, jurou vingar o sangue do pai, reforçando a narrativa de mobilização interna.
A escalada verbal coexiste com ações militares. Teerão reivindicou ataques com drones a bases dos EUA no Kuwait e um ataque com mísseis ao Qatar, que foi intercetado, enquanto Washington bombardeou pontes no sul do Irão. Para a administração Trump, as ameaças criam um dilema estratégico: o presidente quer encerrar uma guerra impopular antes das eleições intercalares de novembro, mas não pode ignorar apelos públicos ao seu assassínio. Observadores em Lisboa e Brasília notam que o regime iraniano parece explorar esta vulnerabilidade para ganhar margem negocial, ciente de que uma nova ofensiva militar dos EUA e de Israel poderia, como já demonstraram, dizimar a sua cúpula dirigente.
O conflito, desencadeado pelos ataques aéreos que mataram Khamenei no final de fevereiro, entrou numa fase de impasse sangrento. As ameaças de morte a Trump não são inéditas — procuradores norte-americanos já tinham alegado planos iranianos para o assassinar, sempre negados por Teerão —, mas a sua exibição pública e coordenada representa uma viragem. O dossiê permanece em aberto: enquanto os canais diplomáticos se mantêm ativos, a retórica de vingança e os confrontos militares continuam a alimentar um ciclo de tensão sem horizonte de resolução imediata.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.40 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
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